A canetada da esquerda na Polônia para tentar tomar o STF de lá
31 de outubro de 2026 § Deixe um comentário

O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, convocou hoje reuniões de crise com representantes dos partidos políticos, depois de um confronto em torno da legalidade de juízes do Tribunal Constitucional, o STF de lá, que opõe o governo do primeiro-ministro Donald Tusk, de centro-esquerda, à direita nacionalista do país.

Basicamente, e guardadas as devidas proporções, a coalizão que dá sustentação ao premiê polonês acusa os magistrados colocados pelo partido conservador PiS na corte superior de fazer o que Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin fazem por aqui.
Não por acaso, o presidente do Supremo, Edson Fachin, já se pronunciou.
Afirmou hoje que a crise polonesa é um “sério alerta global”.
E acrescentou: “A defesa da independência judicial é inseparável da defesa da democracia. Quando a Justiça perde sua liberdade de decidir, toda a sociedade perde garantias, e o Estado de Direito fica ameaçado”.
Na próxima legislatura, a direita brasileira será maioria no Congresso e, principalmente, no Senado, onde se vota o impeachment de ministros do STF.
O que
aconteceu
Ontem, a juíza Anna Korwin-Piotrowska anunciou a suspensão, por um mês, do presidente do Tribunal Constitucional, Bogdan Święczkowski, e do vice-presidente, Bartłomiej Sochański.
Ela alegou que os dois impediam cinco magistrados eleitos pelo Parlamento de exercer suas funções.
A decisão foi publicada no site oficial do tribunal e levou a polícia a cercar a sede, em Varsóvia, após pedidos da própria juíza e do procurador-geral, Waldemar Żurek, que apontaram possíveis ameaças a juízes e funcionários.
A direção do tribunal contestou a medida, afirmou que Święczkowski permanece no cargo e acusou os envolvidos de tentativa de golpe de Estado.
Origem
da disputa
O Tribunal Constitucional polonês tem 15 juízes, escolhidos pelo Parlamento para mandatos de nove anos.
A crise decorre da disputa sobre a validade das nomeações feitas durante o governo do partido Lei e Justiça (PiS), que governou entre 2015 e 2023 e é apoiado pelo presidente Nawrocki.
Em março de 2026, o Parlamento, controlado pela coalizão do primeiro-ministro Tusk, elegeu seis novos juízes, mas Nawrocki deu posse a apenas dois.

Os demais prestaram juramento no próprio Parlamento. Para o governo, isso é suficiente, enquanto o presidente considera a cerimônia de posse indispensável.
Tusk defende que a ação restaura o Estado de Direito após anos de “ilegalidades” atribuídas ao PiS.
Nawrocki e a direita afirmam, ao contrário, que o governo tenta tomar ilegalmente o tribunal e desrespeitar a Constituição.
Eles sustentam que a juíza Anna Korwin-Piotrowska não tem legitimidade para suspender a direção do tribunal.
Reação
presidencial
Nawrocki estava em viagem ao Senegal e interrompeu o voo para retornar a Varsóvia.

Ele se reuniu com o presidente suspenso do tribunal e foi à sede da corte, cercada por policiais e manifestantes favoráveis ao PiS.
A polícia impediu a entrada de apoiadores da oposição e deteve três pessoas que tentaram acessar o prédio.
Para a direita, a polícia está protegendo uma tentativa de golpe. Seus representantes alertam que os manifestantes são defensores da democracia, e não ameaças à ordem.
Imagens dos distúrbios violentos na França foram divulgadas como sendo dos manifestantes na Polônia.
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