Tudo que a matemática não explica nesta eleição
26 de outubro de 2026 § Deixe um comentário

Os números da eleição de domingo deixam mais perguntas do que respostas.
Lula obteve 10,5 milhões de votos a mais do primeiro para o segundo turno.
Um salto 3,3 vezes maior do que em 2022.
Flávio conseguiu cerca de 4 milhões de votos a mais, menos da metade dos outros candidatos.
Juntos, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, todos de direita, tiveram cerca de 9,5 milhões de votos.
O aumento do comparecimento e a redução de brancos e nulos não explicam essa diferença.
No segundo turno, houve queda de brancos, nulos e abstenções, o que representou um acréscimo de no máximo 5 milhões de votos de um turno para o outro.
Lula recebeu mais votos em todas as unidades da Federação, enquanto Flávio teve menos votos em seis estados: Roraima, Tocantins, Maranhão, Amapá e Amazonas.
Em Santa Catarina, reduto da direita, do primeiro para o segundo turno, Lula subiu de 25% para 43% dos votos e Flávio caiu de 66,65% para 56,11%.
Sim, Flávio caiu mais de 10% no estado que rejeitou Gleisi Hoffmann na virada de turno.
Em Goiás, estado do ex-governador Ronaldo Caiado, Lula cresceu 400 mil votos e Flávio, apenas 290 mil.
Em mais um resultado espantoso, Lula teve mais votos em 5.335 municípios e piorou em apenas 16 do primeiro para o segundo turno.
E ainda: venceu Flávio, no segundo turno, em 213 municípios nos quais havia perdido no primeiro turno.
A comparação mostra mudanças em cidades de 18 estados, incluindo duas capitais: Rio de Janeiro e Macapá.
Minas Gerais é o estado que concentra o maior número de municípios “virados”, com 76.
Na sequência, aparecem São Paulo, com 33; Paraná, com 20; Rio Grande do Sul, com 19; Goiás, com 14; e Tocantins, com 12.
Juntos, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia deram 5,5 milhões de votos a mais a Lula em comparação com o primeiro turno, enquanto Flávio ganhou 2,05 milhões de votos somados nesses quatro estados, sendo que três deles elegeram governadores e senadores de direita no primeiro turno.
Nas regiões do país, Lula teve os maiores ganhos do primeiro para o segundo turno no Sudeste (+4,79 milhões) e no Nordeste (+2,95 milhões).
Para comparação: Flávio conseguiu 1,94 milhão a mais entre os eleitores do Sudeste e só 397 mil a mais entre os nordestinos.
No Centro-Oeste, terra do agronegócio, Lula saltou de menos de 3 milhões de votos para mais de 5 milhões, quase se equiparando a Flávio.
Além dos números, o comportamento do mercado de previsões Polymarket também mostrou incongruências.
Os registros indicam que a cotação de Lula começou a subir antes de a apuração oficial mostrar sua vantagem, com movimentos incomuns cinco minutos antes da divulgação da decisão que prorrogou a votação e entre 17h56 e 17h59, quando a apuração ainda estava suspensa.
O mercado passou a favorecer Lula com cerca de 30 a 40 minutos de antecedência em relação aos números oficiais.






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