A aterrorizante perspectiva de ter de trabalhar

18 de outubro de 2011 § 1 comentário

Os funcionários da Infraero de Guarulhos, Brasilia e Viracopos vão parar nesta quinta e sexta feiras em protesto contra a privatização desses aeroportos dos quais o governo do PT teve de abrir mão pela mesma razão que explica toda concessão em favor da eficiência que ele eventualmente é levado a fazer: por absoluta falta de alternativa e forçado pelo mundo lá fora.

Ele vai ser obrigado a privatizar esses aeroportos que continuam placidamente estacionados lá nos meados do século 20, apesar deles nos cobrarem a maior carga de impostos do mundo, não para tirar do sufoco os brasileiros – pessoas ou produtos – que diariamente precisam passar por eles, mas porque não dá pra fazer uma Copa do Mundo de futebol e não dar meios de ingressar no país às torcidas estrangeiras.

A mesma razão, enfim, pela qual teremos, afinal, uma “guaribada” em meia dúzia dos ruinosos estádios de futebol que ainda resistem em pé pelo país do futebol afora.

Seguimos, então, dentro do velho padrão. Da libertação dos escravos no século 19 à libertação dos morros cariocas no século 21, o Estado brasileiro só faz favores ao povo quando é forçado a tanto “pra inglês ver”.

Não é de estranhar, portanto, que os atuais donos dos nossos aeroportos que são os funcionários da Infraero estejam apavorados. Pois terão de deixar a plácida Ilha da Fantasia onde o modelo vigente é este dos juízes federais que, no momento mais negro da economia mundial dos últimos dois séculos, também estão iniciando uma greve para arrancar nada menos que 50% de aumento do zé povinho, que é quem lhes paga o salário, a quem eles oferecem em troca aquele padrão de “serviço” em que se leva um mínimo de 10 anos para processar cada roubo de galinha ocorrido no país.

Isso para não lembrar que os aumentos do judiciário são só a primeira marola do tsunami que costuma vir atras, com o funcionalismo em peso subindo automaticamente para o novo “teto” ou exigindo “isonomia”.

 

O sindicato dos aeroportuários, que comandará o espetáculo neste final de semana parando, se puder, também a torre de controle de Guarulhos, o que vale dizer parar o país inteiro, fala em nome, contados apenas esses três aeroportos, de cinco mil funcionários, numero que, eles são os primeiros a saber, não faz nenhum sentido técnico ou econômico. Tanto que prevêm que a primeira medida que será tomada quando passarem para o árido mundo da economia real em que vive quem os sustenta, será a demissão dos funcionários em excesso.

E não é só isso.

Adeus promoções por “tempo de serviço”; adeus contratações por lealdade política; adeus reajustes de salário por isonomia; adeus aposentadoria privilegiada; adeus ao trabalho sem pressões; adeus às ausências não descontadas; adeus estabilidade no emprego a qualquer custo.

Vem aí o demônio do mérito, o compromisso com o desempenho!!!

Os funcionários da Infraero, coitados, estão diante da aterrorizante perspectiva de ter de trabalhar!

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