Documentos retirados do sigilo reforçam versão de suicídio de Sicário
17 de setembro de 2026 § Deixe um comentário


Documentos que tiveram o sigilo retirado detalham a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, ocorrida em março de 2026 na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.
O material reforça a versão divulgada na época pela PF de suicídio por enforcamento, registra a Folha de S. Paulo.
Apontado pelas investigações como chefe da milícia particular do banqueiro Daniel Vorcaro, Sicário foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master.
O material tornado público não contém vídeos, mas disponibilizou 166 frames de quatro câmeras do circuito interno da PF que registraram os acontecimentos, além de 17 laudos, incluindo perícias toxicológicas e análises dos celulares de agentes que tiveram contato com Sicário.
Laudos apontam que ele “agiu sozinho em seu próprio enforcamento” e que “não se identificam ocorrências de cenas que comprovem instigação, induzimento ou auxílio material” para a prática do ato.

Embora existam três pontos cegos nas câmeras da unidade, nenhum deles interfere na área onde ocorreu o enforcamento com a própria roupa do corpo.
De acordo com os laudos liberados, após chegar à cela, Sicário tentou entrar em contato com a mãe e a irmã 18 vezes, horas antes de se enforcar.
Ele havia sido preso em 4 de março, por determinação do ministro André Mendonça, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, sob a acusação de chefiar a chamada “Turma”, grupo que teria obtido informações sigilosas para Vorcaro e ameaçado adversários do banqueiro.
A prisão ocorreu em um apartamento de luxo, em Belo Horizonte, e a primeira imagem de Sicário na sede da PF foi registrada às 8h34, quando ele deixou a parte traseira de uma viatura policial.
As imagens seguintes mostram os procedimentos realizados pelos agentes, incluindo uma revista para verificar se ele portava pulseiras, relógios ou cordões, e a retirada de hastes da gola da camisa.ç

Já na cela, Sicário foi autorizado a utilizar o celular de um dos agentes para realizar ligações, momento em que, segundo os documentos, tentou falar com familiares.
Pouco antes das 12h, ele recebeu os advogados Hermes Vilchez Guerrero e Robson Lucas da Silva em uma sala no quarto andar da sede da PF.
Às 15h21, depois de pedir para ir ao banheiro, ele cometeu suicídio e, segundo o material, as imagens das câmeras registraram que ele agiu sozinho.
Sicário foi encontrado às 15h39 por um dos agentes e levado por uma equipe do Samu ao Hospital João XXIII, onde permaneceu internado até 6 de março, quando a equipe médica atestou a morte encefálica.
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