Quando os acusados tentam melar o próprio julgamento
11 de setembro de 2026 § Deixe um comentário


O comando veio de Lula, que pediu a “quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master”.
Isso foi na quarta-feira, depois de muitas reuniões dos ministros da Justiça e da AGU com o presidente do STF.
No início da manhã de ontem, a Polícia Federal, com Andrei Rodrigues reconduzido ao posto de diretor-geral depois de ter sido afastado por André Mendonça por arapongagem, deflagrou uma operação de busca e apreensão autorizada por Flávio Dino, comunista graças a Deus, em endereços de alvos ligados à produção do filme Dark Horse, a cinebiografia de Bolsonaro.
Ainda ontem, já à noite, Edson Fachin mandou que se retirasse o sigilo do caso Master.

Segundo consta, combinou os termos com o relator do caso no Supremo, André Mendonça, que acatou a determinação.
Em nota, o gabinete de Mendonça explicou que o pedido de Fachin se referia “exclusivamente aos procedimentos relacionados” ao julgamento da próxima terça-feira.
Ou seja, o ministro levantou os procedimentos que diziam respeito a Alexandre Moraes, como os trechos de conversa em que o AdM combina os centavos do preço do contrato do banco com o escritório de sua mulher.
Até porque a sessão extraordinária da semana que vem terá (ou deveria ter) como foco esta principal decisão: se a Corte autoriza ou não a abertura de uma investigação contra o magistrado que trocou 51 mensagens com Daniel Vorcaro e editou um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com outros advogados da própria família Moraes, incluindo esposa e filhos.
Detalhe: o julgamento foi provocado por um pedido de Paulo Gonet de nulidade do relatório e das investigações da Polícia Federal que citam Moraes.
Com lama até o pescoço, o PGR quer a anulação do que a PF apurou sobre conversas de Moraes (e de seu amigo advogado) com Vorcaro.

As ações
sincronizadas
Nas primeiras horas da manhã de hoje, valendo-se da retirada de sigilo das investigações, a imprensa amestrada passou a manchetar o que já se sabia sobre o caso Dark Horse, destacando que Flávio Bolsonaro é alvo de investigação e se encontrou pessoalmente com Vorcaro para pedir dinheiro para o filme.
Sincronizadamente, duas das autoridades implicadas diretamente nas investigações da PF de Mendonça (não a de Andrei Rodrigues, também envolvido, também presente no convescote em Londres) passaram a operar.
Alexandre de Moraes, que chegou a ser sócio de Vorcaro como cotista de um helicóptero e um jato, pediu a Fachin que a petição que trata de acusações contra Mendonça seja julgada em conjunto na terça-feira.
Também acusou o relator do caso Master de ser “seletivo” e pediu ao presidente do STF que faça um levantamento integral das investigações.
Mendonça tornou públicos 15 procedimentos ligados ao julgamento de terça, mas haveria ainda outros 180 documentos nos sistemas do STF.

Ato contínuo, Paulo Gonet, que participou da degustação de charuto e uísque em Londres (e levou o filho) e tinha um advogado que fazia sua interlocução com Vorcaro, com direito a troca de afagos, pediu ao presidente do Supremo a retirada de sigilo de todos os documentos do caso Master.
Fachin vem pressionando o PGR a se declarar impedido de participar da sessão de terça por também ter seu nome citado nas investigações, mas acatou o pedido e deu 24 horas para Mendonça retirar o sigilo de tudo o que diz respeito às investigações do Banco Master.
Agora, com tantos documentos para serem analisados, cresce a chance de um adiamento da sessão para que os magistrados tenham tempo de analisar tudo, ainda que o foco do julgamento seja Alexandre de Moraes.
Também existe uma boa chance de um pedido de vista alongar o prazo de uma decisão.
Caso não seja adiado, ainda não se sabe se o julgamento será aberto ou transmitido.
O que se diz é que a ala de Moraes quer que seja fechado, mas Fachin, pressionado, resiste a essa opção.
Ontem, em entrevista ao SBT, Lula disse: “Se Alexandre de Moraes for culpado, ele tem que pagar”.
Resta saber se e quando será investigado para que possa, enfim, ser julgado e formalmente condenado.
Deixe uma resposta