Transcrição do trecho da entrevista

6 de outubro de 2026 § Deixe um comentário

MIKE BENZ: O que aconteceu no Brasil foi um verdadeiro show de Truman. A mídia era financiada pela USAID. As universidades eram financiadas pela USAID. Os funcionários do Supremo Tribunal Federal e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) eram financiados pela USAID. Todos os defensores do direito constitucional eram financiados pela USAID. Os ativistas LGBT eram financiados pela USAID…

É um espectro completo. Se você andasse por um quarteirão em São Paulo ou, sei lá, Brasília, teria uma visão de 360 graus de instituições financiadas e manipuladas pela USAID sem nem mesmo saber disso. Aliás, a USAID, sabendo o que estava fazendo — e preciso ter cuidado com o que posso e não posso dizer aqui —, digamos apenas que alguém se surpreenderia, por exemplo, se a USAID estivesse instruindo seus beneficiários no Brasil a removerem o logotipo da USAID para que a ligação deles com a agência não fosse divulgada?

Eles sabiam o que estavam fazendo. Sabiam o quão delicado era o assunto. Você ficaria surpreso, por exemplo, se a USAID, que basicamente estabeleceu o estado de censura no Brasil — e isso é algo… deixe-me fazer uma breve mudança de assunto —, é verdade que esta é a primeira eleição brasileira, desde as eleições municipais de 2020, que não conta com o dinheiro da USAID circulando em torno de Lula e seus aliados, mas ainda assim é uma eleição que, de muitas maneiras, está sob a sombra do fantasma da USAID?

Existe algo que eu chamo de dilema do relojoeiro, que é o seguinte: mesmo sem a presença da USAID, as mudanças institucionais e legais pelas quais um país passa continuam vigendo mesmo que o financiamento da USAID seja cortado a zero. Por exemplo, no Brasil, existe esse aparato por meio do STF e do TSE, o Supremo Tribunal Federal. É, basicamente, o tribunal eleitoral que decide tudo relacionado às eleições.

Depois que Bolsonaro venceu em 2018, o TSE, com Alexandre de Moraes, o famoso juiz Voldemort, declarou a desinformação uma ameaça a eleições livres e justas. Não apenas a desinformação durante o período eleitoral, mas a desinformação em qualquer época. A informação que induz a erro, a desinformação sobre qualquer assunto, porque ela pode contaminar o senso das pessoas sobre o que é verdadeiro ou falso no ecossistema da informação, e isso poderia ter um impacto em uma eleição daqui a três anos, se for permitido que essa informação falsa circule online.

Isso foi criado pela USAID, que inundou a região, mantendo contato em todos os níveis com o TSE e com o tribunal de Alexandre de Moraes.

Eu depus perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro e expus fotos do site da USAID que mostravam Alexandre de Moraes sendo treinado pelo CEPS (Programa de Economia Competitiva), organização beneficiária da USAID, e pela NED (Fundação Nacional para a Democracia), que recebeu US$ 3 bilhões da USAID e foi criada pela Agência Central de Inteligência (CIA).

Cada aspecto, por exemplo, acho que quatro ou cinco dos nove grupos internos que fizeram todas as denúncias no TSE foram financiados pela USAID ou pelo Departamento de Estado, que é uma espécie de parceiro, tudo o que a USAID faz supostamente serve aos interesses do Departamento de Estado. A lista é interminável, e esse aparato ainda é usado como arma de uma forma inacreditável no Brasil.

Agora, finalmente, ela tem a chance de ser esmagada, de ser reduzida a pó, caso Bolsonaro vença o segundo turno das eleições no final do mês.

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