Entre os imbecis e os filhos da puta

22 de janeiro de 2021 § 33 Comentários

Não existe argumento mais forte que o resultado. João Dória fez a parte que lhe cabia e pôs a vacina que batalhou aqui. Jair Bolsonaro não fez a dele. Ou pior, fez a que se atribuiu e resulta em que ha nos centros de saude publica toneladas de falsos remédios e nenhuma ampola do remédio que cura porque, contra todas as evidências, concentrou-se sempre em providenciar uns e nunca em providenciar o outro. Ao contrário, além de menosprezar a virulência da doença, que logo passou a dispensar “comprovação científica” porque estava matando nossos amigos e vizinhos diante dos nossos olhos leigos, dedicou-se a negar o que ha séculos todos os fatos afirmam e confirmam sobre a eficácia da vacinação como única forma de deter epidemias e, para além de salvar vidas, permitir que os países voltem a trabalhar, que é o que ele sempre disse ser a sua prioridade.

Se dos testes resultou que a vacina CoronaVac é menos eficiente do que gostaríamos que fosse, isso nada tem a ver com a parte do trabalho que cabia a João Dória. Assim como Jair Bolsonaro nada teve a ver com o resultado melhor alcançado pelos testes da vacina da Oxford em que algum lúcido do seu governo, meio à revelia dele, conseguiu apostar afinal. 

Tudo isso é fato. Tudo isso é história. Nada disso é “fake news”.

Mas nem a monumental estupidez cometida por Jair Bolsonaro, nem a admiração dele pela monumental estupidez de Donald Trump, alteram em um milímetro sequer a monumental cupidez da canalha que chupa o Brasil para além do bagaço. 

Os governadores que superfaturam respiradores, que montam e desmontam hospitais de campanha sem usá-los, que desviam vacinas da fila de prioridades, que roubam o ar que a gente respira, continuam sendo o que são. 

O mesmo SUS onde o Brasil pobre se foi abrigar da pandemia porque esta é a parte que lhe cabe deste latifúndio, onde pelejam os heróis que perdem sempre sabotados pela multidão dos ladrões que não perdem nunca, continua sendo, como a maior das contas estatais, o maior ralo da República, porque é para comprar barões ao rei e ser eternamente aparelhada e ordenhada que conta estatal existe em todo lugar do mundo, variando apenas o grau de cumplicidade das polícias.

Os vereadores, os deputados, os senadores; os políticos de todos os calibres e de todas as famílias que inflam morbidamente o custo do funcionalismo público num país miserável para fazer “rachadinhas” continuam sendo o que sempre foram. 

Os autores do “maior assalto de todos os tempos”, conforme descrito pelo Banco Mundial que mede os efeitos dos cataclismos do gênero no planeta inteiro, continuam sendo os maiores ladrões de todos os tempos, embora soltos.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal que dão sentenças contra “atos antidemocráticos” enquanto anulam monocraticamente votações inteiras do Congresso dos representantes eleitos do povo; os ministros que soltam de ladrões eméritos da Republica a chefões do PCC; os ministros que enriquecem com suas redes de “escritórios de advocacia” familiares a ponto de manter segundas casas em euros e em dólares ganhando R$ 39 mil por mês (US$ 7.330 ou E$ 6.037 ao cambio de ontem) continuam sendo exatamente o que os seus atos e os sinais exteriores de riqueza que emitem dizem que são. 

Nunca se viu ou sequer ouviu qualquer membro da lista acima propor ou batalhar pela devolução de um privilégio, por menor que fosse, para salvar vidas, para tirar mães da miséria, para resgatar bebês da fome. Os poucos que o fizeram penam o ódio eterno de seus pares. Ao contrário. Agora mesmo, enquanto você lê, passando por cima de supostas “inimizades históricas” entre “direita” e “esquerda” – a divisão horizontal que nunca suplantou o corte vertical “nobreza” x “plebeus” que rege este país – estão tramando às claras, oficialmente, a tomada do comando do Congresso Nacional contra o compromisso solene de agir unidos contra o favelão nacional para não ter, jamais, nenhum dos seus privilégios vencidos.

A máfia que nos faz andar para traz, de década em década perdida, continua sendo a máfia que, sempre por motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima, tem feito o Brasil mergulhar mais fundo na miséria a cada dia que passa desde que escreveu e nos impingiu goela abaixo sem referendo a constituição da privivelgiatura, pela privilegiatura e para a privilegiatura. Só varia o primeiro lugar da fila dos excluídos de qualquer ameaça das eternamente “urgentes reformas” que, afinal, nunca acontecem: ora os marajás do Judiciário e os professores das universidades públicas que comem cada um por 50 professorinhas de pobre, ora os policiais e os militares de todos os denominadores e calibres.

Tudo isso também é fato. Tudo isso também é história. Nada disso, também, é “fake news”.

O Brasil é um país disputado a tapa entre os imbecis e os filhos da puta, com uma imprensa imbecil automaticamente alinhada aos imbecis e uma filha da puta automaticamente alinhada aos filhos da puta, o que faz os imbecis cada vez mais imbecis e os filhos da puta cada vez mais filhos da puta.

É preciso quebrar essa espiral do desastre. 

Não, nem um gênio, nem um iluminado nem um salvador da pátria, pelamôr! 

O povo, senhoras e senhores! O povo!

Aproveitemos essa rara janela de aplauso amplo, geral e irrestrito à democracia americana antes sempre tão apedrejada. Adotemos, nós também, o remédio que ela ensinou e que todo o mundo que deu certo adotou. 

Nós, o povo!

O povo que não é ninguém. O povo que não é nem um grupo em especial. O povo que não é “de direita” nem “de esquerda”. O povo que é média e que é móvel…

Só ele tem legitimidade para ser governo. Só ele tem legitimidade para mandar no governo. O resto, QUALQUER poder desamarrado da prerrogativa de sanção pelo povo por um minuto que seja é, por definição, antidemocrático, e invariavelmente predatório.

CoronaVac ou Oxford, eis a questão

14 de janeiro de 2021 § 5 Comentários

Não é só saber qual das duas o governador João Dória e o resto da privilegiatura fura-filas vai tomar, se é que já não se inoculou a da Pfizer quando andou esbarrando lá por Miami. Mas de fazer todas as perguntas óbvias que os nossos jornalistas não estão se permitindo fazer, que se trata.

A elas:

Posto que temos “apostas” feitas em duas vacinas, uma com 50,38% de efetividade, outra com 74%, ambas desenvolvidas em laboratórios brasileiros a partir de insumos estrangeiros, não teria o governo de parar onde já chegaram as compras da mais fraca para concentra-las nas compras da mais forte?

Sendo o mote da campanha “Brasil imunizado, uma só nação”, como deve ser, sob que critérios vai arbitrar o governo quais brasileiros tomarão uma e quais tomarão outra das “nossas” vacinas?

Considerando que a extensão da cobertura no menor tempo possível é o objetivo a perseguir, que outras vacinas iguais ou melhores que as nossas estão disponíveis no mercado internacional, e em que prazo? Porque não ha notícia de qualquer esforço do governo para encontrar outras vacinas?

Considerando que está claro que o governador João Dória vem mentindo sobre a performance da CoronaVac desde pelo menos a véspera do Natal quando recebeu os resultados dos testes do Butantan, e que a trajetória que arquitetou entre aqueles 100% quiméricos e os 50,38% (reais?) tomou um tempo precioso de um país com mil mortes por Covid-19 e suas variações por dia para tomar decisões no interesse de conter a pandemia com alternativas mais eficientes, não seria o caso de suspender suas contas nas redes sociais e tomar outras providências cabíveis?

A verdade sobre a CoronaVac

8 de janeiro de 2021 § 6 Comentários

Depois de muitas idas e vindas o governador João Dória anunciou finalmente, ontem, os resultados da 3a fase de testes da CoronaVac chinesa. Num discurso diferente do que se tem ouvido sobre outras vacinas pelo mundo afora ele e seus assessores mais o pessoal do Butantan disseram que “a vacina tem 100% de eficácia para casos graves e moderados, evitou 100% de internações hospitalares e demonstrou 78% de eficácia para casos leves”.

Consultei um médico brasileiro que divide seu tempo entre Brasil e Estados Unidos onde dá aulas em universidades renomadas para entender melhor o pouco misterioso mistério dessa conversa. 

“Só a ultima parte dela é verdadeira”, disse ele, ressalvando que ainda não teve acesso aos dados da pesquisa. “A vacina demonstrou 78% de eficácia nos 12.476 voluntários nos quais o Butantan a aplicou, o que é um ótimo resultado dadas as circunstâncias. Mas de cada 100 voluntários, 22 contraíram assim mesmo o Covid 19. Afirmar que desses 22 nenhum teve a forma grave da doença ou precisou ser hospitalizado tem tanto significado científico quanto afirmar que a vacina é 100% eficaz para quem tem olhos verdes porque nenhum dos 22 que contraíram o vírus depois de vacinados tem olhos verdes. Isso não tem nada a ver com a vacina. É impossível afirmar cientificamente que a vacina tem o efeito de enfraquecer o vírus. O que as vacinas fazem é imunizar ou não imunizar o paciente. E os dados, caso confirmados, mostram que ela imuniza, em média, 78% dos inoculados”.

É o contrário do que tentou sugerir o dr. Dimas Covas, diretor do Butantan, quando afirmou que “A pessoa pode até se infectar mas queremos que a doença não progrida a ponto de precisar ir para o hospital”.

O Butantan, informou a Anvisa, ainda não entregou os dados completos da pesquisa. “O que aconteceu hoje (ontem) foi uma reunião de pre-submissão”. Quando entregar os dados completos a Anvisa, aplicando o rito sumário autorizado pela emergência do momento (lei 13.979), pode aprovar em 10 dias as vacinas que já lhe chegarem com o aval de suas congêneres nos EUA, na Europa, no Japão ou na China.

Dória e o Instituto Butantan tinham marcado a divulgação dos dados da 3a fase da pesquisa para 15 de dezembro passado. Depois adiaram para 23 de dezembro e finalmente para hoje. Nesse meio tempo, dia 21/12, a Anvisa fez uma inspeção à fábrica da CoronaVac na China. E o próprio governo chinês anunciou o início da vacinação no país mas com a concorrente chinesa da CoronaVac, a vacina da Sinopharm, que apresentou 86% de eficácia. Essa sucessão de tropeços já indicavam o que se confirmou. Das vacinas já anunciadas a da Sinovac alcançou os menores níveis de eficácia, junto com a vacina da Oxford, a aposta do governo federal que, no entanto, supera a marca da CoronaVac depois de tomada a segunda dose (sobe de 60% de imunização na primeira para 90% com as duas doses). A vacina da Pfizer afirma ter 96% de eficácia, a da Moderna 94,1% e a russa Sputnik 91,4%. Para a Organização Mundial de Saude qualquer vacina com performance superior a 50% de imunização é considerada eficaz, o que considerados os números de vitimas da pandemia não precisa ser um gênio para entender. A menos que o seu cérebro esteja congestionado pelas toxinas da para sempre interminável eleição brasileira…

PS.: A CoronaVac também passou no teste de segurança. 35% dos voluntários sofreram “efeitos adversos leves” como dor local, inchaço, dor de cabeça e fadiga superados no prazo de 48 horas. Brasil (46 milhões de doses, 6 milhões importadas e 40 milhões feitas no Butantan), China, Indonésia, Turquia e Chile estão na fila dos compradores da CoronaVac.

João Dória subiu no telhado…

15 de dezembro de 2020 § 17 Comentários

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