Atenção companhias aéreas!

25 de abril de 2014 § 2 Comments

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Peter Smart é um designer inglês que se propõe solucionar problemas do dia a dia com o concurso da sua especialidade.

Ele mantém um site onde apresenta suas propostas (aqui), dá conferências nos mais prestigiados eventos envolvendo temas como inovação e informática e consultorias a diversas empresas internacionais de ponta.

Esta proposta de como transformar o (horrível) problema que são os cartões de embarque em todos os aeroportos e companhias aéreas do mundo numa solução boa para todos os interessados é um bom exemplo do tipo de trabalho que ele desenvolve.

Sigo praticamente traduzindo a matéria que ele apresenta neste link.

“É hora de

 repensar os cartões de embarque”

 

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Dê uma olhada no seu cartão de embarque.

O que ele precisa te informar é onde você tem de chegar, a que horas e como fazer para chegar lá.

O problema é que ele não ajuda nada a encontrar essas informações. Em geral os cartões de embarque resumem-se a um monte de números e abreviaturas espalhados meio a esmo por um pedaço de papel que exigem um considerável esforço para serem decifrados, especialmente num ambiente estressante como são os aeroportos onde todo mundo sempre está cansado e com pressa.

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O primeiro defeito evidente é o formato.

Você tenta manter o cartão dentro do seu passaporte mas fica sobrando papel dos dois lados. Assim quando você procura checar mais uma vez qual é o seu portão de embarque e o seu vôo, o papel fica enroscado na sua roupa ou acaba caindo do bolso externo da sua maleta de cabine.

O resumo é que ainda que seja imprescindível que o cartão de embarque seja guardado com segurança o formato atual torna isso praticamente impossível.

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Para começara resolver o problema é preciso lembrar que o cartão de embarque é feito para ser usado por três tipos de usuário:

  1. o passageiro;
  2. o pessoal da companhia aérea;
  3. as máquinas de leitura e processamento

Logo a boa solução não pode estar focada na satisfação das necessidades apenas dos passageiros. O novo desenho deve respeitar três limitações básicas:

  1. todas as informações constantes dos cartões atuais têm de estar no novo;
  2. as dimensões têm de ser as mesmas dos cartões que as máquinas lêem hoje;
  3. tudo tem de ser impresso apenas com tinta preta para evitar gastos e complicações adicionais com renovação dos equipamentos existentes.

A resposta é esta aqui:

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Vamos aos detalhes:

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Tem de haver uma hierarquia clara na tipologia para que você encontre imediatamente as informações mais importantes.

O usuário tem de tomar decisões rápidas e com confiança mas, para isso, as informações essenciais têm de estar bem distribuídas e dispostas de forma muito clara.

Os textos têm de ser simples e bem estruturados.

Quanto ao formato, a idéia é posicionar a linha tracejada a ser destacada no momento do embarque…

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…numa altura que facilite guardar o cartão dentro do passaporte mas, ainda assim, mantendo o acesso às informações essenciais.

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Só mudou, portanto, a orientação do cartão; não suas medidas.

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Mas dentro das mesmas medidas nós conseguimos…

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…não apenas uma hierarquia lógica mas também cronológica das informações…

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…informar o passageiro se ele vai ou não ter necessidade de ter o seu agasalho à mão e quantas horas terá de adiantar ou atrasar no seu relógio…

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…e ainda manter nas mãos dele todas as informações necessárias quando ele já estiver na sua cadeira só com o “canhoto””.

De modo que pras companhias aéreas brasileiras fica a dica: estou com Peter Smart e não abro!

 

Ninguém quer dançar com Dilma

18 de setembro de 2013 § 23 Comments

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A nossa presidenta espionada e ofendida, que acaba de cancelar uma visita de Estado à maior economia do mundo, o que é algo como três ou quatro passos antes de uma declaração de guerra, no pior momento, historicamente falando, das nossas exportações, diz que está muito surpresa pelo fato de não ter havido nenhuma empresa interessada no leilão da BR-262, que liga Minas Gerais ao Espírito Santo.

É “tábua” em cima de “tábua”! O baile vai se aproximando do fim e ninguém tira dona Dilma para dançar nem pintada de ouro…

No seu famigerado estilo gerentona, ela determinou que o governo tenha “uma conversa séria com cada uma das empresas” que apresentaram certidão negativa mas desistiram para saber quais foram as suas razões.

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Sempre fel em lugar de mel. Se a conversa for no tom das que ela costuma ter com seus ministros está tudo definitivamente perdido.

Mas, voltando a falar sério, a coisa tá feia. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, está fazendo das tripas coração para envolver os 11 maiores bancos privados brasileiros para bancar 1/3 do financiamento do Programa de Investimentos Logísticos, aqueles que o PT esqueceu de fazer nos últimos 10 anos e agora ameaçam estrangular a economia brasileira.

Foram-se os tempos, portanto, em que o BNDES não fazia contas já que o que deveria ter virado portos, aeroportos, ferrovias e rodovias para fazer fluir o sangue do crescimento da nossa economia virou redes internacionais de açougues, empresas “X”, telefônicas falidas, empregos pra companheirada e outras prioridades dos amigos e parentes do governo.

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Agora a fonte secou. Coutinho confessa de público que “não conhece nenhuma outra maneira mais rápida e eficiente de elevar os investimentos no país sem que seja por meio de concessões à iniciativa privada”, aquilo que o PT costumava chamar de “privataria” quando feito pelos outros.

O motivo mais ululante para todo mundo pular pra trás no leilão da BR-262 foi que, no modelo proposto pelo governo metade da obra ficaria a cargo do DNIT, aquele do Alfredo Nascimento, do Fernando Cavendish, o inidôneo idôneo e cia. ltda.

Quem se arriscaria a adiantar os seus bilhões e construir a sua metade para ficar dependendo da metade do DNIT para que os carros finalmente passassem pelo pedágio?

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Mas a razão que segue ganindo baixinho e a nossa presidenta jamais vai ouvir é aquela de sempre. Quem é que confia nesse pessoal que afundou as elétricas e quebrou a Petrobrás pra comprar um mandatozinho a mais? Que diz que a Justiça da Itália é ilegítima e antidemocrática mas a da Bolívia é um exemplo para o mundo? Que se abraça ao Ahmadinejad mas nega um crédito de confiança  a Barack Obama?

Quem é que acredita num país que, com o concurso decisivo dos “troianos” que a presidenta enfiou dentro das muralhas do STF, ameaça jogar no lixo a independência do Judiciário pra soltar meia dúzia de salafrários?

Dona Dilma não entendeu nada. O mundo já entendeu tudo.

Resta esperar que o Brasil entenda isso a tempo.

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O preço da conta de luz reduzida

16 de agosto de 2013 § 4 Comments

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Mesmo oferecendo condições que vão lesar gerações inteiras de brasileiros o governo do PT não tem conseguido interessar investidores estrangeiros nas obras e concessões de equipamentos de infraestrutura.

As concessões de portos e aeroportos oferecem retorno de 15% ao ano durante 30 anos e garantia contra eventuais prejuízos, o que pesará sobre tudo que for produzido ou importado pelo país pelo menos por esse prazo.

Mesmo assim – ou mais provavelmente exatamente por causa disso – os grandes investidores estrangeiros não mordem a isca.

Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”…

Desde 2011 os estrangeiros têm isenção fiscal para investir em títulos e debêntures ligados a obras de infraestrutura. Mesmo assim o dinheiro captado com esses papéis não passa de R$ 3,2 bilhões, dos quais só 5% é de dinheiro estrangeiro.

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Esses poucos que investiram acumulam perdas que se aproximam de 20% em função da desvalorização do real … que é agravada cada vez mais pela fuga do dinheiro estrangeiro do país.

Agora o governo está flexibilizando as regras da Receita Federal para a prestação de contas do regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), que suspende o pagamento de PIS (1,65%) e Cofins (7,6%) na compra de máquinas, equipamentos, serviços e aluguéis.

Esses incentivos pesam, para a área de energia, cerca de 10% do custo total da obra. Nos aeroportos, 7,62% do custo total. São valores que vêm se acrescentar às condições mencionadas acima que, se oferecidas em qualquer país civilizado numa conjuntura de juros reais internacionais quase negativos, provavelmente resultaria em pena de prisão para o ofertante.

No entanto, nem assim…

Porque?

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Porque este é o país cuja “presidenta”, na véspera da última eleição, decretou, com uma penada, que a conta de luz dos eleitores teria de cair 20% e “as elétricas” que se virassem pra ver de onde tirar esse dinheiro.

Em um único pregão, a gracinha de dona Dilma custou R$ 35 bilhões aos que tinham investido em ações dessas companhias universalmente tidas como um dos investimentos mais seguros e conservadores pela solidez da operação e pela regularidade com que pagam dividendos.

Por isso mesmo os investidores em geradoras e distribuidoras de eletricidade são, em geral, grandes fundos que administram as reservas armazenadas por aposentadas e similares ao redor do mundo para garantir um pouco de segurança na sua velhice.

É a essa mesma gente que lesou ha dois anos que o PT acena, agora, com mundos e fundos…

As petroleiras são outras das preferidas dos estrangeiros. A Petrobras, que perdeu dois terços de seu valor desde que passou às mãos dos governos petistas, entretanto, está a beira de perder o “grau de investimento” das agências internacionais de rating por ultrapassar o nível considerado seguro de endividamento.

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Ela se afunda cada vez mais em dívidas porque, além da luz, o PT ofereceu carro subsidiado a granel nas últimas eleições para toda a “nova classe média” que se endividou para comprá-los, multiplicando o consumo de combustíveis. Agora, já tendo sido obrigado a aumentar os juros, não permite que a empresa aumente o preço da gasolina antes da próxima eleição.

Ocorre que a Petrobras tem de importar gasolina e diesel porque não investe em produção e refino desde a chegada dos novos donos do petróleo que “é nosso” ao poder. Com isso, saímos da “autosuficiência” anunciada festivamente por Lula para importações crescentes.

Para não aumentar o preço da gasolina que pode lhe roubar votos o partido que subiu acusando os outros de “privataria” e vendeu os poços do pré-sal na base de 70% para o comprador e 30% para nós, os “donos”, agora quer alterar a lei para entregar os próximos poços por ainda menos do que esse mínimo obrigatório pela lei atual.

Esse subsídio à gasolina e ao diesel é, portanto, o verdadeiro Caixa 2 do PT para as próximas eleições. Aquilo que levou os mensaleiros à condenação perto disso é brincadeira.

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É a vez do Brasil?

23 de abril de 2013 § 3 Comments

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A vaga entrevista de ontem do todo poderoso presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ao Estadão é mais uma daquelas oportunidades perdidas de entender melhor qual o projeto de Brasil que o PT tem em mente ou até, se o PT tem qualquer projeto de Brasil em mente.

Mas abre espaço para algumas conjecturas.

Informa o dr. Luciano que a política de eleger “campeãs nacionais” ou, como ele prefere, a política de “promoção de competitividade de grandes empresas de expressão internacional”, “é uma agenda que foi concluída; uma política que tinha méritos mas que já chegou até onde poderia ir”.

O primeiro reparo que me veio à mente diz respeito à ordem dos fatores que, no caso, altera radicalmente o resultado.

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O que ocorreu não foi exatamente que o governo pegou empresas que já tinham “expressão internacional” e lhes deu um empurrãozinho. Na maioria dos casos, escolheu, ninguém sabe por quais critérios objetivos, empresas que não tinham projeção nenhuma, nem nacional, nem internacional, e fez delas monstros devoradores de concorrentes aqui e pelo mundo afora.

E com tanta largueza que seus donos hoje levam uma vida de potentados orientais voando entre seus palácios e yachts espalhados pelo mundo em impressionantes jatos transcontinentais privados nos quais Don Lula I costuma tomar carona para, graciosamente é claro, “ajudar a vendê-los no exterior”.

lu11Foi o caso, por exemplo, dos açougueiros de Goiás hoje transformados no gigante JBS, ficando a sua irmã menor, Marfrig, pelo caminho cheia de problemas para se manter de pé apesar dos bilhões recebidos, ou dos aventureiros do mercado financeiro que, remendando pedaços espalhados por todo o país, gastaram os tubos do nosso dinheiro tentando criar uma gigante dos laticínios ao lado da gigante da carne, a LBR, hoje às portas da falência.

De par com essas, levaram grossos bilhões “parte da siderurgia” (a Gerdau, para ser exato) e representantes de setores como petroquímica (Odebrecht), celulose (os Ermírio), suco de laranja, cimento (dos mesmos donos da celulose), telefonia (só a Oi) e produção de softwares (a Totvs), este estratégico para o partido por razões diversas dos demais, e ainda uns tantos outros felizardos.

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Uma variada “cesta” de empresas, enfim, que dificilmente encaixa-se no vago conceito que ele aventou – grupos “limitados (às áreas de) commodities e pseudo commodities” (?) – para justificar essas escolhas.

Ou, melhor dizendo, que encaixa-se perfeitamente, assim como literalmente todo e qualquer setor da economia que suas majestades houverem por bem contemplar, desde que levado ao pé da letra o tão inovador quanto ilimitadamente amplo conceito de “pseudo-commodity”.

Onde, sim, tudo se amarra firmemente é no fato de todos os proprietários beneficiados sentarem-se à mesa do Conselho de Gestão da Presidência da República, ao lado da titular da própria, na qual é decidido em ambiente de ampla confraternização quem fica com quanto do bolo generosamente disponibilizado pelo BNDES.

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Se é difícil vislumbrar que objetivo estratégico a projeção internacional desse grupo heterogêneo de empresas busca conquistar para a nacionalidade, é menos difícil imaginar porque um partido político que sofre crises de urticária sempre que pensa em deixar o poder aproveitaria as oportunidades ao alcance da mão para criar uma rede de projeção internacional do seu próprio poder econômico virtualmente infiscalizável daqui por diante.

As empresas de que o BNDES tornou-se sócio têm hoje mais filiais do que o governo tem embaixadas, sendo, portanto, capazes de levar e trazer dinheiro para cada buraco do planeta, branquea-lo à vontade ou comprar ditadores com voto na ONU por aí sem que os pobres órgãos nacionais de fiscalização possam sequer sonhar em saber o que está acontecendo.

Vê-se por essas e outras que se não há um projeto de Brasil para o PT certamente ha um projeto de PT para o Brasil e até para mais do que só ele.

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A julgar pelo que nos diz o dr. Luciano, esta parte, ao fim de 10 longos anos de investimentos, está satisfatoriamente resolvida e o partido parece disposto a voltar-se, finalmente, para o país que, nesse meio tempo, ficou a ver navios (e caminhões, e aviões, e usuários de transportes públicos, e necessitados de atendimento médico por falta de saneamento básico, e formandos semi-analfabetos, e…) sempre estacionados na fila de espera dos equipamentos de infraestrutura preteridos em função da necessidade de atender o urgente interesse nacional em fabricar e vender bifes, laticínios, suco de laranja, aços de boa marca, papelão e cimento pelo mundo afora.

Como otimista empedernido que sou, torcerei para que as declarações do dr. Luciano escondam a decisão do PT de deixar pra lá essa obsessão de ser ele próprio a economia nacional para passar a ser o provedor de condições regulatórias e infra estruturais para que a economia de todos nós possa se desenvolver por si só numa medida correspondente ao esforço que investimos nela.

Mas até prova mais consistente em contrário, reconheço que até para alguém com tanta boa vontade quanto eu isto soa como pedir demais…

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Crônica de uma rendição

30 de junho de 2012 § 5 Comments

Desembarco em Guarulhos, vindo do exterior, com a incumbência de levar à autoridade da saude publica do aeroporto – aquela mesma Anvisa em que se andou lambuzando o governador Agnelo Queiroz, do PT, que agora estrela a CPI do Cachoeira – um certificado nacional de vacina contra febre amarela para ser convertido em certificado internacional para uma próxima viagem daqui ha algumas semanas.

Saio da alfândega, vou ao balcão de informações.

Não é neste terminal não senhor. Só no Terminal 2. Não, não ha passagem por dentro. O sr. terá de sair para a rua e seguir pela calçada até lá. São uns cinco minutos de caminhada”.

Pela calçada estreita, esburacada, perigosamente exposta à violência dos ônibus e carros vomitando e engolindo passageiros, vou mastigando a minha irritação:

(“É típico. No país em que é o cidadão quem serve o Estado não existe critério de conveniência. Ou melhor, existe sim. Mas a conveniência é do servidor e não do servido. O cidadão que paga pelo serviço que se arda para se deslocar por prédios padrão serviço publico, sair pelas ruas com suas malas nas costas e ir achar esses seus empregados onde quer que eles resolvam se esconder”).

(“E depois, pra que haver um certificado nacional e outro internacional? Não faz mais sentido um único valendo pra todas as situações já que o negócio da Anvisa é comprovar que você está vacinado e não querer saber pra onde você vai viajar?

Pois é. Mas aí como explicar essa multidão toda de funcionários?”)

Não ha placas. Nenhuma sinalização. A calçada morre numa picada sem calçamento, cavada a pisoteio dentro de um gramado, e recomeça adiante…

Nova portaria e novo balcão de informações:

É ali no fundo, a única porta de vidro que o senhor vai ver”…

Chego lá, afinal.

A porta de vidro da filial da repartição pública no prédio “padrão obra pública” do maior aeroporto da maior cidade do Brasil é a mais suja entre todas as outras sublocadas para serviços privados que têm de competir por clientes.

Os adesivos das faixas de sinalização, assim como os letreiros, estão desbeiçados, rotos, descolando. Empurro o blindex e ele desencaixa-se dos gonzos, pendendo meio assustadoramente para um lado.

Lá dentro aquele ambiente sempre sórdido de repartição publica. Dois guichês com duas senhoras de meia idade, tudo velho, remendado e encardido: o carpete puído, as cadeiras em frente aos guichês com os assentos de plastico rasgados, computadores da idade da pedra, fios emendados e gambiarras ocupando metade do espaço.

As senhorinhas simpáticas. Brasileiras.

Explico a que vim. Ela começa a dedilhar o computador na base da catação de milho. Vai perguntando à vizinha como é mesmo que se faz. Não demora nada e:

Tá funcionando aí? O sistema está lento. A impressora não quer aceitar a ordem”…

Sinto o aluguel que vem vindo e sobe-me aquela onda:

(“É claro que esta lento; isso é porque nós pagamos o menor imposto do mundo e não está dando pra comprar um computador decente…”)

Mas engulo a irritação.

(“Calma porque se reclamar piora. E aí você não sai mais daqui hoje. Eu devia é ter arrumado um despachante para dar um jeito nisso…”)

Cruzo as mãos e apoio o queixo; zen. Fico vendo, estóico, as tratativas das duas senhorinhas.

Melhor chamar o André que sabe configurar a impressora”.

Fervo mas engulo de novo o comentário.

(“Vê lá que são eles que estão no poder…”)

Imediatamente começo a me culpar pela rendição.

(“Se a gente encolhe e não reclama, como é que esse país vai consertar um dia?”)

Mas não reclamo.

Tenho pressa, preciso do papel que só eles podem emitir, estou cansado de 10 horas de avião e quero ir pra casa com isso resolvido.

Vou me desculpando…

(“E, afinal, que culpa têm essas duas coitadas se a merda é de tal ordem que são elas, com esse grau de treinamento,  que estão aqui? E, a propósito, amigas de quem, parentes de quem elas seriam…)”

Tenta daqui, tenta dali, mudo de senhorinha (e de cadeira rasgada).

Quem entra na sala, já la vai uma boa meia hora, não é o André, mas uma moça geração pós informática que vai lá e digita duas teclas. A impressora da idade da pedra dá um tranco e, rebolando-se a ponto de quase cair da mesa, pare, afinal, o precioso “certificado internacional de vacinação”.

Muito obrigado”.

Amargando um sentimento de cumplicidade conformada passo a porta do aeroporto e piso novamente o solo pátrio entendendo um pouco melhor a mecânica da tragédia brasileira.

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