Clubes e TVs sem patrocínio, sites ilegais… O efeito dominó do fim das bets
27 de setembro de 2026 § 2 Comentários


Lula assinou na noite de sexta-feira a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe em todo o território nacional a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de cota fixa, as chamadas bets, incluindo apostas esportivas e jogos online.
A norma entrou em vigor imediatamente e já provocou os primeiros impactos no mercado de televisão, esporte e publicidade.
Horas após a entrada em vigor da MP, casas de apostas iniciaram a rescisão de contratos comerciais com grandes emissoras, entre elas Globo, ESPN e Band. Segundo informações da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, empresas como Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte comunicaram às emissoras o encerramento dos acordos de publicidade e patrocínio.
As emissoras já começaram a remover campanhas de casas de apostas de transmissões esportivas, programas e intervalos comerciais. Na Globo, as bets ocupavam cotas importantes do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. A Band também é afetada por contratos ligados a programas esportivos como Jogo Aberto e Os Donos da Bola. A ESPN iniciou uma força-tarefa para retirar as entregas publicitárias previstas.

O SBT ainda avalia como fará a adequação da programação comercial diante da nova regra. As emissoras não devem cobrar multa pelas rescisões, na expectativa de manter relação comercial caso o setor volte a ser regulamentado.
Clubes de
futebol recebem
notificações
Além das emissoras, clubes de futebol das Séries A e B também já receberam notificações de possíveis rescisões de contratos de patrocínio, caso a proibição seja mantida. Até o momento, quatro empresas começaram a agir: Betano (Flamengo), Novibet (Santos), Superbet (São Paulo e Fluminense) e Esportes da Sorte (Corinthians).

Dos 20 representantes da Série A, 14 têm contratos de patrocínio master com empresas do setor, que podem ser rompidos quando a proibição entrar em vigor. Casas de apostas representam cerca de 7% do faturamento dos clubes da elite do futebol nacional. O Flamengo projeta prejuízo de cerca de R$ 400 milhões com o fim dos patrocínios.
Tarcísio e
Zema criticam
timing
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou como “oportunismo eleitoral” a proibição das bets pelo governo Lula. Apoiador da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, Tarcísio afirmou ser contrário às apostas, mas criticou o momento da iniciativa.

“É claro que é oportunismo eleitoral. O senso de urgência só foi desenvolvido agora? Agora eles perceberam que isso é um problema, faltando nove dias, uma semana para a eleição?”, declarou a jornalistas durante o Encontro da Habitação da Zona Leste, no Itaim Paulista, na capital.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também classificou a medida como “aberração eleitoral”.
Governo
vai socorrer
clubes
O governo pretende fazer uma reunião na terça-feira (29/9) com clubes de futebol para discutir possibilidades pós-MP do fim das bets. O encontro é organizado pelos ministérios do Esporte e da Fazenda com representantes das Séries A e B.
A ideia é criar duas linhas principais de atuação: uma linha de crédito voltada para passivos dos clubes e outra que mira crédito futuro. Fontes afirmam que o Planalto também está aberto a ouvir demandas dos dirigentes, mas ponderam que os times precisam se organizar.
Governistas têm minimizado impactos nos patrocínios dos principais times do país e afirmado que muitos têm situação confortável no momento e que outras empresas, de outros segmentos, já procuram os clubes para substituir os patrocínios das bets.
Na semana passada, os clubes divulgaram um manifesto contra a possibilidade do encerramento das casas de apostas em território brasileiro. No texto, defenderam que o “torcedor não pode pagar essa conta” e que, ao “acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba”.
O manifesto foi endossado por Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG. As críticas seguiram após a confirmação da medida. Entidades e empresas ligadas às bets prometem judicializar a questão.
Surgem
as bets
ilegais
Em apenas três dias, entre o anúncio da Medida Provisória nº 1.394/2026 e hoje, surgiram 428 novas bets ilegais no Brasil, segundo a plataforma de monitoramento Bet Legal. É o primeiro efeito concreto da proibição das apostas de cota fixa e dos cassinos online decretada pelo presidente Lula.
Pelo texto da MP, ficaram proibidas as loterias de aposta de cota fixa, tanto em meio físico como virtual, sobre eventos esportivos reais e jogos online. A partir da assinatura da MP, as plataformas foram impedidas de aceitar novos depósitos e novas apostas.
Os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir da zero hora de 6 de outubro, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet (CGI) determinarão o bloqueio dos sites e a remoção dos aplicativos em todo o país.
Os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro, dia seguinte à votação do primeiro turno das eleições presidenciais, para resgatar voluntariamente os saldos nas plataformas. Caso o saque não seja feito até essa data, a devolução dos saldos será realizada entre 9 e 14 de outubro pelas instituições financeiras que operam para as casas de apostas.
A proibição de fechar novos contratos de propaganda e marketing tem efeito imediato. Campanhas online ou físicas que já estavam firmadas previamente poderão ser veiculadas exclusivamente até 5 de outubro.
A medida, além de claramente eleitoreira, é no mínimo estranha, partindo justamente de quem liberou e é patrocinado pelas mesmas BETs, assim como não pode negar o conluio e o recebimento de patrocínio do protegidíssimo crime organizado.
No entanto, partindo de quem partiu tal decisão, nada a estranhar, porque os capangas já sabem que se estiverem colaborando e não interferirem nos planos de poder estarão nadando em nuvens de bilhões de dinheiro público. Porém, se ameaçarem uma vírgula sequer desse plano macabro, serão descartados, como estorvo, lixo ou arquivo morto.
Fernão, vamos la, indiretamente ao assunto.
Estamos associando as bets ao endividamento da população. E as aposteiras podem ser ser parte disso, mas têm um impacto apenas assessório
Para clarear o argumento vou buscar uma outra direção: a renda nacional. Isso porque sem dúvida o endividamento é o comprometimento financeiro acima da renda do trabalhador. E, com ase nos dados do FGTS do ano de 2025, temos que a soma dos rendimentos anuais de todos os trabalhadores (CLT) do Brasil, foi de R$ 2, 132 trilhões. Isso, comparado ao PIGB (R$ 13 trilhões ) é uma mixaria ate mesmo porque a carga tributaria nacional é de cerca de 38% do mesmo PIB )(cerca de R$ 5 trilhões).
Claro que você vai argumentar que isso não inclui os rendimentos dos servidores públicos, ativos e aposentados, e também os PJ. Mas são os dados disponíveis e, querendo ou não, representam uma base para a analise,
Com isso em vista, toda a rendados trabalhadores é inferior a metade da carga tributária. Esses trabalhadores direcionam ao consumo no máximo dois terços da renda, incluindo o desconto da contribuição ao INSS.
Qual é a expectativa de vida digna ṕdem ter esses trabalhadores? Qual a confiança pode ter nas “instituições” brasileiras?
Pois é Fernão, diz o velho deitado que ” quem esta perdido não procura caminho!”. Uma das “vias” certamente será a “sorte”. Inclusive nas bets!
Mas, e sem elas? Pois é, ruim com elas…. Pior sem elas.
As bets são a “porta da esperança” de muitos brasilieros!