E se a gente demitisse a Dilma?

4 de fevereiro de 2015 § 13 Comentários

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Demitiram a Graça Foster e o resto da corja da diretoria da Petrobras e a ação da companhia subiu 15% em um único pregão só em cima do boato sobre a boa nova. Com a confirmação hoje a alta deve continuar e se puserem mesmo gente profissional e sem nenhuma ligação com os assaltantes pra tocar aquilo a ação explode.

Se demitissem a Dilma e o resto da corja da presidência do Brasil acontecia a mesma coisa com a economia nacional como um todo.

Desde o “ficam os ladrões” de setembro passado até agora a Petrobras tinha perdido R$ 205 bi de valor nas bolsas. Mas esse foi o menor prejuízo. Quando o mundo, assombrado, viu ao vivo e em cores a Dilma dar aquele formidável murro bem na ponta da faca afiada tudo aquilo de que dependemos para sobreviver passou a não valer mais nada: o dólar disparou, o preço dos juros é outra vez recorde mundial, o risco país, só de novembro para cá, passou de 250 pontos acima da taxa básica, para 324 pontos mais do que custa o dinheiro internacional para gente séria.

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Nada disso teria sequer começado a acontecer não fosse o fato da Petrobras ter hoje um monte de proprietários protegidos pela legislação americana. É um velho hábito. O Brasil só concede abrir mão dos seus “modelos econômicos” e métodos “soberanos” de gestão da coisa pública, como o da escravidão entre outros, quando frotas estrangeiras bloqueiam nossos portos e o mundo nos obriga a dar um passinho na direção da modernidade. Ficamos devendo mais uma ao Fernando Henrique, portanto, pela decisão de emitir ADRs da Petrobras e colocá-las à venda na Bolsa de Nova York.

Resta saber, agora, se essa “virada” da Dilma corresponde, como estão dizendo em Brasília, à “irritação” da senhora “presidenta” por Graça ter “confessado” que o rombo da ladroagem é igual ou possivelmente maior que R$ 80 bilhões, e não ao fato do rombo ser maior que R$ 80 bilhões, ou se é o PT que está forçando a mão pra fazer a Dilma deixar de ser Dilma.

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No caso de ser mesmo ela virando café-com-leite, terá chegado o momento de sabermos quanto o PT – aquele partido que quando a gente pensa em relaxar um pouco nos manda uma prova de que ainda leva o Mangabeira Unger a sério – está disposto, ele próprio, a fazer de concessões à realidade.

A Dilma já tinha dito que, por ela, “nem um milímetro”. Agora é a hora de sabermos do PT: vem a melhor pessoa do mercado para a diretoria da Petrobras para estancar a maciça hemorragia da credibilidade do Brasil, ou vem só um daqueles economistas amestrados que o partido saca da prateleira das conveniências pra acalmar as “criancinhas” quando elas começam a entrar em pânico com os sinistros palhaços que compõem os reais “quadros” dessa nossa delirante pantomima?

Em outras palavras, vem um Joaquim Levy ou só um Henrique Meirelles?

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Da sabedoria dessa decisão, ainda que seja inspirada exclusivamente pelo pragmatismo, sairá a real medida do nabo ainda por ser introduzido no anus nacional em função do cataclisma Dilma.

Por cima do que já veio na última conta o governo manda avisar que vêm outros 26% de aumento na conta de luz. Vai chegando, por enquanto, a 60% o aumento que estamos pagando por aqueles “20% de redução” chacoalhados na frente do nariz dos eleitores mais idiotas.

Essa porrada no alicerce central da economia nacional, que é a energia que a move, é só o começo. Os aumentos de impostos outros até agora anunciados são milho pros pintos. Você, agora, virou peteca. Quem só começou a raciocinar depois da bendida “herança maldita” do FHC que o PT tanto apedrejou não sabe o que é isso. Mas quem está por aí ha mais tempo sabe bem o que vem vindo pela proa. Funciona assim: o desgarroteamento das tarifas de comprar voto tornam tudo imediatamente mais caro com efeito mecânico na inflação que, por sua vez, come o resultado das elétricas (e do resto das empresas), que precisam, então, de novo aumento da tarifa ou, no caso de bens essenciais como energia, de complementação por injeção direta de dinheiro do Tesouro Nacional na veia, o que provoca mais inflação pra todo mundo e … “da cappo”.

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Quer dizer, a Dilma, em sua irrefreável pesporrência, resgatou das profundezas, junto com os Renan Calheiros da vida, aqueles moto continuos descendentes de sabor argentino, à José Sarney, que só podem ser detidos com paradas cardíacas induzidas da economia como um todo, seguidas de choques para a sua reanimação que, quando dão certo, custam só a devastação da poupança de toda uma geração de brasileiros, podendo o resultado ser pior dependendo da destreza de quem aplica esse remédio extremo.

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E pro Berzoini, nada?

9 de janeiro de 2015 § 18 Comentários

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Nenhum jornal ou televisão da dita “grande mídia” se lembrou de perguntar ao ministro Berzoini, das Comunicações, formalmente mandatado pelo PT para “executá-la”, isto é, para “instituir o controle da mídia” no Brasil, o que é que ele achou dos acontecimentos dos últimos dias em Paris.

O mundo não fala em outra coisa senão do valor supremo, inegociável, absoluto da liberdade de expressão. As multidões estão nas ruas, ao redor do globo para jurar sobre os cadáveres dos mártires do Charlie Hebdo que nenhum sacrifício será alto demais para preservar esta que todos sabem ser a primeira condição da democracia e da liberdade. Nossas televisões e jornais online estão em plantão permanente enquanto o sítio a Paris se desdobra em novos atentados.

Mas ninguém se lembrou de fazer suar um pouco o carrasco da liberdade de expressão no Brasil expressamente mandatado pelo PT para executá-la, arguindo-o para que esclareça o país sobre quais, para além da radicalidade da “solução kalashnikov” para os incômodos que ela impõe aos loucos por Maomé, são as outras diferenças – quanto a objetivos e justificação, por exemplo – entre aquela e a “solução petista” para os incômodos que insiste em lhe infligir a “grande mídia”.

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A “presidenta” Dilma evoluiu da recomendação de “diálogo” com mascarados de faca na mão e vítimas, também jornalistas ainda que americanos, agarradas pelo cangote prontos para a degola da barbárie de semanas atras para uma condenação veemente do “ato intolerável e do ataque inaceitável, com lamentáveis perdas humanas, contra um valor fundamental das sociedades democráticas: a liberdade de imprensa” da barbárie de ontem.

É, sem dúvida, uma evolução.

Mas a “presidenta” Dilma é, como se sabe, quem “assopra” no tema da censura à imprensa dentro dessa realidade mais que especial que é o universo dos “valores” e da “lógica” do PT.  Já o ministro Berzoini é quem “morde”, e foi exclusiva e declaradamente por ser quem mais e com mais força “morde” que ele foi guindado por Lula em pessoa ao comando do ministério que, além de cuidar da infraestrutura do mais básico insumo das economias modernas, o que é de somenos importância para os critérios petistas de seleção de ministros, passa a ter agora a atribuição precípua e expressa de livrar o PT do permanente incômodo que lhe causa a renitente indiscrição da “grande mídia” para com os seus “malfeitos”, tendo o “homem da mala” da igreja do bispo Macedo, o transparente pastor George Hilton, como “back-shooter“, tocaiado no Ministério dos Esportes.

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Dilma assumir esse compromisso ao qual, justiça seja feita, ela sempre resistiu foi, para ser mais exato, a condição exigida pela “ala moderada” do PT, que seria a “Construindo um Novo Brasil” – veja você! – para não se rebelar abertamente contra a perda de espaço no ministério Dilma 2 para a “ala radical” minoritária, dita “Democracia Socialista”.

E ninguém mais indicado para isso que o sr. Berzoini que, embora de Comunicações afirme não entender nada, como é regra entre os ministros petistas, destaca-se dentro do partido como o mais figadal inimigo da “grande mídia”. Em sua mais recente entrevista a esse respeito, significativamente concedida a “blogueiros” e “ativistas” de organizações não governamentais organizadas pelo governo convocados expressamente para ouví-lo de preferência a meros jornalistas, ele repetiu que “Como cidadão e agente político entende que a grande mídia no Brasil tem lado e é historicamente contra as conquistas dos trabalhadores”, heresia que, no seu entender, pede a imposição de um severo e irreversível remédio.

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Eu, como profisional do ramo que passei a vida toda em contato direto com jornalistas e com o jornalismo, diria, pelo que conheço do nosso mercado, que de cada 100 jornalistas empregados no Brasil hoje não haverá mais que cinco ou seis que recebam seus salários da imprensa juridicamente classificada como “privada”.

A maior redação do Brasil, longe da segunda, é a da ciclópica Empresa Brasileira de Notícias que produz A Voz do Brasil imposta diariamente a todos os brasileiros, do Oiapoque ao Chuí, no “horário nobre”, coisa que, neste Terceiro Milênio, só tem paralelo em lugares como a Coréia do Norte e a Venezuela. É ela, também, que se encarrega de rechear, “grátis“, os jornais, televisões e rádios do país inteiro das notícias do agrado do Poder Executivo federal, dos seus 39 “ministérios”, cada um com a sua redaçãozinha própria, das duas instâncias do Poder Legislativo onde, além dos dois canais dedicados de TV e dos demais órgãos impressos, sites e periódicos da instituição, cada um dos 513 deputados e 81 senadores tem a sua própria mini redação particular, dos nossos 5 diferentes Poderes Judiciários, cada qual com as suas redações e os seus diferentes canais de TV, periódicos e sites na internet. Há ainda reproduções desse mesmo conjunto de aparatos de “informação” e “assessoria de imprensa” em cada autarquia e em cada estatal federal. E, finalmente, tudo isso se reproduz, se desdobra e se multiplica nos pares quase exatos de cada uma dessas estruturas mantidos por cada um dos 26 governos estaduais da federação, mais o do Distrito Federal, e em cada um dos 5.570 municípios deste vasto país, com suas respectivas Câmaras Municipais, repartições e empresas públicas.

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Os jornalistas a serviço do Estado são, em resumo, legião, e não ha um profissional desse ramo, em formação ou em ação, no Brasil que, ou não tenha passado alguma temporada servindo esse tipo de patrão, ou não tenha em seu horizonte, especialmente nesses tempos de ruptura de paradigmas e crise do setor, a perspectiva de, mais cedo ou mais tarde, vir a pedir um emprego a esse mesmo patrão.

Tudo isso, naturalmente, cobra um preço em matéria de, digamos, arrefecimento do entusiasmo de muitos desses profissionais em fiscalizar e denunciar os “malfeitos” desses seus possíveis futuros empregadores, mesmo entre aqueles, raros, que não têm nenhum parente próximo — pai, mãe, irmão — em algum outro emprego público a pressiona-los para não atacar o ganha pão da família.

Mesmo assim, não é esta a “grande mídia” que é alvo do imensurável amor do PT pela democracia.

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Descontada essa legião, sobram os cinco ou seis em cada 100 jornalistas empregados, se tanto, nas folhas de pagamento da imprensa juridicamente classificada como “privada”. A maior parte dela, no entanto, embora classificada assim, encontra-se hoje em mãos de políticos com mandato no Congresso Nacional onde todo mundo salvo uns gatos pingados faz parte da “base aliada” do PT, especialmente no que diz respeito a rádios e televisões, setores nos quais estes felizes proprietários de “mídia”, que têm a prerrogativa exclusiva de “conceder” esses canais a quem bem lhes aprouver, são maioria esmagadora.

Escoimada a conta de mais estes, sobrarão, talvez, algumas dezenas de órgãos entre rádios, televisões, jornais impressos e redações estruturadas de produtos jornalísticos online pertencentes a proprietários privados sem cargos públicos ou eletivos. Mas não é esta, ainda, a “grande mídia” que fere o senso de equilíbrio e equidade dos democratas petistas. A conta ainda terá de ser subtraída de todos, entre estes, que por servirem a igrejas ou outras grandes estruturas de negócios a serviço do engrandecimento dos quais estão, acima de tudo, os seus “jornalistas“, ou por viverem exclusivamente da publicidade governamental ou diretamente de suborno pago por políticos ou pelos doleiros que a maioria deles tem hoje a seu serviço como o famigerado Alberto Youssef, constituem-se na segunda linha entre os mais irados defensores das “ideias” petistas, principalmente esta do controle da “grande mídia” que, junto com os petistas, odeiam mais que tudo. Ao fim de 12 anos de vigor dos métodos de conquista de “aliados” do PT, esta é uma lista que vai longe como já ficou sinalizado nas delações premiadas do “petrolão” onde esses nomes, ao lado dos seus “salários”, e até redações inteiras ricamente estruturadas na internet aparecem aos borbotões.

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Com isto chegamos à primeira linha de fogo da artilharia de mídia petista, que é a que vive nas sombras da internet, abaixo das camadas já arranhadas na contabilidade clandestina dos doleiros,  cujo tamanho ninguém consegue medir com precisão mas que tem estruturas oficiais de comando dentro das mais altas instâncias do Partido dos Trabalhadores e hoje é praticamente onipresente na rede.

É, portanto, entre os que já vão longe nas casas centesimais da unidade sobrante daquela centena inicial, que começam a ser contados os jornalistas que trabalham para a dúzia e meia de órgãos realmente independentes que restam na imprensa brasileira – aí incluídos jornais, rádios e televisões – que se esconde a tal “grande mídia” que fere a sensibilidade democrática e a sede de “equilíbrio de opiniões” e “compromisso com a verdade” do PT ainda precisando de remédios definitivos contra a sua “monopolística tendenciosidade“.

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Mesmo dentro dessas redações, entretanto, ha uma significativa proporção de agentes infiltrados do petismo zelando para que você não saiba nunca qual é a conta real do jornalismo independente da “grande mídia” versus a legião dos que trabalham pela divulgação da “verdade oficial”, por exemplo, o que explica porque você nunca viu nessa mesma “grande mídia” qualquer matéria mostrando os interessantes pormenores do tema aqui esboçado, tão obviamente interessante para ela, “grande mídia“, assim como para a opinião pública brasileira em geral no momento em que o governo da República declara ser este um dos maiores vícios a minar a vitalidade da nossa democracia. São esses quintas-colunas que zelam diuturnamente, também, para que nada do que possa ferir essa “verdade oficial” venha à luz, para que ganhe o menor destaque possível quando for inevitável que venha, para que, nessas raras eventualidades, nunca deixem de ser publicadas, seja ao lado de outra matéria atribuída a um vago “especialista” afirmando o contrário do que diz a que não pôde ser surrupiada, seja justaposta a um “vazamento” a que o jornal misteriosamente “teve acesso” em que o delator da falcatrua da hora aparecerá “envolvido” em outra falcatrua possivelmente maior ainda.

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E agora sim, chegamos ao que interessa: o que sobra de tudo isso é que é a “grande mídia” de que está doravante encarregado de “controlar” segundo os padrões “econômicos” copiados da Argentina kirshnerista e da Venezuela chavista, o paladino Berzoini daquela “democracia excessiva” que faz o gosto de Lula e seus seguidores.

Mesmo assim, nem com o planeta inteiro mobilizado na defesa da liberdade de expressão e a sua própria sobrevivência em jogo, essa nossa pequena “grande mídia” encurralada, com sentença de morte passada, conseguiu enxergar, até o momento, qualquer relação que merecesse ser apontada ao público ou atirada ao rosto do sr. Berzoini entre o que se está passando em Paris e o que acontece dentro do seu próprio galinheiro invadido pela horda das raposas.

Não ha, portanto, nenhuma diferença muito essencial entre o que se passou com os Tres Poderes da República aparelhados até o limite da impotência para garantir a defesa da democracia, e a ínfima fatia independente ou quase do “Quarto Poder“, à frente do qual proprietários mergulhados em torneios de vaidades, sem nenhuma familiaridade com a dimensão institucional daquilo que ficou reduzido a não mais que o “negócio” dos seus “acionistas”, os únicos a merecerem prestações de contas de seus atos, ou ignoram olimpicamente ou titubeiam diante do que acontece dentro das suas redações, seja porque sabem menos de jornalismo e do papel que essa instituição tem numa democracia que o último morador de rua francês e o menos credenciado dos ministros do PT sobre os seus próprios ministérios, seja por uma mistura de omissão e covardia, coisas que nesta altura dos acontecimentos no Brasil são, todas elas, crimes de lesa-pátria, com variações apenas do grau de dolo.

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O eleitor brasileiro que está elegendo democraticamente os agentes juramentados da destruição “por dentro” da nossa democracia não é, portanto, o maior culpado pelo seu próprio comportamento. A ordem dos fatores é decisiva e altera radicalmente o resultado nos processos de morte das democracias. Esse comportamento suicida da parcela mais vulnerável do eleitorado é, em grande medida, involuntário. Desde a escola ele vem sendo deliberadamente induzido a erro, em sua ignorância e em sua boa fé, e a imprensa não tem cumprido à altura a sua missão de fazer a verdade aflorar e prevalecer.

Felizmente ainda ha exceções com as quais o pais pode contar. Porque, assim como quando uma democracia morre é porque sua imprensa já tinha morrido antes, enquanto a imprensa estiver viva não ha o que possa matar uma democracia. Daí ser o objetivo Nº 1 de todos os seus inimigos “controlar a mídia“, seja com o tipo de “tiro” que for.

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E segue o baile…

17 de abril de 2014 § 5 Comentários

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Nada resiste à esculhambação do Congresso Nacional.

La onde “crime” é “malfeito” e “assassinato” vira “ato infracional“, nenhuma surpresa em chamar “negócio” ao ato de transformar US$ 42 milhões em US$ 1,2 bilhão em menos de 12 meses e depois ficar discutindo sobre se isso foi “um bom ou um mau negócio“.

É claro que, no fundo, é tudo uma questão de ponto de vista, dependendo, a conclusão dessa momentosa questão, de se a pergunta é feita a quem possuia o bilhão e duzentos antes e ficou sem eles (nós os contribuintes) ou a quem se tornou proprietário deles depois do “negócio” feito…

O Congresso Nacional falava, supostamente, em nosso nome e, portanto, não deveria haver duvida nenhuma. Mas como naquele bosque de caras de variados paus vale tudo, formaram-se logo dois partidos em torno dessa nova “configuração” dada à falcatrua de Pasadena que ja antecipa onde vai chegar esta “investigação” das “excelências“.

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Um desses partidos é de linha, digamos assim, mais “lulista“: nega até o fim mesmo aquele tipo de evidência que resplandece ofuscantemente ao sol e fere estes 200 milhões de pares de olhos que a terra ha de comer.

O outro tem uma linha mais “dilmista“: admite eventualmente suas cagadas mas põe a culpa delas nos outros e, o que é muito pior, não limpa a sujeira feita.

Alinham-se ao primeiro grupo Nestor Cerveró e Sergio Gabrielli, entre outros, e ao segundo Dilma Roussef e Graça Foster, atrizes sabidamente faltas de imaginação e capacidade de improvisação que, pelo andar da carruagem vão ficar sozinhas nesse lado do picadeiro pois a nata das “excelências” já se manifestou agradavelmente surpreendida com a versão mais “lulista” que, confessadamente, nem eles próprios tinham, alguma vez, imaginado possível.

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A surpresa com a cara-dura dessa versão foi tanta que até mesmo Andre Vargas, aquele que pretendeu dar-se ares de ideólogo da bandalheira à Zé Dirceu e Genoíno mas logo depois foi flagrado lavando dinheiro em jatos, recolheu o seu pedido de renuncia. É que o seu apurado faro para oportunidades já lhe deu a entender que o processo de descriminalização da roubalheira em curso ha 12 anos está à beira de avançar mais um passo decisivo e resolveu pagar para ver.

A grande incógnita, agora, são os próximos passos do doleiro Alberto Youssef, “amigo de 30 anos” de André, e seu outro comparsa Paulo Roberto Costa tirado de circulação junto com ele.

Não ha sinais, até o momento, de que esteja iminente a prisão dos policiais federais que os prenderam. Mas a ser seguido o precedente aberto com o caso do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mensalão, é provavel que cassem ao menos os seus chefes, obviamente os mandantes do crime, digo, da prisão dos criminosos, colocando no lugar deles outros que se comprometam antecipadamente a ser menos “exagerados” com esse negocio de prender ladrões de dinheiro publico do lado errado, principalmente em ano eleitoral.

Afinal o Brasil é o “país de todos“, isto é, de todos “eles“, a começar pelos que têm sido injustamente presos quando na verdade merecem mais são indenizações por todo o bem que nos têm feito.

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Golpe com anestesia

19 de março de 2014 § 19 Comentários

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Em 11 de julho de 2012 O Estado de S. Paulo publicou a primeira e quase única matéria que saiu na “grande” imprensa brasileira até ontem sobre o verdadeiro assalto praticado contra a “nossa” Petrobras envolvendo uma refinaria obsoleta em Pasadena, Texas, que nos foi empurrada goela abaixo daquela forma risonha e franca habitual entre os que têm a certeza da impunidade.

Naquela ocasião, já lá vão 20 meses, o destaque dado à matéria foi inteiramente desproporcional ao escândalo que ela relatava e que envolvia diretamente ninguém menos que a atual presidente da Republica, Dilma Roussef, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás quando a falcatrua foi aprovada.

Veja bem, o resumo do caso é o seguinte:

Em 2005 a família Frére, da Bélgica, compra a refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. Era uma refinaria pequena que estava desativada e que não tinha condições técnicas de processar o petróleo pesado produzido no Brasil.

 

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Em 2006, ela vende à Petrobras 50% do que comprou por US$ 360 milhões, ou seja, 8,47 vezes mais do que pagou pela refinaria inteira ou 17 vezes mais que o que pagou por 100% de suas ações. O agente direto dessa transação, Alberto Feilhaber, é um desses patriotas que pululam neste governo. Tinha 20 anos de Petrobras em seu currículo mas, àquela altura estava empregado da Astra, a empresa dos tais belgas.

Mas essa primeira mordida não foi bastante. Segundo informa hoje O Estado de S. Paulo com 20 meses de atraso em relação à sua primeira matéria, a Petrobras se comprometeu por contrato a comprar o restante das ações  ao fim de um certo prazo acrescidas de um lucro anual de 6,9%.

Em 2012, ao fim de uma batalha judicial, a Petrobras paga aos felizardos belgas mais 820 milhões e quinhentos mil dólares pelos 50% restantes, perfazendo 1 bilhão e 180 milhões de dólares pelo “mico” inteiro, o equivalente a 277,64 vezes o que eles tinham pago pela empresa, o que obviamente não quer dizer que eles embolsaram sozinhos toda essa multiplicação.

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No meio do caminho, desde 2008 quando entrou em litígio nos EUA contra seus sócios belgas, a Petrobras contrata um escritório de advocacia ligado aos próprios signatários da falcatrua para defende-los naquele país pela bagatela 7 milhões e novecentos mil dólares…

E quem foi o arquiteto de toda essa operação transcorrida em pleno ano eleitoral?

Um certo senhor Nestor Cerveró, nomeado Diretor Internacional da Petrobras, segundo consta por ninguém menos que José Dirceu, o mais VIP entre os hospedes da ala VIP da Prisão Federal da Papuda que ele divide com metade da diretoria do Partido dos Trabalhadores que ainda nos governa, depois que ele já tinha sido apeado da Casa Civil da Presidência da Republica de Lula por causa do Mensalão.

Este senhor Cerveró continua até hoje na Petrobrás como Diretor Financeiro da BR-Distribuidora, imaginem vocês que festa!

As demais figuras de proa envolvidas na operação não estão mais lá.

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Dilma Roussef a presidente do Conselho de Administração que  assinou o negócio proposto pelo preposto de Dirceu, virou presidente da Republica e hoje publica nota oficial no Estado para dizer, candidamente, que “foi mal informada sobre a operação” que aprovou (e certamente continua sendo, posto que o “omisso” mor continua onde estava). Vale a pena ler aqui esta ode à cara-de-pau.

Sérgio Gabrielli, então diretor da Petrobrás, é hoje Secretário de Planejamento do governo da Bahia chefiado por Jacques Wagner, que pretende suceder no governo daquele estado, e que na época também fazia parte do Conselho da Petrobrás e também assinou o esbulho. Andam juntos desde sempre, esses dois.

Outro figurão cuja assinatura consta desse contrato-confissão é o hoje “consultor de empresas” e então ministro da Fazenda e membro do Conselho da Petrobrás, Antônio Palocci.

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Apesar de todos esses elementos já estarem presentes desde a primeira matéria ela saiu, como disse, perdida numa das páginas internas do jornal. Dez dias depois, a 21 de julho, o mesmo jornal publica uma matéria assinada pelos mesmos repórteres que assinavam a primeira para, sem mencionar o caso Pasadena uma única vez, contar ao distinto público que dona Graça Foster, que substituiu Gabrielli na presidência da Petrobrás, estava “passando um pente fino” em todos os contratos da estatal, além de afastar quatro diretores ligados ao ex-presidente, com quem, entretanto, seguia mantendo as melhores relações: “A gente é amigo…A diferença é que você é menino e eu sou menina”. Não é um amor?

Sobre Pasadena, porém, ela nada mais disse nem lhe foi perguntado.

O resto da grande imprensa brasileira, com exceção da Veja, praticamente ignorou o assunto. Seguiu publicando, aqui e ali, os dossiês regulamentares a que figuras nunca nomeadas lhe “dão acesso”, tais como, entre outros, o caso Alstom, velho de 31 anos e envolvendo, entre outras figuras menores do partido, um grande numero de membros já falecidos do PSDB, que nesse meio tempo mereceu dúzias das manchetes que todos negaram ao caso da multiplicação por 277 vezes do preço de um bem que não nos serve para nada numa transação aprovada pela atual presidente da Republica candidata à reeleição em pessoa.

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Nesse meio tempo, ainda, a Petrobras, por essas razões e por outras ainda piores, teve seu valor de mercado reduzido em 43% (desde 2010), algo equivalente a R$ 165 bilhões de prejuízo para seus acionistas ao redor do mundo, os mesmos de cujo dinheiro depende a reforma da infraestrutura brasileira que, nestes 12 anos à frente do destino da Nação, o PT permitiu que se transformasse em sucata depois de dissipar na compra de votos e na contratação de “companheiros” todo o dinheiro que poderia tê-la resgatado e modernizado minimamente.

Na semana passada mesmo ficamos sabendo de outra. Trata-se, agora de suborno diretamente pago por alugadores de plataformas “para o pré-sal” a diretores da empresa também da época em que seu órgão máximo de direção era presidido pela atual presidente da Republica candidata à reeleição. Coisa de US$ 130 milhões até onde conseguiram saber as autoridades holandesas que investigam o caso ha anos.

É mais um fato que não move as chefias de redações brasileiras a qualquer reação proporcional à importância dos personagens envolvidos nesta véspera de uma eleição que tem tudo para ser a última como, por exemplo, mandar “enviados especiais” à Holanda para tirar essa história a limpo, o que seria uma providência nada mais que comezinha.

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Nada!

A imprensa nacional envia seus atentos farejadores para chover no molhado dos conflitos mais minuciosamente cobertos do mundo, como o da Criméia e o da Venezuela, e ha até quem mande “enviados” à caça de “features” frios lá no Vale do Silício, como que para nos confirmar que não é de contenção de despesas que se trata.

Mas ninguém mostra curiosidade em saber nada do que descobriu a polícia holandesa – e a norte-americana e a inglesa também têm o que nos dizer sobre isso – a respeito das falcatruas da diretoria que a atual presidente da Republica instalou na maior empresa do pais, hoje à beira da falência, flagradas e confirmadas com vasta documentação.

Foi – ora vejam! – o PMDB quem denunciou o caso na abertura da sua tradicional temporada de “caça ao filé” de toda véspera de eleição. E a julgar pelas providências tomadas até agora, ele poderia facilmente “furá-los” mais uma vez chegando com seus “investigadores” à Holanda antes de qualquer jornalista. Não será o caso apenas e tão somente porque, pelos mesmos métodos que constam das denuncias investigadas na Holanda, o governo acusado já “tomou o controle” da Comissão Externa montada pela Câmara para este fim, pelo que fica desde já garantido que por essa via não saberemos de mais novidades.

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Sendo este o ambiente geral da Nação onde, desde o advento do PT no poder tornou-se gradativamente consensual que denunciar a corrupção alheia em campanhas eleitorais “é baixaria”, os candidatos da moribunda oposição continuam sem um discurso que possa abalar a recandidatura de dona Dilma de Pasadena.

É por essas e outras que o Brasil encontra-se hoje na inédita situação do país que sofreu um golpe de estado mas ainda não se apercebeu disso.

Distraídos em catar a chuva de trocadinhos que lhes vem sendo ardilosamente atirada sobre as cabeças ao som do foguetório da imprensa contra alvos especialmente criados para desviar-lhes a atenção daquilo que interessa, os brasileiros foram sendo gentilmente despidos de suas calças, tangidos para as janelas escancaradas das suas antigas defesas institucionais e tendo os seus traseiros desnudos convenientemente pendurados dos parapeitos com o “alvo” devidamente engraxado a espera do que der e vier. E desde a posse do STF “de ocasião” que desmanchou as condenações do Mensalão, já não resta rigorosamente nenhuma instituição em pé a que um eventual violentado possa recorrer em sua defesa.

O que está faltando, por enquanto, é apenas o apetite do PT para completar o ato para o qual nos preparou a todos, saciadíssima que está a sua libido que se vem regalando à farta sem que ninguém o incomode nesse bacanal.

Esse apetite voltar-se-á para a grande “refeição” adrede preparada quando, passada a eleição, esgotarem-se os anabolizantes que ainda vêm sendo instilados nas veias da economia real e a verdade que já se pode palpar na Petrobras e na Eletrobrás aflorar inteira às ruas e às prateleiras dos supermercados.

Nesse momento, como aconteceu na Venezuela, como aconteceu na Argentina, aquilo que até hoje foi apoio popular vai se transformar na reação irada à traição em que tudo isto de fato se constitui.

Só então o Brasil vai saber quem, exatamente, é o PT.

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Era normalíssimo o crioulo daquele samba

29 de agosto de 2013 § 4 Comentários

injustiça

Dona Dilma, que mandou avisar aos todo poderosos Estados Unidos da América que não quer que se levante um dedo contra o envenenador de Bagdá, telefonou pressurosa ao “cocaleiro” de La Paz para pedir-lhe desculpas e entregar-lhe na augusta bandeja da justiça a cabeça (de mentirinha) do chanceler da Republica Federativa do Brasil.

Questões de soberania nacional…

Agora veremos se a presidenta que “não tem preconceitos” contra a democracia hereditária cubana mas negou a legitimidade da Justiça do regime notoriamente suspeito vigente na Itália ao abrigar um assassino confesso condenado por ela, mostrará a mesma confiança no senso de justiça de Evo Morales que deposita no da família Castro ao decidir sobre a extradição ou não do desafeto dele que fugiu para o Brasil em razão da visão distorcida do Itamaraty, já devidamente punido, sobre o que é e o que não é justo fazer em matéria de questões humanitárias.

alpino

Não deverá haver erro nesse seu alvitre já que o país inteiro acaba de ter provas da clarividência da senhora presidenta que, num ato de iluminada premonição, encomendou os “médicos” cubanos que, na abundância que o mundo inteiro inveja da ilha dos Castro, não têm mais o que fazer naquele país que vende saúde, pelo menos dois meses antes de “ter a ideia” de criar o seu programa Mais Médicos.

Seja qual for a sua sábia decisão é certo que ela poderá contar com todo o apoio dos guardiões da irreprochavel democracia brasileira no Congresso Nacional que ontem mostraram ter o mesmo discernimento dela ao negar, em nome do princípio sagrado da isonomia, legitimidade também à Justiça brasileira retirando da jaula e depois libertando das algemas um deputado condenado por roubar o povo para angariar votos secretos para a sua própria absolvição.

donadon1

Afinal, esses excelsos membros da base de sustentação do governo dos paladinos da ética na política apenas seguiram o exemplo do partido de sua preclara excelência que, ele também, enfiou de volta Congresso adentro os seus ladrões injustamente condenados pelo Supremo Tribunal Federal que certamente estavam entre os que sufragaram secretamente a contracondenação do seu possível futuro companheiro de cela.

No caso de um improvável revés, aliás, a presidenta, pobre como é, pode contar como certo ao menos com o encômio laudatório do último juiz que infiltrou no STF por todas essas suas meritórias obras, além das do passado remoto, em prol da construção da democracia brasileira.

giga

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