Mensagens de Vorcaro provocam guerra entre Grupo Folha e o portal Metrópoles

17 de outubro de 2026 § Deixe um comentário

Na quinta-feira, uma reportagem do portal UOL republicada pela Folha estampava em sua manchete que “Daniel Vorcaro editava textos do site Metrópoles antes de irem ao ar”.

Segundo a matéria, ao menos 14 textos foram enviados previamente ao ex-banqueiro, sendo que 11 deles acabaram alterados.

O portal Metrópoles fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o Banco Master.

Dados extraídos do celular de Vorcaro mostram diálogos dele com a CEO do grupo, Lilian Tahan, com indícios de interferência editorial.

Ontem, veio o troco.

O Metrópoles obteve mensagens que indicam que Daniel Vorcaro ofereceu R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para adiar e amenizar uma reportagem sobre ele na Folha de S.Paulo, em agosto de 2024, quando a publicação poderia prejudicar operações decisivas para o Banco Master.

“Gasta todos seus cartuchos aí, se você conseguir segurar e não sair nada, você tem um prêmio de R$ 1 milhão”, escreveu Vorcaro a Barros, que depois informou: “A Folha vai segurar a matéria. O Sérgio me respondeu agora”, em referência ao diretor de redação Sérgio Dávila.

A reportagem foi publicada em 30 de agosto, após pelo menos 22 dias, e, segundo o Metrópoles, incluiu trechos favoráveis ao Banco Master previamente repassados por Barros e aprovados por Vorcaro, como dados sobre patrimônio líquido, aquisições e a descrição dos CDBs do banco como “os mais rentáveis do mercado”.

Depois da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, a Folha retirou trechos elogiosos e inseriu a descrição de uma “estratégia agressiva de venda de CDBs”, sem informar ao leitor, segundo o portal, que partes do texto original haviam sido suprimidas ou alteradas.

A Folha nega as acusações.

Em sua página, diz que “o portal Metrópoles, de propriedade do ex-senador Luiz Estevão, condenado a 31 anos de prisão por desvio de recursos públicos, hoje em progressão de pena, prepara uma reportagem em retaliação a denúncia revelada pelo UOL e republicada pela Folha na última quinta-feira”.

O jornal explica que a reportagem “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama atenção por aquisições em série e festa com Alok”, das repórteres Júlia Moura e Joana Cunha, mostrava a expansão e os resultados financeiros do grupo e apontava questionamentos sobre solvência, operações investigadas, risco previdenciário, CDBs e relações com autoridades.

E continua: “Durante sua apuração, o então assessor de imprensa de Vorcaro, Guilherme Barros, pediu uma visita ao jornal, na qual prometeu que o ex-banqueiro forneceria o outro lado ‘on the records’ para as repórteres. O pedido foi aceito, a posição do ex-banqueiro foi registrada, e a reportagem foi publicada dias depois, tão logo a apuração foi concluída. Ao final, Barros pediu que a visita não fosse registrada no Painel da Folha, como é praxe do jornal — o pedido não é inusual, e o jornal concordou com a demanda”.

No fim, a Folha publicou as respostas às perguntas que o Metrópoles enviou ao seu diretor.

  1. Na conversa, Guilherme Barros diz explicitamente que Sérgio Dávila segurou a publicação da reportagem “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção para aquisição em séries e festa com Alok” e o fez atendendo a um pedido de Vorcaro, repassado pelo gestor de crise. A Folha gostaria de comentar?

A reportagem não foi segurada porque não estava pronta. O pedido de Vorcaro foi de prazo para ser ouvido, o que foi concedido.

  1. No dia seguinte ao adiamento da matéria, Sérgio Dávila pediu para “tomar um café” com Daniel Vorcaro, na sede da Folha. Dávila confirma que partiu dele o pedido para o encontro? Por que razão a reunião não foi registrada na coluna Painel, como é praxe no jornal?

O pedido de café foi de Guilherme de Barros, com o objetivo de o ex-banqueiro dar o seu lado para a reportagem, assim como o pedido para que a visita não fosse registrada no Painel. Ele foi atendido em ambas as demandas.

  1. Guilherme Barros recebeu de Vorcaro R$ 1 milhão para segurar e, depois, “amenizar” o texto da reportagem publicada pela Folha. As edições da reportagem publicadas no impresso e na versão digital demonstram que os anseios de Vorcaro foram atendidos. Mais de um ano depois, o texto publicado no digital foi editado, e trechos favoráveis ao banqueiro foram suprimidos sem que o leitor fosse informado da decisão do jornal. O que a Folha diz sobre isso?

Os anseios de Vorcaro não foram atendidos, a reportagem não foi segurada, saiu no prazo programado, e não foi amenizada, saiu em sua versão original. As alterações posteriores foram para incluir a prisão do ex-banqueiro, ocorrida no ano seguinte. O leitor sempre é informado de alterações feitas, por meio de aviso publicado abaixo da data original.

  1. Sérgio Dávila tinha conhecimento de que Guilherme Barros recebeu R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro para interferir na dinâmica e no conteúdo da reportagem em questão?

Não, apenas depois de ler as mensagens vazadas nos últimos dias.

  1. A Folha recebeu algum patrocínio ou verba de publicidade de alguma empresa ou negócio vinculado a Daniel Vorcaro?

Sim, ao longo de cinco anos a Folha recebeu um total de R$ 516.441,60 em anúncios veiculados no jornal, ou cerca de 2,58% do total de R$ 20 milhões recebidos em apenas um dos pagamentos feitos por Vorcaro ao Metrópoles.

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