“Fecharam todos os shoppings do Brasil”

7 de março de 2016 § 12 Comentários

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Flavio Rocha, dono da Riachuelo, deu um numero de arrepiar em entrevista a uma das meninas da Globonews, semana passada.

Em 2015 fecharam 100 mil lojas pelo Brasil afora. É como se tivessem fechado todos os shopping centers do Brasil. Somados, eles abrigam isso: 100 mil lojas“.

Sobra em pé só o grande comércio mais estruturado. Quer dizer, é uma obra monumental de concentração da renda, essa do PT. Os funcionários de 100 mil lojas ficaram simplesmente a zero, sem saber se vão ter o que por na mesa dos filhos amanhã; cem mil pequenos e médios empreendedores que, sabe-se lá a custa de que epopéias tinham conseguido emergir do brejo e montar seu negociozinho, foram expulsos do mercado. As lojas gigantes engoliram o que sobrou do massacre.

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O resultado é o que se observa nas caóticas megalópoles brasileiras: nos bairros ricos os milionários que sobram, cada vez mais ricos, compram as casas dos vizinhos e aumentam os seus muros. Lá fora, a pátria do Aedes aegypti; perifavelas de bloco sem urbanização nem saneamento crescendo em metástese. Menos gente rica, cada vez mais rica, cercada de miséria por todos os lados. No meio, nada.

Se dermos mais tempo pra isso, acabamos como na Idade Média. Vão sobrar quatro ou cinco castelos cheios de salões dourados por traz de muralhas intransponíveis, cercados por um favelão gigante onde, saiu na rua, se ficar vivo volta pra casa nu, rapado e rapelado.

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O fator imprensa

26 de setembro de 2015 § 68 Comentários

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Artigo para o Estado de S. Paulo de 26/9/2015

O aspecto mais alarmante da crise brasileira é a persistência do descolamento entre os efeitos e as causas que os produzem no relato que o país faz do seu próprio drama. É esse o principal fator que autoriza a insistência no errado que, de degrau em degrau, nos foi levando às profundezas que alcançamos.

O exemplo da Petrobras é veemente. Com tudo que aconteceu ninguém sequer menciona a hipótese da privatização, fenomeno que os historiadores do futuro provavelmente descreverão com a mesma pena com que os de hoje descrevem a Revolta da Vacina. No auge da fúria da epidemia, o país continua recusando aquilo que a humanidade inteira sabe ser a única cura possível para a corrupção sistêmica.

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No 126º ano da Republica, 30º da “redemocratização”, com o país estertorando na overdose dos abusos deles, ninguém exige coisa tão elementar quanto o fim dos privilégios medievais dos donos do Estado e leis iguais para todos. Diante da “zebra” de um juiz disposto a aplicar sem desvios as que existem, o establishment permite-se reagir institucionalizando as prisões de luxo para políticos e funcionários ladrões porque aqui fora ninguém desafia sequer a idéia da “irredutibilidade” desses privilégios. É ponto pacífico que a discussão começa desse postulado para tras.

A incolumidade da presidente desse desastre faz parte desse quadro de hipnose coletiva. Dilma só continua aí depois de assinar as ordens para todas as falcatruas em investigação porque é do PT e não pelas “razões técnicas” alegadas neste país onde toda lei é flexível o bastante para virar o avesso de si mesma. Não duraria 24 horas se estivesse posicionada entre esse partido genética e estatutariamente golpista e o poder. Já vimos esse filme antes…

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Sendo a crise o tamanho do Estado e o tamanho do Estado o tamanho do PT é ilusão de noiva pensar que o partido a quem só o poder interessa e, desde o “petrolão”, só a permanência no poder pode salvar, tome espontaneamente a iniciativa de arrumar o país pela redução de si mesmo. É essa certeza negativa que chamam por aí de “crise de confiança”. Ninguém duvida, aqui ou lá fora, que entre o Brasil e o PT, o seu emprego e os deles, a salvação da economia nacional e a própria, o PT escolha o PT. A ordem de Lula ao Foro de São Paulo é inequívoca: “não admitir nenhum retrocesso em relação às posições conquistadas (à democracia) com as armas da democracia”. Enquanto grita “Golpe!” seguirá desmontando “as armas da democracia” para impedir que outros venham a usá-las contra ele. E nenhuma escapou ao desmanche. As raras manifestações de independência dentro dos “poderes independentes” são hoje pontuais, isoladas e pronta e energicamente punidas.

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Esse “corte de ministérios” não passará de um corte de nomes de ministérios com os funcionários e seus privilégios permanecendo todos nas nossas costas. O objetivo exclusivo do PT e seu banqueiro amestrado moralmente “pequenininho” é enfiar-nos a CPMF que ninguém mais que ele sabe quanto é tóxica, para dar ao partido mais tempo para insistir no errado até que o erro se torne irreversível. Comprar a licença para nos esfolar legalmente entregando mais ministérios aos que nos têm esfolado ilegalmente é a prova da má fé dessa manobra.

Não ha mais tempo para ilusões. É preciso banir os eufemismos. A alternativa para reformas profundas é afundar lentamente na miséria profunda, agora a partir do patamar de uma indústria reduzida a 9% do PIB. O país inteiro sabe disso e a massa crítica de opinião necessária para reverter a catástrofe está presente, medida e até sobrando, mas não encontra canal para se expressar ou organizar.

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Cada vez mais distantes do eleitorado os partidos vivem de vender passes para dentro do aparelho do Estado. Pouquíssima gente, aliás, está acima desse tipo de conflito em Brasilia. Lá, descartados o lúmpen e alguma coisa do setor de serviços, quem não trabalha na imprensa trabalha no Estado, “especialistas” e cientistas políticos incluídos. Toda família, direta ou indiretamente, abriga alvos potenciais de uma reforma para valer. É nesse conflito que se apoia, também, a falta de curiosidade da maioria dos correspondentes sediados nas sociedades emancipadas pela democracia real pelas ferramentas institucionais de matar privilégios muito práticas, eficientes e fáceis de copiar com que elas contam. Mostra-se desses países só o que comportam de esdrúxulo ou terrível.

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Conflitos de interesse, aparelhamento, vícios culturais, escassez de recursos e omissão de gestores alheios ao “core” institucional em que sempre se apoiou o negócio do jornalismo combinam-se para deslocar o peso do Quarto Poder para mais perto dos outros tres o que agrava a orfandade da sociedade civil e pode ser decisivo num momento de crise como a que atravessa a democracia brasileira. Continuar servindo o prato requentado de uma infindável discussão entre iguais só contribui para esvaziar a pressão por mudanças reais. O que temos pela frente é uma escolha que pode ser a última. A hipótese de alteração de rota só se tornará real quando os fatos prevalecerem, nessa cobertura, sobre o “achismo” e o “contra-achismo” que se anulam mutuamente em que o país anda perdido.

Desde domingo, O Globo vem apresentando reportagens com fatos e numeros do Estado obeso e seus colonizadores que dão a medida exata do que estamos trocando pelo que quando sacrificamos o Brasil que sua para manter intacto o que só engorda. A representação do Brasil em Brasília ainda precisa se eleger e tem dado sinais de estar pronta a navegar a favor do vento se for essa a condição da sua sobrevivência. Se a imprensa nacional, começando pela das TVs abertas, se concentrar na exposição desses fatos e numeros que gritam por sí, ao lado da exibição dos remédios que o mundo conhece ha mais de 100 anos para emagrecê-los, no horário em que atingem a massa dos brasileiros, os políticos terão o empurrão que falta para, finalmente, deixarem-se constranger à emocionante experiência de jogar a favor do Brasil.

Voto distrital com “recall” já!

21 de março de 2015 § 54 Comentários

d1Artigo para O Estado de S. Paulo de 21/3/2015

O vazamento de documento sigiloso analisando a crise e criticando o governo, incidentalmente seguido da conflagração quase física de vendedores de governabilidade de maior e de menor sucesso dentro da sua “base de sustentação”, não traduz qualquer tipo de choque de idéias ou ensaio de mudança de rumo. Como Eugenio Bucci resumiu com perfeição em artigo nesta página quinta-feira, o que se afirma no documento é apenas que “o governo teria errado porque não lançou mão das ferramentas certas nas doses cavalares certas para convencer a cidadania errada de que ele, governo, é que está certo“. Ou seja, sobre o projeto de país do PT ser inteiro uma mentira o PT inteiro está de acordo. O que se discute é só a qualidade da mentira que se deve vender, e com que intensidade, para que não se perca o projeto de PT a serviço do qual o partido pôs o país.

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Difícil é imaginar como “melhorar”, nesse sentido, o discurso de Dilma Rousseff. Na sequência das maiores manifestações que o país já viu, com as televisões alternando suas palavras com as provas “estarrecedoras” do Ministério Público de que a roubalheira continuou pela mão do preposto de José Dirceu, o único prisioneiro da “Fase 9” libertado pelo ministro Teori Zavaski, do STF, a presidente pontificava impávida que “a corrupção passou a ser combatida pela primeira vez na história deste país graças ao PT”; que este governo, graças ao qual agora temos a garantia de que José Antônio Dias Toffoli dará aos “petrolões” o que eles merecem, “não interfere no caminho da justiça”; que as “manifestações” da sexta-feira, 13, foram tão autênticas quanto as de domingo, 15 de março; que este ajuste imposto “pelos erros dos outros” está sendo justissimamente distribuído entre todos os brasileiros pelo governo dos 39 ministérios intactos e sua Brasília que nada produz mas é campeã nacional de renda; que o partido do “controle da mídia” cujo chefe máximo, quando sai da moita, é para convocar “os exércitos do Stédile” a “dar porrada” em quem for contra, “respeita acima de tudo o direito de dissentir”; que os soldados da “ditadura do proletariado” do passado, que dão cobertura aos nicolás maduros do presente arriscaram suas vidas “para defender a democracia”…

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É esta a essência desta crise. A mentira, que no limite terá de se impor pela força, envenena de tal forma o ambiente que coloca tudo sob suspeição, paraliza a economia e congela até as verdades prementes da urgência de agir e do imperativo de mudar a regra do jogo sem a satisfação das quais não ha saída. Considerando-se que seus efeitos sociais mal começaram a chegar às ruas e que temos quatro anos pela frente, é uma situação perigosíssima.

Sim, é verdade que as redes sociais tornam mais difícil a manipulação da opinião pública e que vastos segmentos da sociedade aos quais vinha sendo imposta ha anos uma sistemática “não existência” por uma mídia enviesada conseguiram, finalmente, furar o cerco, auto-organizar-se e fazer-se ouvir nas ruas.

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Mas é só isso que as redes sociais proporcionam. Nada garante que a “primavera brasileira” será diferente das outras.

Finda a embriagues dessa “libertação”, o país mergulha de volta na aridez do seu isolamento, da sua viciosa auto-referência, da sua indigência de know how em matéria de tecnologia institucional.

Ha um pesado passivo a ser removido. Desde a redemocratização nossas escolas e redações, com as exceções que confirmam a regra, têm mantido o país isolado da modernidade e ignorante dos seus remédios e anatematizado tudo que não seja mais do mesmo no debate político nacional. A sanção social contra quem resiste é de tal ordem que poucos entre os que não incorporaram como seu o “index” do “politicamente correto” têm coragem de afirmá-lo publicamente.

Não é mais que esse tipo de covardia o nosso “deserto de lideranças”.

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O divórcio entre palavras e fatos e a perda da capacidade de relacionar causa a efeito, essência do pensamento racional, não é uma exclusividade de Dilma Rousseff, é uma doença nacional. O que sobrou da Petrobras rapinada está sendo liquidado aos pedaços, mas “privatização”, no sentido original de antídoto para isso, segue sendo palavrão. Com a conta do ajuste provocando pesadas baixas num “país real” ainda eivado de miséria, o “país oficial” permanece incólume com seus milhões de funcionários ociosos, suas aposentadorias milionárias, suas mordomias indecentes e seus direitos e foros especiais medievais. Mas os economistas da oposição e até a imprensa dão de barato que tudo isso é imutável. “Como as despesas de custeio são incomprimíveis os impostos terão de ser aumentados e os investimentos cortados”. É só um dado “técnico” da equação, ainda que implique uma sentença de morte da Nação.

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Corrupção? Ah, sim! Vamos eliminar “a causa” dela do mesmo modo como estamos eliminando “a causa” da criminalidade: proibindo a presença de dinheiro nas campanhas eleitorais alheias assim como temos proibido a posse de armas de fogo pelas vítimas do crime, e agravando penas que nunca serão aplicadas mantidos os direitos e os foros especiais. E nas TVs, jornalistas e “especialistas” meneiam a cabeça, graves, em aprovação. O fato do Brasil continuar matando a tiros cinco vezes mais do que mata o Estado Islâmico por ano não prejudica em nada esse raciocínio e portanto não cabe lembrá-lo aos propositores de tais “soluções”.

Lá fora ganha a corrida quem mais se alivia de pesos mortos e melhor arruma tudo para proibir presidentes et caterva de “fazer” ou “dar” o que quer que seja a quem quer que seja ou impor ao país as suas “boas ideias“. Para garantir que assim seja, arma-se a mão do eleitor com o poder de demitir funcionários e representantes a qualquer momento pelo voto distrital com recall de modo a ser dele a última palavra em qualquer discussão que possa afetar o seu destino. O resto vem por consequência.

Vem aí a “reforma política” que muitos sonham usar até para acabar com a política no Brasil. É hora de deixar de lado as panelas e começar a gritar algo que produza resultados.

TUDO SOBRE O VOTO DISTRITAL COM RECALL

COMO O POVO CONTROLA O JUDICIÁRIO NOS EUA

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Que fazer?

11 de março de 2015 § 14 Comentários

dil6Artigo para O Estado de S.Paulo de 11/3/20

O que ha de surrealista nesta crise é a ordem dos fatores. Não são os fatos que configuram a crise e pautam o discurso do governo, é o discurso do governo que pauta a crise e torna os fatos cada vez mais adversos.

De par com a roubalheira tanto mais negada quanto mais exposta, esta crise não é muito mais que a insana persistência na negação da crise, agravada pela última tentativa de dona Dilma de provar-nos que os loucos somos nós, que o que sentimos no bolso não passa de uma invenção “da mídia” e que quem vai mal não é o Brasil onde o petróleo custa o dobro, é o mundo onde o petróleo custa a metade. Assim como a Petrobras é “vítima” do assalto a que se vem submetendo languidamente ha 12 anos, o PT é “vítima” da incúria chinesa, americana e alemã para tocar uma economia com eficiência e responsabilidade.

É totalmente relevante assinalar que a par de abrir-nos os olhos para os perigosos enganos a que nos empurram os nossos cinco sentidos, dona Dilma decretou que matar mulheres – e só mulheres – passa a ser “crime hediondo”, apenas porque sua augusta excelência acordou com essa boa idéia na cabeça!

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O constante atropelamento da Lei, da aritimética e das instituições pelos “atos de vontade” do governante de plantão num mundo onde o dinheiro é um só e não admite mais esse tipo de desaforo é o que nos está matando.

Seria o momento da oposição provar que é diferente. Mas não será saudando o dono da Transpetro como “estadista da República” por reagir ao cerco da polícia atirando no dr. Levy que vai conseguir isso. Faria melhor se denunciasse a “camarotização” pacificamente assimilada dessa Brasilia que segue com suas obscenas enxúndias e adiposidades incólumes enquanto exige do Brasil da 2a Classe que entregue os músculos e até os ossos. Mas nem pelo exercício didático alguém fez a conta para mostrar quanto do superavit pretendido pelo dr.Levy poderia ser conseguido limpando o país de pelo menos 29 dos 39 “ministérios” que nem a presidente é capaz de enumerar de cór, com seus respectivos “ecossistemas” de parasitas. As provas de que a dos que pagam e a dos que são pagos com impostos são as duas únicas “classes sociais” em conflito insanável no país dos “exércitos do Stédile” poderiam ganhar a exposição que precisam ter, mas ninguém põe o dedo nessa ferida, primeiro porque, em lado nenhum existem “contribuintes” em Brasilia e, segundo – e esta é a verdade que dói – porque quase todos aqui fora têm algum pai, mãe, irmão ou filho na categoria dos “contribuídos”.

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Truque velho como a peste bubônica esse de gastar um pouco de quirera pra catar frango pro almoço, mas a gente não aprende.

E no entanto, se tem uma coisa que todo mundo sabe com certeza é que adianta tanto para a salvação da economia nacional o dr. Levy amputar músculos para preservar gordura mórbida ou fazer o ajuste burro via inflação para entregar um país que caiba nas calças por mais 15 minutos quanto o Judiciário prender mais meia dúzia de zés dirceus por meia hora e de marcos valérios por meia vida para evitar os próximos “petrolões”.

O mesmo raciocínio vale para o impeachment, ainda que não fosse no quadro de economia e instituições em frangalhos que tornam essa empreitada temerária hoje. Ele faria tanto pelo exorcismo da corrupção no Brasil quanto fez o do ex-presidente banido que está hoje atolado no “petrolão”.

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Sim, democracia não é o poder de eleger, é muito mais o de deseleger. É em torno de quem tem o poder de demitir que estruturam-se as cadeias de lealdades como mostram tanto o dia a dia que todos vivemos no trabalho quanto o receituário internacional da moderna medicina institucional. Mas somente se esse poder for institucionalizado, orgânico e previsível.

Se o desastre petista ainda não atingiu a todos, é certo que, com ou sem Dilma, ninguém escapará. Impedir o PT de presidi-lo inteiro, portanto, só pioraria as coisas. Este país tão cheio de filtros distorsivos da realidade precisa de literalidade e privar o PT de colher todos os direitos autorais a que faz jus seria contribuir para que não “pegue” a vacina que pode por-nos para sempre à salvo da volta ao “califado bolivarizado” modelo século 18 com que sonha o lulopetismo emessetista.

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O importante é garantir que disso resulte que, para tudo quanto é decisivo, daqui por diante, a ultima palavra, na brasileira, seja sempre do eleitor como já é em toda a democracia que pode ser grafada sem aspas. Para tanto, dois instrumentos são imprescindíveis: o “voto distrital com recall”, em uso pelo mundo afora desde 1846, e o “voto de retenção de juízes de direito”, em uso na norte-americana e em outras democracias de ponta desde 1934. Com o primeiro, divide-se o eleitorado em distritos delimitados e só se permite que cada candidato se ofereça a um, o que amarra cada representante a um grupo identificavel de representados. Dentro de cada distrito, todo eleitor tem o direito de iniciar uma petição para derrubar seu representante a qualquer momento e por qualquer motivo. Se conseguir um numero suficiente de assinaturas, convoca-se uma votação só naquele distrito e derruba-se o faltoso sem ter de perturbar a paz social ou o resto do país. Com o segundo faz-se coisa parecida no universo do Judiciário. Os juízes seguem sendo “intocáveis”, salvo por suas excelências os eleitores. A cada eleição aparecerá nas cédulas de cada distrito eleitoral também o nome dos juízes daquela jurisdição com a pergunta: “Deve o meritíssimo ter a sua incolumidade confirmada por mais 4 anos”? “Sim” ou “Não”.

Lembrar a toda hora aos participantes do jogo político quem manda em quem num governo “do povo, para o povo e pelo povo“, e demitir sumariamente quem esquecê-lo inverte o sentido das lealdades e faz o mundo dos políticos e do funcionalismo passar a funcionar exatamente como o aqui de fora, pela mesma boa razão: ou trabalha-se a favor “da empresa”, ou rua.

Para conseguí-lo, basta afirmar o que queremos com a mesma firmeza com que ja começamos a afirmar o que não queremos.

COMO FUNCIONA A SELEÇÃO DE JUíZES NOS EUA

TUDO SOBRE O VOTO DISTRITAL COM RECALL

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