Incongruências matemáticas, geográficas, ideológicas e regionais

27 de outubro de 2026 § 1 comentário

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Incongruências
geográficas

Dos 11 milhões de votos extras de Lula, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, juntos, deram mais da metade.

Desses quatro estados, dos quais três elegeram governadores e senadores de direita no primeiro turno, saíram 5,5 milhões de votos a mais para Lula em comparação com o primeiro turno e apenas 2,05 milhões de votos a mais para Flávio.

Incongruências
ideológicas

Lula cresceu em todas as 27 unidades da Federação, na contramão das eleições para governadores, senadores e deputados, mas teve os maiores avanços justamente em territórios de forte presença da direita: Goiás, Santa Catarina e Paraná.

Em Goiás, estado de Ronaldo Caiado — que declarou voto em Flávio —, Lula teve o maior crescimento proporcional do país: 33,37% a mais do primeiro para o segundo turno, saindo de 1.188.880 para 1.585.555 votos, alta de 9,28 pontos percentuais.

Flávio também cresceu no estado, mas em ritmo muito menor, o que significa que Lula capturou mais votos novos.

Em Santa Catarina, reduto da família Bolsonaro, Lula saltou de 31,06% para 40,34% dos votos válidos, um ganho de 396.675 votos, enquanto Flávio caiu de 66,65% para 56,11%.

Sim, na virada de turno, Flávio caiu mais de 10% no estado que rejeitou Gleisi Hoffmann e elegeu Carlos Bolsonaro.

Incongruências
regionais

Em mais uma distorção, enquanto Lula recebeu mais votos em todas as unidades da Federação, Flávio teve menos votos do que tinha tido no primeiro turno em seis estados: Roraima, Tocantins, Maranhão, Amapá e Amazonas.

Sim, menos votos de um turno para o outro em seis estados.

Minas Gerais, cujo governador eleito no primeiro turno declarou voto em Flávio, além de ter dado uma vitória regional para Lula, foi o estado que concentrou o maior número de municípios “virados”, com 76, seguido por São Paulo (com 33), Paraná (com 20), Rio Grande do Sul (com 19), Goiás (14) e Tocantins (12), todos com governadores eleitos de direita ou centro.

Além disso, Lula teve mais votos que Flávio no segundo turno em 5.335 municípios e piorou em apenas 16 do primeiro para o segundo turno — e venceu Flávio, no segundo turno, em 213 municípios de 18 estados nos quais havia perdido no primeiro turno, incluindo as capitais Rio de Janeiro e Macapá.

Também chamou a atenção a diferença de ganhos do primeiro para o segundo turno em duas regiões.

No Sudeste, Lula teve um acréscimo de 4,79 milhões de votos e, no Nordeste, de 2,95 milhões de votos.

Para comparação: Flávio conseguiu 1,94 milhão a mais entre os eleitores do Sudeste e só 397 mil a mais entre os nordestinos.

Já no Centro-Oeste, terra do agronegócio e outro tradicional reduto da direita, Lula saltou de menos de 3 milhões de votos para mais de 5 milhões, quase se equiparando a Flávio.

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