A solução de Lula para a crise fiscal vai ser tabelar os juros?
2 de novembro de 2026 § 1 comentário

O assunto tomou conta do noticiário econômico hoje.
Tudo começou com uma nota do colunista Lauro Jardim em O Globo.

Ele informou que o economista André Lara Resende teria uma reunião marcada com Lula nesta semana.
Foi o suficiente para assustar o mercado às vésperas da divulgação da taxa Selic pelo Copom.
O motivo? Uma proposta do economista para “tabelar” os juros.
Integrante das equipes que formularam o Plano Real e o Plano Cruzado e ex-presidente do BNDES, Lara Resende publicou recentemente um artigo em que acusa o Banco Central de “sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”.
Ele defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que imponha uma redução gradual da Selic dos atuais 13,75% ao ano para cerca de 7,5% em 12 meses.

A situação se agravou quando Gleisi Hoffmann, em suas redes sociais, elogiou as críticas do economista à política monetária do Banco Central e questionou a prioridade dada às despesas primárias.
Para a ex-ministra, as ideias de Lara Resende seriam fundamentais para enfrentar a “ofensiva terrorista” contra a política fiscal brasileira.
O barulho foi tanto que, hoje, em pleno feriado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, veio a público para dizer que o tabelamento de juros não está em discussão com o presidente Lula.

Também negou que haja uma reunião agendada de Lula com Lara Resende.
Segundo ele, o governo não avalia propostas para tabelar juros ou gastar reservas internacionais.
Apesar da resposta de Durigan, o economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula na campanha à reeleição, distribuiu hoje um texto em que celebra o fim do “pensamento único” nos debates econômicos e rejeita políticas de “austeridade contra o eleitor”.
Em um documento de 11 páginas, ele elogia o economista André Lara Resende.

“Merece atenção especial a proposta de André Lara Resende de criação de um mecanismo mais amplo do que o CMN [Conselho Monetário Nacional] para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil. O pior dos mundos é a situação de conflito de objetivos entre as duas políticas no curto prazo”, escreveu Gabrielli.
A proposta
de Lara
Resende
A tese de Lara Resende é que o Brasil não precisa manter juros tão altos e que o maior responsável pelo crescimento da dívida pública é o custo dos juros, e não o gasto primário do governo.
Na prática, o novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional definiria, por quatro a cinco anos, metas coordenadas de política fiscal e monetária.
Nesse arranjo, a Selic ficaria, em condições normais, entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do PIB, estimado por ele em cerca de 5,5%.
O economista reconhece que a medida pode provocar, no curto prazo, desvalorização do real, saída de capitais e repique de inflação, mas, para reduzir esse risco, sugere usar parte das reservas internacionais do Banco Central, estimadas em US$ 350 bilhões.
O alerta
de agentes
do mercado
Agentes do mercado financeiro dizem que fixar limites à Selic por decisão política pode reduzir a autonomia do Banco Central, desancorar as expectativas de inflação e caracterizar uma situação de dominância fiscal, na qual a política monetária passa a servir às necessidades das contas públicas.
Além disso, argumentam que o Brasil não pode tratar sua moeda como se fosse o dólar.
Segundo eles, reduzir juros sem ajuste fiscal em uma economia emergente com histórico de inflação alta e volatilidade cambial pode gerar fuga de capitais, dólar mais alto, inflação e perda de poder de compra, atingindo sobretudo a população de menor renda.
Veja o que alguns economistas falaram sobre o tabelamento de juros:
- Sérgio Vale (MB Associados): forçar a queda da Selic por decisão política pode reproduzir o erro de 2012, quando a inflação subiu ao teto da meta; no cenário atual, o efeito provável seria mais depreciação cambial e mais inflação.
- Marcos Mendes (Insper): a proposta depende de um ajuste fiscal estrutural que é justamente o principal obstáculo; sem equilibrar receitas e despesas, a redução dos juros não resolve a dívida pública.
- Jason Vieira (Lev): teme que a discussão abra espaço para uma política inspirada na Teoria Monetária Moderna, que considera inadequada e de baixa qualidade para o Brasil.
- Roberto Dumas (GCB): considera equivocada a combinação de reduzir a Selic para cerca de 7% e vender reservas internacionais para sustentar o câmbio.
Lara Resende
x John Cochrane
André Lara Resende recorre a John Cochrane para argumentar que os juros altos no Brasil alimentam a própria dívida que dizem combater — mas a convergência teórica entre os dois não significa um aval à receita de cortar a Selic.
Neste ensaio com link a seguir, o autor explica onde os diagnósticos se encontram, onde se separam e por que a credibilidade fiscal decide o resultado.


Sim no Brasil tudo é possível, tabela de juros, calote pré anunciado e outras brasilidades
E a senhora paranaense enxotada pelo voto em seu estado já começa a mostrar serviço.
A cada eleição em que o fantoche fantasiado de PR é colocado lá, é garantia de emprego para os enxotados.