Se correr o bicho pega; se parar, o bicho come (texto)
4 de novembro de 2026 § Deixe um comentário
O cara se elegeu prometendo:
- Desmonte do “deep state”
- Morro abaixo no excesso de regulamentos para libertar o empreender
- Redução de impostos
- Guerra nenhuma
Entregou:
- Tarifaço encima de todos os aliados
- Caçada implacável aos Imigrantes
- Guerra do Irã
O Irã foi o que acabou de matá-lo.
Todo mundo cansou de avisá-lo sobre a sinuca de bico que Ormuz era…
“É a economia, seu burro”!
O resto é “peanuts”…
O sistema americano provou mais uma vez a beleza que o faz o inimigo nº 1 de todos os Lula’s com seus STF’s do mundo.
É o único do planeta, com exceção, talvez, do suíço, que é 100% feito para por os cidadãos mandando no Estado, e não o contrário.
Não ha ego flamejante, nem turbinado por bilhões de dólares, que se lhe sobreponha.
Os Lulas do mundo têm toda a razão: é preciso que essa natureza essencial da democracia americana permaneça escondida e falsificada para as massas oprimidas do resto do mundo, ou não vai sobrar autocrata nenhum em pé, com seus mamadores em tetas, nem que subornem seu povo inteiro.
As “midterm” foram feitas exatamente para o que foram usadas ontem:
- são um substituto mais prático para o recall para os representantes eleitos no nível federal, que passa a ser automático a cada dois anos, e
- são um eficiente breque para presidentes encantados consigo mesmos, quando necessário.
Como no nível federal quem manda mesmo, no final das contas, é o Congresso dos Representantes Eleitos do Povo, de quem de fato emana todo o poder, se o cara pirou, breque nele.
E como todos piram, porque o poder corrompe, tanto mais quanto mais absoluto for, como nós brasileiros sabemos tão bem, desde 1918, só um partido do presidente no poder conseguiu eleger deputados federais a mais nas ‘midterms’, e só cinco conseguiram senadores a mais, sempre nos momentos de grandes crises, como a Grande Depressão, a Crise dos Mísseis em Cuba, o início da Guerra do Vietnã, o início da Guerra contra o Terror…
Em todos os outros casos, os presidentes tiveram o que Trump está tendo.
Desta vez a dose está sendo grande porque ele está colhendo o que plantou.
Donald Trump ja deu demonstrações, na sua vida de empresário, de que põe o seu ego à frente ate dos números, e já quebrou a cara nos negócios antes por isso.
Parece ter sido o caso mais uma vez:
- os tarifaços me remetem ao “A arte da negociação” aquela ode que ele entoou ao se próprio ego: fazem mais sentido para provocar essas negociações “espertas” do que para qualquer outro propósito racionalmente discernível;
- a truculência desnecessária e racista do ICE x a importância eleitoral dos imigrantes, vista pelo lado mais soft, é um erro aritmético crasso, e pelo lado menos soft, como algo com raízes psicológicas mais profundas.
- a guerra do Irã, e suas óbvias consequências econômicas, seu erro mais fatal, me parece o de inspiração menos negativa: houve uma matéria do NYT, em particular, passada por um traíra que estava lá, que pôs o leitor dentro do “situation room”. E eu vi um homem exasperado por assistir impotente, ao vivo e por dias a fio, a monstruosidade do massacre pelos assassinos dos aiatolás, da juventude iraniana que ele mesmo tinha insuflado a se rebelar, vendo ao vivo, de repente, um monte daqueles genocidas entrando numa mesma ratoeira, e não resistiu a apertar o botão e mandar todos eles pelos ares.
Deu no que deu…
O sistema americano, não obstante, continua de looonge o melhor, senão o único, já inventado para os roubados deste mundo.
O que mudou foi o mundo, e com ele os americanos.
De repente o mundo caiu na internet, o mercado se tornou global e o Ocidente naïve tratou a China como igual, deu a ela o consumo que ela tinha assassinado em casa, e pôs o inimigo para dentro de casa.
E o maior latifúndio escravocrata do planeta inundou o mundo com seus monopólios e seus preços vis, matando direitos, esmagando trabalhadores.
E aí foi pânico pra quem vive de voto.
Crescer ou morrer!…
…e o mundo se achinezou.
E lá se foram, por água abaixo, os controles democráticos que Theodore Roosevelt tinha imposto ao Poder Econômico, o irmão siamês do Poder Politico.
Quem sofre na pele as consequências da associação desses dois fica com vontade de virar palestino…
Donald Trump é o produto típico desses EUA pós antitruste.
O tycoon do vale tudo por dinheiro, para o qual a humanidade se resume a “winners” e “loosers”.
A síntese do capitalista sem deus e sem a superioridade moral daqueles EUA que os filmes de Frank Capra festejavam, e que ate os inimigos secretamente admiravam.
A cara mais feia dessa associação são os monopólios da mídia.
Ainda estão lá, nesta eleição mesmo, os Estado Unidos dos tempos da diversidade e da concorrência absolutas.
Foram diretamente eleitos ontem:
- 36 governadores,
- 296 altos funcionários estaduais em 43 estados
- 88 legislativos estaduais, envolvendo câmaras e senados estaduais,
- 6.139 cadeiras legislativas,
- 25 supremas cortes estaduais,
- milhares de membros de “school boards”
- “City councils”
- Prefeitos
- Todos, sem exceções, sujeitos a recall, dando nós em pingos d’água para agradar a freguesia.
Foram votados 15 processos de recall envolvendo 24 funcionários.
Foram decididas 164 leis estaduais tratando de:
- Regras eleitorais
- De identificação de eleitores
- Alterando ritos para proposição e aprovação de leis de inciativa popular
- Leis de combate ao crime e Legislação penal
- leis reduzindo ou disciplinando impostos
- Regras urbanísticas
- De meio ambiente
- Tratando de data centers
- Decisões sobre gênero, uso de drogas, educação, direitos dos pais
Tudo que aqui te cagam de cima os Dinos, os Alcolumbres, os Lulas e o resto da escória da humanidade, lá é decidido diretamente pelo povo.
Mas nada disso está mais nas manchetes das 4 ou 5 plataformas que sobraram, nem mesmo lá.
Só restam, nelas, a “esquerda” e a “direita”, que vira e mexe trocam de roupa uma com a outra, e suas fanáticas torcidas sobre o nada.
O que há de novo, nos Estados Unidos, é esse novo tipo de americano que torce furiosamente por este ou por aquele presidente; por este ou por aquele politico profissional
O sistema continua funcionando como foi feito pra funcionar. Ainda bem que desaceleramos um Trump que perdeu o breque. Mas o duro é os americanos — e o resto do mundo — ficarem com esses democratas francamente antidemocráticos de hoje, que juram ódio a tudo que a cultura ocidental representa.
Parte está imerso naquele socialismo jurássico tipo Marilena Chauí, com cheiro de barracões da USP dos anos 70 — e parte é aquele tipo ôco o suficiente para fazer o que quer que seja preciso para evitar o terror atávico à expulsão do bando, que condenava à morte esse animal gregário que nós fomos.
Não tem mais pra onde fugir: se correr o bicho pega, se parar o bicho come.
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