Como reduzir um país à miséria

5 de janeiro de 2017 § 49 Comentários


Você pensou em corrupção?

Nada disso.

O depoimento que lhes ofereço fala das condições que nossos insignes “representantes” e legisladores criam para que a corrupção se instale neste país em que o primeiro e inegociável objetivo das leis é serem tais e tantas que não possam ser cumpridas nunca de modo a deixar todo mundo SEMPRE exposto ao fiscal que, como nos tempos de d. João VI onde essa industria começou, ganham porcentagens do que conseguirem te arrancar para os cofres de sua majestade.

Vem aí o Estado Brasileiro nº 2?

5 de agosto de 2014 § 3 Comentários

g1

É manchete do Globo de hoje: incapaz de aplicar um “choque de gestão” na Infraero, a estatal que controla todos os aeroportos do país e está absolutamente roída pelos “diretos adquiridos” dos seus funcionários, o governo do PT está prestes a criar a Infraero 2, uma empresa com as mesmas funções da outra, só que livre do seu passivo trabalhista de 213,5 milhões que fica só para nós na empresa original.

A pressa no lançamento da Infraero 2 deve-se ao fato de o governo estar prestes a entregar aos seus novos operadores os aeroportos do Galeão e de Confins, o que reduzirá os proventos da Infraero 1.

Como de gestão o PT não entende nada parece que ele está embarcando na empreitada dois sócios estrangeiros – a alemã Fraport e a espanhola Aena – na esperanca de prove-la. Eu duvido. Como já tenho dito tantas vezes aqui, acredito cada vez mais que civilização é pouco mais que a presença da polícia e como nós continuaremos não tendo polícia – sobretudo uma polícia mandatada para prender “eles” também – o estrangeiro que a “eles” se associar estará, em dois tempos, “no Brasil, como os brasileiros”…

g3

Aliás não é nem de entender ou não entender de gestão que se trata. É da apropriação de todo o aparato do Estado brasileiro pelos seus supostos “servidores” que não é obra exclusiva do PT mas que se agravou substancialmente depois que ele chegou ao poder.

Como vivemos regidos pela cláusula férrea, ígnea e diamantada do “direito adquirido”, aquele que diz que quem colocou, um dia, um pé dentro do Estado, não o tira mais de lá de dentro nem morto, o que está acontecendo com a Infraero 1 é idêntico ao que acontece com todos os outros órgãos públicos brasileiros: os funcionários vão enfiando mais e mais pezinhos lá dentro até que não sobre nada para pagar a prestação dos serviços nem os investimentos necessários ao crescimento do resto da economia a cargo desses órgãos.

É isso que acontece com a educação, com a saúde, com a segurança e com a infraestrutura públicas no nosso país como um todo.

g3

Com essa novidade da entrega “de jure” do “Órgão 1” para os funcionários que já são mesmo seus donos “de facto” e a crição de um “Órgão 2” para ao menos dividir com o público o dinheiro dos nossos impostos investido nele, parece estar-se inaugurando uma nova fase da história do serviço público e das relações entre Estado e sociedade no Brasil que é difícil saber se devemos comemorar ou lamentar.

Seria aquele em que teremos de escolher entre aceitar a perda do Estado que já esta mesmo perdido e criar outro paralelo que nos conceda ao menos um pedaço dos seus recursos traduzidos em serviços, ou continuar sonhando que, um dia, pelo menos aqueles “direitos adquiridos” mais acintosos que nos deixam no mato sem cachorro, rodarão num “choque de gestão” capaz de remover 500 anos de entulho legislativo e judiciário acumulado, pedrinha por pedrinha, sempre a favor do mesmo “lado”. E ainda rezar para o Bom Jesus dos Inocentes para demorar mais para acontecer com o “Estado 2” o que já aconteceu com o “Estado 1

g3

A segunda manchete do mesmo O Globo pode ajudá-lo a pensar esse dilema. Ela informa que os gastos do governo federal sobem continuamente desde 1997, data em que pesavam 14% do PIB e a arrecadação da União andava nos 18,1% do PIB, e hoje já chegaram a 18,8% do PIB enquanto a arrecadação (só da União) passou a pesar 25,3% do PIB, aí incluído todo o enorme crescimento do PIB ocorrido nesse intervalo.

Mesmo assim, desse novo total, 72,5% já são queimados nas despesas com “aposentadorias, transferências sociais, seguro-desemprego e abono salarial”.

Quanto aos benefícios colhidos pela população em função da apropriação dessas fatias adicionais do PIB por “eles”, nem é preciso falar: você os conhece melhor que ninguém.

g3

“Nuts”

14 de março de 2014 § 3 Comentários

a9

Historinha que me foi relatada esta manhã:

Uma empresa paulista de manutenção de helicópteros, aquele tipo de equipamento caríssimo quando se fala dos mais baratos, fez, recentemente, uma importação de “material aeronáutico“.

Nada de mais: peças de reposição e outras miuçalhas mas requerendo consultas e mais consultas a leis, decretos e regulamentações emitidas pelos tantos órgãos de praxe; os estaduais, os federais, os fazendários, os da Aeronáutica…

O de sempre.

Ao fim e ao cabo a carga começa a ser enviada para o Brasil em diversas partidas.

Uma delas, que chegou sozinha, calhou de ser um único caixote contendo um lote de porcas, sem os correspondentes parafusos.

a14

Num vasto depósito de padrão estatal de conservação juncado de volumes empilhados, a documentação chegou, finalmente, às mãos do conferente da alfândega na mesa lá do fundo.

Descolar a bunda da cadeira e arrastar uns 20 ou 30 passos pra ir dar uma olhada na coisa mesmo? Otoridade não…

E o que dizia a papelada em várias vias e mais tantos campos numerados, no item “descrição da carga“?

Nuts“.

???

Ô Zeca, chega aqui um minutinho: o que quié nuts?“.

Nuts são porcas, Macedo“.

Porcas? Então é pra Vigilância Agropecuária, dona Aurélia“. E “crau” no carimbo e tchau que o expediente acabou e ninguém é de ferro…

a7

Começa o calvário!

A empresa parada, as contas correndo e … o mistério, o sumiço…

E toca o DDI: “Saiu daí?”, “Tracking?”, “Chegou?”, “Não chegou?”…

E toca bater perna, liga daqui, transfere de lá; o “servidor” que sem levantar os olhos te remete ao próximo funcionário, de requerimento em requerimento; de formulário em formulário; o engolir em seco, o pedir a deus que te dê paciência.

Até que uma hora o absurdo fica encurralado num canto:

Mas na Vigilância Agrpecuária, meu deus do céu!! Mas como é que pode?

Pois pode. E tem mais; a mercadoria está apreendida!

Reergue a tua cruz, brasileiro! E toca chamar o advogado, e pra lá, e pra cá … e lá se foram dois meses.

Liberado!

E engula lá essa impaciência porque desacato à autoridade – tá vendo a placa aí atras, seu arrogante! – dá dois anos de prisão“.

Pra frente, Brasil! Que país rico é país sem pobreza!

………………a000a0

Conversas de surdos

3 de outubro de 2013 § 2 Comentários

cego5

Na cobertura dos jornais e TVs brasileiros o interessantíssimo e educativo episódio da “paralização do governo norte-americano” pelo impasse criado no Congresso em torno da aprovação do orçamento fica reduzido – como de resto tudo o mais fica reduzido nas coberturas dos jornais e das TVs brasileiras – à dimensão da briga entre esquerda e direita norte-americanas que a coisa tem para os jornalistas norte-americanos.

Tem os democratas a favor de programas de saúde subsidiados pelo governo (isto é, pelos contribuintes) e tem os republicanos, contra a abertura desse precedente que, agora, recusam-se a aprovar o orçamento que não mostra de onde sairão os recursos para bancar essa operação.

Entretanto, independentemente de para que lado você torce nesse jogo de empurra – se é que você torce para algum – não seria mais jornalístico para um repórter brasileiro curioso, arregalar o olho para essa diferença que diz tudo a respeito do nosso lugar relativo no campeonato das democracias, especialmente no momento em que este é o fulcro do debate nacional que levou multidões às ruas em junho passado?

cego2

Porque a coisa realmente notável é a seguinte: lá é o governo que fica parado à espera da autorização do povo para que comece a andar numa direção por ele determinada e na velocidade por ele determinada (velocidade = $$), seja qual for a implicação que isso tenha para os funcionários e os serviços públicos, enquanto aqui é o povo e a produção que ficam parados no congestionamento, na fila do porto, na fila do aeroporto, na estrada esburacada para que o governo possa passar com seus 40 ministérios, os empregos para os milhões de amigos , os super-salários auto-outorgados, a roubalheira desenfreada e os professores que se fodam.

Não dá pauta mais interessante do que ir ouvir o que a esquerda de lá tem a dizer sobre a direita de lá e tecer comentários sobre qual dos dois é mais bonzinho, ir procurar saber com que diabo de dispositivos conta o povo americano para ter esse privilégio de conseguir impor à sua corja de “governantes” esse nível de disciplina? Como conseguiram a força que se requer para tornar tão sagrada e inviolável a porta de entrada do seu bolso que o presidente da nação mais poderosa do mundo, mais o Congresso Nacional e o resto do Estado inteiro não conseguem ciscar nele sem autorização expressa nem sob o pretexto de não deixar o país parar?

cego4

Uma investigação jornalística, uma boa série de reportagens buscando responder a essas perguntas não ajudaria a dar ao país aquilo que as manifestações de junho mostraram que está faltando tão agudamente: um caminho para a democracia? Ou esse é um pormenor irrelevante que realmente não interessa a ninguém?

Outra notícia de hoje que me fez pensar na mesma direção foi essa que a Globonews deu de manhã mostrando vigias e outros funcionários nacionais das embaixadas estrangeiras de Brasília acampados nas portas delas – as do Japão e da Arábia Saudita foram citadas nominalmente – para exigir que elas cumpram a legislação trabalhista brasileira e paguem aquilo tudo que os empregadores brasileiros têm de pagar ao Estado a pretexto de sustentar a futura aposentadoria desse pessoal.

Nem discuto que “em Roma como os romanos”…

Mas é que um dos lesados pelos estrangeiros se perguntava indignado diante das câmeras da Globo: “Será que no 1º Mundo eles fariam essa palhaçada ou é só aqui no Brasil mesmo”?

cego3

Aí me ocorreu que fora de Cuba, onde até médico trabalhando no estrangeiro tem o salário pago à família Castro que só devolve a quem fez jus a ele com o suor do próprio rosto uma pequena parcela do que recebeu, só o Brasil cobra mais da metade do que o trabalhador recebe pelo serviço prestado (os encargos sobre os salários são de 102%) e devolve a ele, ao fim de 60 anos, essa aposentadoria de fome que se paga por aqui, sendo o resto desviado para a aposentadoria dos donos do Estado que, esta sim, é de nababo.

No resto do mundo – a começar, é claro, pelo 1º – quem trabalhou é que recebe 100% do que foi pago pelo serviço feito e investe como quer aquela outra metade e mais um pouco que aqui o governo embolsa do jeito que achar melhor para garantir a sua velhice.

Brasileiro não sabe. Nem mesmo os jornalistas. Acham que é normal enfiarem-lhes tudo que lhes é enfiado pela retaguarda. Reivindicam como um direito sagrado serem espoliados desse tanto.

É de dar pena!

Por isso é que eles são 1º Mundo e nós…

cego1

O destino dos cagados de regras

25 de setembro de 2013 § 1 comentário

pre18

Não vale a pena perder tempo com o mérito da questão posto que não é essa “espionagem” que todo mundo pratica, a começar pela Dilma e o PT, que está em causa. Ela é só o pretexto que o “lobo” alega para fazer do “cordeiro” aquilo que ele sempre pretendeu fazer, corra a água na direção que correr.

Mas é sintomático como passa batido por todo o varejado “filtro crítico” da Nação que deveria ser a imprensa e outras plataformas de expressão da opinião pública ideias estapafúrdias como essa de “regulamentar a espionagem” que a nossa presidenta, com a maior cara de séria – e, pior, talvez pensando realmente a sério nessa possibilidade! – foi exigir da comunidade internacional na ONU.

Vergonha deixa pra lá que ha coisa muito mais séria em jogo.

pre6

A regulação do irregulável é o fulcro da corrupção crônica que nos rói. A incerteza ampla, geral e irrestrita sobre o que é ou não é permitido fazer e a interpretação variável em 180 graus que pode ser dada a qualquer lei que se dispõe a definir que algo seja como não pode ser ou obrigue as pessoas a algo que, na prática, lhes ameace a própria sobrevivência é o moto contínuo que recheia o bolso dos parasitas que nos têm feito anêmicos ha 513 anos.

Já a passividade com que contamos com isso tão certo e pacificamente como que o sol nascerá amanhã é a medida exata da distância que ainda nos separa da porta de saída da barbárie.

Esse é um problema tão antigo quanto a própria democracia representativa. Ela nasceu lá nos estertores da Idade Média, época em que a humanidade não era, nem vigiada, nem regulamentada – ainda que fosse, aqui e ali, violentada mas apenas até onde alcançasse o braço que brandia a espada. Todo mundo ainda se lembrava por testemunho próprio do que fosse a verdadeira liberdade. Assim, quando começaram a tolhe-la o povo logo entendeu que era aí que morava o perigo.

pre14

Mal tinha o Parlamento inglês enquadrado sua majestade, em 1605, e logo os novos legisladores começaram a tentar regular a vida alheia com mais volúpia ainda que a que mostrava o tirano derrubado. E tanto e de tal modo que as primeiras construções coletivas para se proteger da nova encarnação do Leviatã foram arquitetadas para deter essa fome dos novos cagadores de regras.

O Brasil teria muito a aprender examinando os expedientes inventados por aquela gente com essa finalidade nos idos do século 17 e os meios e modos a que recorriam os legisladores para dar-lhes a volta e continuar a cercá-los até que, finalmente, o povo conseguiu o alívio procurado limitando as seções do Parlamento a umas poucas por mês e reservando às de apenas dois meses do ano aquelas em que leis poderiam ser aprovadas.

pre15

Enfim, nas latitudes mais altas do lado de cima do Equador o Estado e as sociedades nasceram juntos e estas trataram, desde pequenino, de torcer o pepino e educar a fera.

Mas do lado de baixo não houve exceções. As filiais do Estado Absolutista foram plantadas antes e as sociedades vieram vindo depois, aos poucos, constituídas exatamente dos fugitivos e degredados das matrizes. Gente, enfim, que veio ou foi mandada para cá fugindo do, ou sendo expelida pelo, ente regulador.

Nossa sociedade, portanto, já nasceu ensinada pela dura realidade que o Estado (absolutista como era o deles e não democrático como o inglês) é inconversável e inconsertável e tudo que se pode fazer em relação a ele é driblá-lo: “ouvi-lo” para não ser massacrado, e desobedecê-lo para não ser moído.

pre3

Pouco mudou desde então.

Manter-se à margem e na contramão do Estado sempre foi, entre nós, uma condição essencial de sobrevivência. Funcionou por alguns séculos para todos quantos conseguiram fazê-lo sem “serem pegos”, façanha que sempre dependeu de conseguir compor-se com o inimigo a um preço suportável.

Os regulamentos continuaram sendo derramados na costumeira torrente de verborragia indecifrável mas ninguém ligava muito pra isso porque os dois lados estavam de acordo que as regulamentações do irregulamentável, assim como a vasta tonelagem de impostos e impostos sobre impostos, não eram feitas para serem seguidas nem cobrados todos, mas sim para render um troco, aqui e ali, para o fiscal e para permitir que os amigos do rei tivessem sua carga aliviada e, assim, o mais esperto e bem relacionado pudesse sempre se sobrepor ao mais competente e mais empenhado, em conformidade com os cânones latino-católicos de “justiça social“.

pre5

No meio do caminho, porém, os lá de cima inventaram o computador e a vida migrou para o mundo virtual. Nela tudo fica registrado e todo caminho é traçável, sejam quais forem as voltas que se dê. E a máquina, que não descansa quatro dias por semana como o resto do funcionalismo que precisa de tempo para gastar o que nos arranca, é capaz de buscar toda e qualquer violação dos regulamentos; todo e qualquer imposto contornado. E isso tornou impenetrável a nossa antes complacente selva burocrática e insuportáveis os impostos todos e mais os impostos sobre os impostos dos impostos.

E eis-nos de volta à periferia do mundo!

Ou aceitamos que assim é, recolhemos o baralho inteiro e começamos o jogo de novo, ou não haverá vencedores nele, mesmo porque a outra novidade introduzida pelo computador é que agora o jogo não se dá mais só entre os mais e os menos amigos do nosso bondoso rei, mas entre nós todos somados e aquele pessoal lá de fora que, desde o começo, tratou de acostumar as suas feras ao relho e à rédea curta.

caga0

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com custo Brasil em VESPEIRO.

%d blogueiros gostam disto: