Os negócios de Lulinha, Luchsinger e Marcola também na Petrobras
25 de setembro de 2026 § Deixe um comentário


A Polícia Federal investiga a atuação de Lulinha, da lobista Roberta Luchsinger e do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, em favor dos interesses da Unigel nas negociações com a Petrobras. Segundo o inquérito, Roberta teria firmado com Leo Slezynger, diretor da empresa e filho de Henri Slezynger, um contrato que previa R$ 100 mil e mais R$ 25 milhões caso a Unigel obtivesse um financiamento de R$ 500 milhões junto ao BNDES.
Entre março de 2023 e julho de 2024, Leo Slezynger teria repassado R$ 1,26 milhão a Roberta, além de presentes e despesas com hospedagens. Mensagens indicam que Lulinha acompanhava as negociações, manteve contato com Leo e participou, ao lado de Roberta e Marcola, de articulações para viabilizar um acordo entre a Unigel e a Petrobras.
Roberta sugeriu que Leo convidasse Lulinha para integrar, como conselheiro remunerado, um fundo voltado a projetos de sustentabilidade e à captação de recursos, como forma de aproximar a empresa do presidente Lula. Em uma mensagem de seu celular, ela resumiu a estratégia como “toma lá, dá cá”.
A Unigel buscava um acordo de tolling, pelo qual a Petrobras forneceria gás e receberia fertilizantes para comercialização, com o objetivo de retomar as atividades de duas fábricas arrendadas na Bahia e em Sergipe. Técnicos da Petrobras e o então presidente da estatal, Jean Paul Prates, resistiram ao acordo por considerarem que a empresa poderia ter prejuízo com a alta do preço do gás e a queda no valor dos fertilizantes.
Mensagens indicam que Lulinha agradeceu a Leo após a assinatura do contrato, em 29 de dezembro de 2023, e que Marcola encaminhou o assunto ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Roberta também afirmou que a assinatura teria ocorrido após intervenção direta do presidente.
O acordo foi questionado pelo Tribunal de Contas da União: um relatório técnico estimou prejuízo de R$ 487 milhões para a Petrobras e outro apontou nove irregularidades graves, incluindo problemas na governança da estatal. Em 2024, Jean Paul Prates deixou a presidência da Petrobras, e a sucessora, Magda Chambriard, não renovou o contrato, alegando que a Unigel não havia cumprido as metas previstas.
A Unigel recorreu à arbitragem para pedir indenização, mas o contrato foi encerrado em 2025 sem pagamento de nenhuma das partes; a empresa devolveu as fábricas e entrou em recuperação judicial.
As informações são do jornal O Globo.




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