Com 121 deputados do PL, Câmara deve substituir Hugo Motta

5 de outubro de 2026 § Deixe um comentário

A Câmara dos Deputados que tomará posse em fevereiro de 2027 terá maioria de parlamentares eleitos por partidos de direita e centro-direita.

A renovação deve tirar Hugo Motta da Presidência da Casa — em vez de discutir os superpoderes do cargo, que violam todos os princípios da democracia, dando a duas pessoas mais poder do que a 594 parlamentares eleitos, entre senadores e deputados.

O PL elegeu 121 dos 513 deputados, ou 23,6% da Câmara, e terá a maior bancada de um único partido desde a redemocratização, consolidando o avanço da oposição a Lula.

A federação PT-PCdoB-PV ficará em segundo lugar, com 88 cadeiras, das quais 70 são do PT, enquanto a federação União-PP terá 87 deputados, o PSD contará com 43, o Republicanos com 41 e o MDB com 36.

O fenômeno
Nikolas
Ferreira

Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, foi reeleito com 3.119.318 votos e se tornou o deputado federal mais votado da história do país, superando o recorde de Eduardo Bolsonaro, que havia recebido 1.843.735 votos em São Paulo em 2018.

Lucas Pavanato, do PL de São Paulo, obteve 3.038.438 votos, tornou-se o segundo deputado federal mais votado da história e também ultrapassou a marca anterior de Eduardo Bolsonaro.

Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, apareceu em terceiro lugar nacional, com cerca de 1,6 milhão de votos.

Em São Paulo, que possui a maior bancada estadual, com 70 cadeiras, o PL elegeu 19 deputados, ante 17 em 2022, enquanto a federação PT-PCdoB-PV manteve 11 vagas.

Além de Lucas Pavanato, Nikolas Ferreira apoiou candidatos eleitos em diferentes estados, entre eles Júlia de Castro no Rio de Janeiro, Guilherme Kilter e Ulysses Moraes no Paraná, Marquinho em Goiás, Daverson Matos em Mato Grosso do Sul e Lucas Polese no Espírito Santo.

Apesar da onda de candidatos de direita, a renovação da Câmara foi parcial: 301 deputados foram reeleitos, o equivalente a 58,67% dos parlamentares titulares eleitos em 2022 ou dos suplentes que assumiram durante a legislatura, enquanto 183 eleitos exercerão o primeiro mandato federal, ou 35,67% do total.

As cinco maiores bancadas — PL, Federação Brasil da Esperança, União-PP, PSD e Republicanos — somarão 380 deputados, o equivalente a 74,1% da Câmara.

A distribuição das cadeiras segue o sistema proporcional, no qual as vagas de cada partido ou federação dependem da votação total da legenda, do quociente eleitoral e partidário e da divisão das sobras, e cada candidato precisa atingir ao menos 10% do quociente eleitoral.

Quem vai
ficar com a
Presidência?

O desempenho do PL abre espaço para que o partido dispute a presidência da Câmara em 2027, mas a definição dependerá de negociações com legendas de centro.

A eleição para o cargo será em fevereiro de 2027, no início da nova legislatura, e a ampliação da bancada do PL tornou a disputa mais aberta e difícil para o atual presidente, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, que foi reeleito e deve tentar se manter no comando da Câmara.

Mas a aproximação com o governo Lula em 2026 reduziu sua margem de manobra para montar uma maioria.

O principal nome mencionado dentro do PL é o do líder da bancada, Sóstenes Cavalcante, deputado do Rio de Janeiro, mas a definição ainda depende do resultado do segundo turno presidencial e de negociações por cargos e apoio com outras bancadas.

Mesmo sendo a maior força isolada, o PL não consegue eleger sozinho o presidente da Câmara, pois precisa de maioria absoluta dos votos, isto é, pelo menos 257 deputados.

Por isso, terá de formar acordos com partidos de centro e centro-direita, como Republicanos, União Brasil, PP, PSD e MDB.

PL, União-PP e Republicanos somam 248 cadeiras na projeção inicial, nove a menos do que os 257 votos necessários para a eleição em primeiro turno.

No fim, o PL deve priorizar a tentativa de conquistar a presidência do Senado, com Rogério Marinho, e negociar a Câmara para um aliado.

PL: 121 deputados
PT-PCdoB-PV: 88 deputados
União-PP: 87 deputados
PSD: 43 deputados
Republicanos: 41 deputados
MDB: 36 deputados
Podemos: 27 deputados
PSB: 15 deputados
PSOL-Rede: 15 deputados
PSDB-Cidadania: 11 deputados
Novo: 10 deputados
PRD-Solidariedade: 7 deputados
Avante: 5 deputados
PDT: 6 deputados
Missão: 1 deputado

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