Como um radical extremista se tornou copiloto de um voo para Israel?
3 de outubro de 2026 § Deixe um comentário


Apontado como um suicida com visões extremistas, o copiloto omanita Hamam al-Hammami, de 32 anos, é o principal suspeito de tentar derrubar o voo FZ1073 da Flydubai, que partiu de Dubai com destino a Tel Aviv em 30 de setembro de 2026, após esfaquear o capitão indiano Smit Machchhar na cabine de comando e tentar assumir o controle da aeronave Boeing 737 MAX que transportava 182 pessoas.
Passageiros e tripulantes imobilizaram o agressor após o capitão ferido conseguir abrir a porta da cabine, permitindo que outros pilotos de reserva a bordo assumissem o controle e realizassem um pouso de emergência no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita, cerca de duas horas e meia após a decolagem.
Os investigadores querem entender como al-Hammami, mesmo com seu histórico de radicalismo religioso, poderia ter sido contratado pela Flydubai para voar para Israel e como entrou com uma faca no voo.
As suspeitas também recaem sobre eventuais células terroristas clandestinas nos Emirados Árabes Unidos, onde nasceu e para onde foi levado o copiloto.
Al-Hammami, filho de pai omanita e mãe síria, havia trabalhado anteriormente na Oman Air, onde foi transferido para funções administrativas em 2024 após autoridades omanitas detectarem que ele visitava “sites radicais” durante seu treinamento de piloto.
Ele deixou a Oman Air por volta de 2024 e, segundo seu perfil no LinkedIn, ingressou na Royal Air Maroc em junho de 2025 como primeiro oficial sênior, mas a companhia aérea marroquina afirmou que ele passou apenas cerca de três meses em treinamento teórico e não chegou a voar pela empresa.

Al-Hammami foi contratado pela Flydubai no início de 2026 e trabalhou lá cerca de oito meses antes do incidente.
A pergunta que fica é por que a companhia aérea não consultou o governo de Omã sobre seu histórico.
Se o tivesse feito, saberia que ele era considerado um risco à segurança e foi proibido de voar diante das preocupações com suas visões extremistas.
Contas de mídia social deletadas associadas a al-Hammami continham postagens com vídeos de cabines de avião e imagens ligadas a figuras da Al-Qaeda, incluindo um vídeo que mostrava uma aeronave da El Al em Dubai e terminava com uma imagem de Ayman al-Zawahiri, ex-líder da Al-Qaeda morto em 2022.
Segundo consta, o piloto se recusava até a cumprimentar mulheres.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o episódio como uma aparente tentativa de derrubar o avião e afirmou que se acredita que al-Hammami tenha sofrido “doutrinação radical islâmica”, enquanto o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, descreveu o incidente como uma “tentativa de ataque terrorista jihadista”.
Al-Hammami foi preso após o pouso na Arábia Saudita e posteriormente transferido para os Emirados Árabes Unidos, onde autoridades israelenses devem participar do interrogatório conjunto para determinar os motivos e antecedentes do suspeito, incluindo se o incidente estava ligado a alguma atividade ou propósito terrorista.
Investigadores examinam se al-Hammami agiu sozinho ou como parte de um plano extremista mais amplo planejado com meses de antecedência, com hipóteses que incluem desde um ataque suicida até a possibilidade de ele ter sido recrutado para sequestrar a aeronave e atingir um alvo estratégico, como uma base aérea americana ou instalações israelenses.
A Flydubai suspendeu temporariamente os voos para Israel enquanto a investigação continua, e o caso levantou questionamentos sobre falhas nas verificações de antecedentes de pilotos e na cooperação entre companhias aéreas e autoridades de segurança internacionais.

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