A rede de influência do dono do Master em sites de notícia

15 de outubro de 2026 § 1 comentário

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro criou uma rede de influência em sites de notícias por meio de patrocínios e investimentos de empresas ligadas a ele, segundo mensagens extraídas pela Polícia Federal de seu celular.

Por esses aportes, ele interferia em critérios jornalísticos e decidia o que deveria ser publicado e em qual tom, com influência direta sobre reportagens do Brazil Journal, IstoÉ, PlatôBR, DCM e CartaCapital.

As informações são do portal UOL.

No PlatôBR, cuja sócia é a Foone, empresa de Flávio Carneiro, assessor de imagem de Vorcaro, o banqueiro recebia textos antes da publicação. “Vou te mandando as minutas e você analisa e publicamos”, escreveu Carneiro em março de 2025.

Na mesma época, Vorcaro reclamou do destaque dado a precatórios em entrevista do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. “Colocar esse tema precatório no subtítulo também não é legal”, disse. Carneiro respondeu: “Vamo alterar agora”.

Em agosto de 2025, Vorcaro ordenou: “Não deixa Platô falar de Ciro e Rueda”, referindo-se aos presidentes do PP e do União Brasil.

No mesmo mês, pediu que o site atacasse Ricardo Cappelli: “Tem que pegar o Platô e moer esse Cappelli”. Carneiro respondeu: “Vamo desancar esse desgraçado”.

No Brazil Journal, o fundador Geraldo Samor consultava Vorcaro sobre reportagens do Master antes de publicá-las e atendia a pedidos de alteração. Em fevereiro de 2024, Vorcaro pediu: “A frase avenida pra agronegócio você pode tirar?”. Samor respondeu: “Atualizado”.

Sobre a compra do Will Bank, Vorcaro pediu: “Me faz um favor, tira o nome Voiter, vamos falar só que anunciamos reorganização societária”. Samor respondeu: “Mudei”.

Em abril de 2024, Vorcaro pediu que Samor acrescentasse que “os três ministros do STF” — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes — haviam se reunido “privadamente” com Tony Blair antes de um debate promovido pelo Master em Londres.

A participação de Vorcaro no Brazil Journal foi feita por meio da BJ Conteúdo, empresa de vídeos e eventos criada por Samor em 2023, na qual a Foone, de Carneiro, ficou com 49,86% das participações.

No DCM, Felipe Mourão, responsável pela reputação digital de Vorcaro, negociou um acordo mensal para que o site não publicasse críticas ao banqueiro. “Uma frase com meu nome ou Master” não poderia sair, segundo a condição imposta por Vorcaro.

Em outubro de 2024, Mourão confirmou: “Dcm está pago e fechado”. O acordo também permitia ao grupo publicar mensalmente “uma matéria positiva ou negativa de alguém”.

Em maio de 2025, quando o DCM publicou artigo crítico ao Master, Vorcaro mandou: “tirar isso imediato”. O texto foi apagado no mesmo dia.

Na CartaCapital, a relação era mais antiga. A revista fechou em 2021 um contrato de patrocínio de cinco anos com o Banco Máxima, depois renomeado Master, e o banco já havia adiantado R$ 300 mil em dezembro de 2020.

A diretora Manuela Carta avisou Vorcaro que precisaria de “mais um recurso para a próxima folha de pagamentos” no início de 2021. Em agosto de 2023, a revista deixou com ele a decisão sobre publicar uma reportagem em preparação, no contexto de negociações para sua entrada como sócio, que não se concretizou.

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