Calma! Dilma ha de fazer a cabeça deles!

26 de setembro de 2014 § 10 Comentários

Dilma e o Estado Islâmico

25 de setembro de 2014 § 36 Comentários

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Pensei em iniciar este artigo lembrando que ao propor, de cima da única tribuna do planeta voltada para toda a humanidade, entre os costumeiros elogios a si mesma e à obra do PT, “o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU” junto aos genocidas decapitadores, estupradores, cruxificadores, chicoteadores e apedrejadores de mulheres do Estado Islâmico que têm horrorizado um Oriente Médio treinado no cotidiano da barbárie, a nossa preclara “presidenta” colocou-se à esquerda da Al-Qaeda que, antes mesmo dos governos dos países atacados pelas bestas-feras que se escondem por tras daquelas máscaras negras, renegou essa seita sanguinária e instou o mundo a varre-la da face da Terra antes que não sobre ninguém até mesmo contra quem praticar-se o bom e velho terrorismo tradicional.

Mas logo lembrei-me de que valores mais altos se alevantam ou no mínimo se sobrepõem a esse posicionamento relativo. Ao proferir impropério desse grau em plena Assembléia Geral da ONU o “poste de Lula” coloca-se abaixo do mais desinformado entre os menos informados dos homens comuns e do mais alienado entre os alienados deste mundo. Coloca-se, portanto, em algum ponto entre a indigência mental e a incapacidade orgânica de processar os dados da realidade, condição que, se fosse finalmente diagnosticada, proporcionar-lhe-ia o bonus de inocentá-la de toda a carga de ignomínia e comprometimento moral embutido na insanidade que ela propôs aos homens que governam o mundo com cara de quem dá aulas a principiantes.

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Como uma coisa puxa a outra lembrei-me, então, de que sua excelência não estava ali em mais um dos seus delirantes improvisos sem edição mas sim lendo um documento cuidadosamente elaborado pela elite da sua equipe de governo que traduz a visão oficial de mundo de seu partido e que, para vergonha nacional, estava sendo apresentada ao concerto das nações como a posição oficial de todos os brasileiros a respeito da carnificina que vem horrizando até os terroristas da velha guarda.

Consolei-me, então, com as provas que o mundo tem dado de que já entendeu a diferença entre o PT e o Brasil, de que nos dá testemunho o presente estouro da boiada dos investidores internacionais para fora de nossas fronteiras, esta que assume ritmo frenético cada vez que Dilma Rousseff e seu fiel escudeiro Guido Mântega, na sua incoercível arrogância, concebe uma nova intervenção para conter os efeitos da última intervenção.

Para que essa fuga em massa se tornasse possível hoje foi preciso que tivesse havido o movimento inverso antes, que se deu quando a aposta ainda podia ser feita no Brasil e nos brasileiros por cima dos quais Dilma e o PT parecem decididos a passar a galope, convencidos que estão de que é seu destino manifesto substituir-se a nós todos e às nossas história e tradições não só no concerto das nações como na obra de construção nacional.

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O lado positivo deste episódio é que, estando ele fora das injunções da eleição, pode-se dizer que constitui-se numa rara manifestação autêntica e espontânea da verdadeira anima petista que, quanto mais se aproxima o 5 de Outurbo, mais se emburaca no mar de mentiras com que eles nos vêm intrujando.

Vai-se destacando como síntese perfeita do que esse partido se tornou o prefeito da maior e mais carregada de problemas concretos  entre as metrópoles brasileiras, Fernando Haddad, que deixou de lado as pranchetas e as obras públicas e adotou um pincel e uma lata de tinta como seus únicos instrumentos de “realizações” com os quais vai esterilizando, rua após rua, as fontes de geração de riqueza e criação de empregos da maior cidade do pais criando barreiras intransponíveis entre comerciantes e consumidores em troca da “demagogia ciclística” que a imprensa resolveu comprar, do esquartejamento de vias públicas sufocadas por automóveis e combustíveis eleitoreiramente subsidiados e da distribuição “socialmente determinada” de privilégios no que resta de mobilidade numa metrópole atravancada à fatia mais gorda do eleitorado.

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O PT, enfim, assumiu-se como fraude.

O que apresenta como obra sua e como provas de seu desempenho tem tanto valor quanto as faixas coloridas que o sr. Haddad esparge por aí a título de prestação de contas pelo uso e pelo abuso do maior orçamento da Republica depois do da União.

As contas públicas nacionais são uma mentira, a taxa de inflação é uma mentira, os números do desemperego são mentiras, a “crise internacional” só de Dilma é uma mentira, o programa de “remissão da miséria” do PT com os 85 milhões de cheques distribuidos de mão em mão todo mês é uma mentira, os preços represados da energia, bombas de neutrons contra o nosso amanhã, são mentiras.

O alegado amor de Dilma à democracia é mentira. O compromisso com a liberdade de imprensa de quem censura até o IBGE é mentira. Suas acusações contra os demais candidatos são mentiras. A “luta sem tréguas do PT contra a corrupção”, é a mãe de todas as mentiras.

Até os “eleitores” das campanhas dos ministros candidatos do PT são mentiras.

aaO próprio PT e sua candidata à reeleição são mentiras, enfim.

Mas a espontânea manifestação de apreço da “diplomacia” peto-marcoaureliana pelos genocidas do Estado Islâmico é genuina e verdadeira. É, no mínimo, aquilo que no jargão do tênis seria chamado de “erro não forçado”.

Mesmo assim, enquanto as carótidas são cortadas a faca pelo Oriente Médio afora e as hordas de mães e crianças em estado de choque se espremem em pânico nas fronteiras do “califado islâmico” para escapar à única forma de “diálogo” praticada pelos amigos de dona Dilma, Aécio Neves segue, inabalável na sua fleugma, dedicando todos os escassos minutos de que dispõe na televisão a prometer vagos “choques de gestão”, programas de “recuperação da malha ferroviária” ou esquemas de “poupança estundantil” e Marina Silva vai em frente especulando vagamente sobre sustentabilidade.

Que mentira é maior que a de coonestar tanta mentira, calando-se quando confrontados com elas?

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Lições universais da presidente Dilma – 1

26 de setembro de 2012 § 1 comentário

Duas matérias publicadas hoje – Tiro ao Pé, do ex- diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (fernandohenriqueano), Alexandre Schwartzman, na Folha (aqui),  e Quantitative Easing, de Philip Cogan na didática seção de vídeos The Economist Explain (aqui) – oferecem em termos bastante mastigáveis as informações básicas que o ministro Mantega e a presidente Dilma têm a obrigação de conhecer e que a poderiam ter poupado do papel, pouco edificante para a imagem do Brasil, a que ela se prestou ontem nas Nações Unidas, de dizer bobagens ao mundo em tom professoral.

Os dois conjuntos de informação vêm a calhar, também, para mostrar a má fé das tentativas do grande artífice da hiperinflação brasileira, Antônio Delfin Netto, de por em pé de igualdade a gestão das finanças publicas orquestrada pelo PT e as ações anticíclicas de governos mais sérios e seus bancos centrais ao redor do mundo que critiquei no artigo de ontem.

É claro que é preciso considerar que quando se atira a esses destampatórios a presidente Dilma tem em mente muito mais o eleitor brasileiro que vai vê-la por o dedo na cara dos poderosos do mundo em um ou dois takes de alguns segundos no Jornal Nacional do que ser levada à sério por Barak Obama e cia. ltda.

Mas eu acredito na honestidade fundamental da presidente Dilma, o que não me tranquiliza nada. Ao contrário. A fé com que ela e seu ministro dão lições ao mundo é tal que, consideradas todas as provas disponíveis da pouca familiaridade destes, até ontem, “utopistas profissionais”, com as sutilezas e realidades das altas finanças do mundo real, sugere que pode bem dar-se o caso, bem mais grave, de eles realmente acreditarem no que estão dizendo.

Enfim, conjecturas…

Vamos aos fatos explicados nas matérias citadas para que você possa julgar por si mesmo.

O editor do Economist explica que os principais agentes da expansão monetária nas economias modernas são os bancos privados através da expansão da oferta de crédito que acaba virando dinheiro novo em circulação e que como, em função dos abusos e desvios que se tornaram conhecidos e explicam a presente crise, esses agentes passaram a destruir moeda em quantidades ciclópicas em vez de aumentar a quantidade dela em circulação.

É isto, exatamente, que tem mantido o mundo à beira do abismo.

Os governos dos Estados Unidos e da União Europeia não estão propriamente fabricando moeda e aumentando a sua disponibilidade no mercado, portanto, estão tentando repor em circulação uma parte da moeda que circulava e hoje não circula mais porque cai no buraco sem fundo do rombo dos bancos privados que antes garantiam a oferta desse insumo sem o qual a economia do mundo para de tranco.

Uma coisa anula a outra e não ocorre, propriamente, um aumento líquido da oferta de dinheiro em circulação nem o efeito inflacionário líquido, certo e imediato que Dilma e Mantega lhe atribuem.

Apenas mantem-se a roda girando.

Alexandre Schwartzman é bem mais específico.

Ele lembra que, ao contrário do que Dilma afirma, a economia americana depende muito pouco do comércio internacional. Em 2011, as exportações representaram 13% do PIB enquanto as importações pesavam 16%, valores bem próximos aos observados no Brasil (12% e 13% do PIB, respectivamente).

La, como aqui, o principal motor de expansão da demanda é o mercado interno (…) que representa mais de 70% do PIB.

(…) entre 2009 (o fundo do poço) e 2011 o PIB americano cresceu algo como US$ 540 bilhões. O consumo das famílias representou 3/4 desse crescimento.

O investimento não residencial também contribuiu, adicionando cerca de US$ 120 bilhões ao PIB.

A ausência notável é o investimento residencial, no qual o estouro da bolha imobiliária produziu maior estrago: queda de US$ 17 bilhões, em contraste com uma expansão média de US$ 32 bilhões por ano no período pré-crise.

À luz desses números, analistas mais bem informados (ou que, ao menos, estejam dispostos a buscar as informações) concluiriam que o objetivo dessa nova rodada de expansão monetária (a 3ra nos EUA) deveria ser precisamente reativar o investimento residencial.

Não por acaso, aliás, no anúncio do QE3 o Fed (Federal Reserve) deixou claro que a expansão monetária adicional (US$ 40 bilhões por mês) será integralmente destinada à compra de títulos lastreados em hipotecas, de modo a reduzir as taxas de juros desses empréstimos e assim estimular as compras de imóveis.

(…) o Fed condicionou a continuidade (desta rodada de quantitative easing) à queda mais expressiva do desemprego. Enquanto este, hoje na casa de 8%, não se reduzir a níveis compatíveis com a estabilidade de preços (em torno de 5% a 5,5%), a expansão não cessará.

Por todos os ângulos que se observe, trata-se de política voltada primordialmente para o mercado interno.

(…) (portanto) o QE3, se exitoso, irá beneficiar o Brasil mais do que a presumida desvalorização do dólar poderia prejudicá-lo. A despeito da flutuação do dólar, importações americanas seguem de perto a demanda interna, que se encontrava no ano passado algo como 14% abaixo do valor que teria prevalecido sobre a tendência pré-crise.

A recuperação do mercado interno poderia acrescentar, portanto, cerca de US$ 2,5 bilhões por ano às exportações brasileiras para os EUA, que em 2011 foram de US$ 25 bilhões.

Nesse aspecto, a reclamação sobre a política expansionista dos BCs mundiais merece medalha de ouro na categoria ‘tiro ao próprio pé’“.

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