Era normalíssimo o crioulo daquele samba

29 de agosto de 2013 § 4 Comentários

injustiça

Dona Dilma, que mandou avisar aos todo poderosos Estados Unidos da América que não quer que se levante um dedo contra o envenenador de Bagdá, telefonou pressurosa ao “cocaleiro” de La Paz para pedir-lhe desculpas e entregar-lhe na augusta bandeja da justiça a cabeça (de mentirinha) do chanceler da Republica Federativa do Brasil.

Questões de soberania nacional…

Agora veremos se a presidenta que “não tem preconceitos” contra a democracia hereditária cubana mas negou a legitimidade da Justiça do regime notoriamente suspeito vigente na Itália ao abrigar um assassino confesso condenado por ela, mostrará a mesma confiança no senso de justiça de Evo Morales que deposita no da família Castro ao decidir sobre a extradição ou não do desafeto dele que fugiu para o Brasil em razão da visão distorcida do Itamaraty, já devidamente punido, sobre o que é e o que não é justo fazer em matéria de questões humanitárias.

alpino

Não deverá haver erro nesse seu alvitre já que o país inteiro acaba de ter provas da clarividência da senhora presidenta que, num ato de iluminada premonição, encomendou os “médicos” cubanos que, na abundância que o mundo inteiro inveja da ilha dos Castro, não têm mais o que fazer naquele país que vende saúde, pelo menos dois meses antes de “ter a ideia” de criar o seu programa Mais Médicos.

Seja qual for a sua sábia decisão é certo que ela poderá contar com todo o apoio dos guardiões da irreprochavel democracia brasileira no Congresso Nacional que ontem mostraram ter o mesmo discernimento dela ao negar, em nome do princípio sagrado da isonomia, legitimidade também à Justiça brasileira retirando da jaula e depois libertando das algemas um deputado condenado por roubar o povo para angariar votos secretos para a sua própria absolvição.

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Afinal, esses excelsos membros da base de sustentação do governo dos paladinos da ética na política apenas seguiram o exemplo do partido de sua preclara excelência que, ele também, enfiou de volta Congresso adentro os seus ladrões injustamente condenados pelo Supremo Tribunal Federal que certamente estavam entre os que sufragaram secretamente a contracondenação do seu possível futuro companheiro de cela.

No caso de um improvável revés, aliás, a presidenta, pobre como é, pode contar como certo ao menos com o encômio laudatório do último juiz que infiltrou no STF por todas essas suas meritórias obras, além das do passado remoto, em prol da construção da democracia brasileira.

giga

Como ousa não ser um filho da puta?!

27 de agosto de 2013 § 8 Comentários

dil1

Gallantry”. A expressão remete aos Cavaleiros Errantes. O conceito funde numa só palavra as idéias de coragem, grandeza, virtude, heroísmo, desprendimento, altruísmo e apego aos mais nobres ideais.

Seus antônimos são covardia, pusilanimidade, traição, ignomínia…

O encarregado de negócios da embaixada brasileira em La Paz, Eduardo Sabóia, teve um gesto de “gallantry” ao resgatar, por sua conta e risco, o senador da oposição Roger Pinto Molina, perseguido pelo chefe dos “cocaleiros” que hoje governa a Bolívia, que estava preso num quartinho da embaixada brasileira, de quem ingenuamente chegou a esperar asilo, ha 452 dias, “sem que houvesse nenhum empenho para solucionar o problema” da parte do governo do PT.

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Para que não pairassem dúvidas sobre a natureza de sua decisão e para se defender da punição que desde sempre ele sabia que sofreria, Saboia desembarcou no Brasil com o homem que salvou dizendo que tinha feito por ele o que teria feito por Dilma Roussef, que também foi, um dia, uma “perseguida política”.

Tudo isso torna ainda mais nobre o seu ato. Entre a certeza de punição e encerramento da carreira a que dedicou a vida de quem já teve tempo para aprender exatamente com quem está lidando e a alternativa de compactuar com o esmagamento covarde de um indvíduo em luta contra um estado semi-criminoso ao qual se aliou a “diplomacia” do PT, Saboia preferiu manter-se em paz com sua consciência.

dil1

Escolheu a História.

Escolheu entrar para a lista de gente como Guimarães Rosa e sua Aracy que, funcionários da embaixada brasileira em Hamburgo na Alemanha nazista, davam fuga a judeus, do que para a dos esbirros de Getulio Vargas que, naquele mesmo momento, entregavam a Hitler, para ser fuzilada, Olga Benário, a mulher de Luís Carlos Prestes.

Eduardo Saboia exibiu inteiro o seu caráter. O cinema do futuro ainda lhe fará justiça…

Dilma Roussef exibiu inteiro o dela.

Não é que vestiu a carapuça. Enfiou-se nela dos pés à cabeça.

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Sua incontida fúria, vibrando ao vivo e a cores na televisão, foi demais até para Antônio Patriota que, mesmo comendo na mão dela, aparentemente não conseguiu engolir todos os desaforos que ouviu por não ter conseguido impedir que algo tão luminosamente nobre brotasse de dentro do pântano petista e, ainda por cima, no centro da seara bolivariana pela qual zela pessoalmente o sinistro Marco Aurélio Garcia.

Como ousa, algum dos nossos, não ser um filho da puta!

Este episódio, mais que todos os outros, serve para enterrar qualquer resquício de ilusão que porventura tivesse restado a respeito de em que mãos caiu este país.

O pior é pouco para esperarmos dessa gente.

dil1

Edward Snowden e o “admirável mundo novo”

9 de julho de 2013 § 7 Comentários

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De modo nenhum o que veio à tona foram informações novas ou revelações surpreendentes. Mas de certa forma os documentos vazados pelo ex-técnico da CIA, Edward Snowden, mostrando pormenores do sistema de monitoração de comunicações on e offline em escala global pelo governo americano oficializa uma realidade de todos e de cada um de nós bem mais que suspeitada.

Como fingir-se ultrajado por tais “revelações” num mundo onde organizações acobertadas por governos nacionais dedicam-se a atirar Boeings cheios de gente contra prédios de escritórios nos horários de pico de trabalho enquanto os proprietários das grandes encruzilhadas da internet como o Google, o Facebook e outros menos votados, todos incensados como grandes benfeitores da humanidade e paladinos da causa da “liberdade na rede”, fazem centenas de bilhões de dólares por ano gravando e vendendo a qualquer um que queira pagar por isso não apenas o mapeamento das conexões entre IPs suspeitos, como faz modestamente a CIA, mas tudo que todos nós falamos, escrevemos, mostramos, vendemos e compramos dentro da rede mundial, além do passo a passo das nossas deambulações pelo mundo físico sistematicamente plotadas, à nossa revelia, pelos GPS’s que eles embutem nos gadgets com que “nos servem”?

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A situação que tais “revelações” oficializa, portanto, é de que, diante do esboroamento do aparato de law enforcement apoiado em Estados Nacionais sem mandato para lidar com uma realidade onde tudo, a começar pelo crime, está globalizado, os Estados Unidos da América, como potência militar e tecnológica hegemônica, assumiram o papel de polícia do mundo num mundo em que nem Nova York está a salvo, o que cria uma situação paradoxal. Pois não ha uma pessoa honesta consigo mesmo que não se sinta, ao mesmo tempo, ameaçada e reconfortada com isso. Ou, no mínimo, morrendo de saudades de um mundo onde ainda era possível guardar segredos e esperar que a vida se nos revelasse aos poucos.

O chanceler Patriota e o ministro Amorin, afinados com o momento “cu na parede” do PT apressaram-se a dizer que o Brasil é muito vulnerável por carência de tecnologia ( o que nos permite antecipar que logo, logo as odebrechts da vida entrarão no ramo de satélites bancados pelo BNDES, se ainda houver BNDES), assim como dona Dilma, sem que ninguém tivesse feito muitas perguntas nesse sentido, garantiu que nunca houve autorização ou colaboração do governo brasileiro com esses expedientes de espionagem.

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Não sei se convenceram alguém…

Mas a verdade é que o problema não é de carência de tecnologia, é de mudança de paradigma tecnológico. Uma mudança que torna a rede mundial de comunicações – e não apenas ela – absolutamente indefensável.

Tudo está devassado. Nem as comunicações do Pentágono, como já se provou diversas vezes até a partir de prosaicas garagens espalhadas pela periferia do mundo, estão seguras. E esse não é, nem de longe, o maior problema que essa mudança de paradigma está provocando.

O “mundo novo” nunca se me mostrou tão “admirável” assim e esse aspecto da inexorabilidade da “aquisição” de todo e qualquer perseguido, ainda que em operações cada vez mais cirúrgicas, não faz com que ele pareça nada melhor aos meus olhos. Qualquer arma – é a história da humanidade quem o diz – pode ser (e será) usada indistintamente para o bem e para o mal…

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De minha parte, porém, os argumentos da CIA seguem parecendo mais aceitáveis, por enquanto, que os do Google, os do Facebook e cia. ltda. para meter o nariz na minha vida e, a custa disso, armarem-se com os bilhões que empregam, cada vez com menos pudor, no assassinato econômico de concorrentes.

Perturba muito mais a minha sensibilidade, igualmente, ver o comerciante de bisbilhotices ser saudado como herói da liberdade enquanto os caçadores de bin ladens são muito mais maltratados que isso. Ha qualquer coisa de doentio nesse tipo comportamento. Patologia social, digo. Coisa mais difícil de curar que doença de gente.

Na verdade, preocupam-me mais os sinais de progressiva contaminação do uso indesejável mas justificável da invasão de privacidade pelo governo americano pelas motivações indesejáveis e injustificáveis dos comerciantes de bisbilhotice que têm aparecido lateralmente nessa história do que o contrário.

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Vejo mais perigo para o futuro da humanidade no fato do governo americano usar esse aparato também para espionagem comercial e favorecimento de negócios e, portanto, também de negociantes, do que em qualquer lasca tirada de minha privacidade em nome da prevenção de atentados terroristas ou do retardamento da posse de armas químicas ou nucleares por conhecidos trogloditas internacionais.

Enquanto essas duas coisas estiverem separadas ha esperanças para o futuro da democracia. Quando se misturarem assumida e impunemente, ela estará condenada.

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