Como está o tiroteio após as revelações sobre Moraes e Vorcaro

3 de setembro de 2026 § 1 comentário

Na 1ª sessão do Supremo depois da divulgação do relatório da Polícia Federal, a mesma em que ministros foram flagrados gargalhando por um repórter de O Globo, nenhum dos 10 magistrados chegou a fazer menção pública sobre as mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A última palavra permanece sendo a do presidente do tribunal, Luiz Edson Fachin, que dará prosseguimento ao caso nos “próximos dias”.

A Corte está dividida. O que se especula é que Edson Fachin, Luiz Fux, Kássio Nunes Marques e André Mendonça integram o grupo favorável à investigação de Moraes. Já Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin se posicionariam contra. Moraes e Dias Toffoli devem se declarar suspeitos e, com isso, não participar da decisão. Assim, o posicionamento de Cármen Lúcia promete decidir a votação, se esta acontecer.

  • Imprensa

Para uma parcela da imprensa, o STF cometerá suicídio institucional caso “não se livre” de Alexandre de Moraes, sem condição moral de continuar ministro ou se tornar o próximo presidente do tribunal e chefiar o Poder Judiciário em 2027.

O Estado de S. Paulo e a Folha de S.Paulo defenderam, em editoriais publicados ontem e hoje, que o ministro Alexandre de Moraes deixe o Supremo. O Globo foi mais incisivo e cobrou uma reação urgente do STF, dizendo que o Senado deverá agir caso o tribunal demore a responder.

  • Fachin

O presidente do STF conversou com ministros reservadamente, inclusive com Moraes e Mendonça, e ouviu mais do que falou. Disse a pessoas próximas que ainda não decidiu o que nem quando vai fazer. Mendonça tem pressa de votar em plenário, enquanto Moraes se beneficia do tempo de Fachin. Para ele, quanto mais tempo passar antes de ser tomada uma providência, melhor.

Em carta aberta ao presidente do STF, Edson Fachin, o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA) defendeu uma apuração ampla, independente, célere e transparente dos fatos revelados nos últimos dias e que envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A entidade sustenta que a relevância institucional do Supremo e da PGR torna ainda maior a responsabilidade de seus integrantes. Segundo o documento, a confiança nessas instituições depende da preservação inequívoca de sua independência, imparcialidade e integridade.

  • PGR

Paulo Gonet pediu o arquivamento das denúncias feitas por Daniel Vorcaro sobre ameaças que afirma ter sofrido na prisão para não firmar um acordo de delação premiada. As declarações foram dadas pelo banqueiro a um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master. Segundo seu depoimento, Vorcaro pretende delatar integrantes do “atual governo” de Lula (PT). Além disso, vai mencionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com quem viajou para Londres.

Para a associação jurídica Lexum, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não poderia ter assinado o pedido de nulidade da investigação da PF que reúne informações que o mencionam.

Em nota técnica, a entidade ressalta que o relatório policial não aponta, até o momento, a prática de crime por Gonet, mas registra elementos que indicam sua relação com Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.

  • Servidores do MPF

Segundo relatos colhidos pela CNN, nos grupos internos do MPF paira o silêncio, em razão da conduta do PGR Paulo Gonet. Nas últimas 48 horas, integrantes da categoria relatam constrangimento e perplexidade com a situação. Gonet apareceu no documento em mensagens trocadas entre o advogado de Vorcaro, Ciro Passos, e o banqueiro, com menções que sugerem intimidade dele com o então dono do Banco Master, como passagens aéreas internacionais ao seu filho, combinações para fumar charuto e tomar uísque Macallan e até mesmo o envio de uma foto de Ciro e Gonet a ele.

O clima é tenso na PGR. Muitos questionam as atitudes de Gonet em relação a Alexandre de Moraes, mas há apreensão com a possibilidade de represália em caso de vazamento de informações sobre o chefe. “Só se fala nisso, mas o clima é tenso no prédio, medo de perseguição”, disse um dos servidores ao Estadão.

Em grupos de WhatsApp de servidores da PGR, havia um “tom de gozação” a Gonet nas mensagens por conta das conversas com Vorcaro, especialmente as que falam sobre charutos e uísque.

  • Lula

O presidente-candidato entrou em campo para tentar apaziguar a crise que envolve ministros do STF e os comandos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Sem esquecer que Lulinha também está encrencado, ele manteve conversas com o presidente do Supremo, Edson Fachin; com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; e com o ministro André Mendonça.

Lula também tratou do tema em duas reuniões realizadas no Palácio do Planalto. O presidente tem se mostrado preocupado com o rompimento entre Andrei e Mendonça, relator do inquérito do Banco Master. Não vê com bons olhos o isolamento de seu ex-chefe de segurança e hoje diretor-geral da PF, que se distanciou do ministro da Justiça, Wellington Silva, e do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.

Ouviu o alerta de Gilmar Mendes, que disse que o governo é um dos culpados pela crise instaurada no STF. Para o decano, a AGU e o ministro da Justiça não deram a devida atenção aos alertas de Andrei Rodrigues sobre a condução de Mendonça.

  • Vaga no STF

Paralelamente, Lula orientou que petistas defendam, “sem tripudiar”, a investigação do relacionamento que transformou Alexandre de Moraes em consultor e informante de Daniel Vorcaro.

O candidato à reeleição esfrega as mãos de ansiedade pela abertura de nova vaga de ministro do STF e ainda sonha com uma terceira, de Dias Toffoli. Presidente do Senado, Davi Alcolumbre tem a prerrogativa de abrir processo de impeachment de ministro do STF, mas ele não quer, por medo, já que tem o telhado de vidro, a não ser que tenha sinal verde de Lula ou do próprio Supremo.

O senador Flávio Arns (PSB-PR), integrante de um partido da base do governo Lula (PT), assinou um dos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Ele confirmou a decisão em uma publicação nas redes sociais: “Assinei o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, apresentado pelo deputado federal Marcel Van Hattem. Os fatos que vieram à tona ontem são gravíssimos e apontam para o crime de responsabilidade”, afirmou.

  • PT

A bancada governista da Câmara protocolou hoje uma petição ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pedindo que o ministro André Mendonça seja declarado suspeito no caso do Banco Master e afastado da relatoria. A alegação é a de que a atitude prejudica a candidatura do presidente Lula e contribui com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

  • Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes propôs ao presidente da Corte, Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal (PF) sejam proibidos de atuar nos gabinetes dos ministros do tribunal. Atualmente, dois delegados da PF trabalham no gabinete do ministro André Mendonça, outros dois estão vinculados ao de Alexandre de Moraes e um atua no gabinete do ministro Luiz Fux.

  • Dark Horse

A PGR enviou ao ministro André Mendonça a proposta de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, suspeito de atuar como operador financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro.

Mendonça vai decidir agora se homologa ou não o acordo. Freixo Júnior é o dono da Entre Investimentos e Participações, que foi a responsável por repassar para um fundo dos Estados Unidos recursos destinados ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Esse é o segundo acordo de delação fechado pela PGR nas investigações sobre fraudes do Banco Master.

O primeiro foi com João Carlos Mansur, dono da Reag Investimentos, que também é suspeita de participar do esquema de Vorcaro.

  • Nikolas Ferreira

O deputado defendeu o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes e também criticou a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu ao STF a anulação do relatório.

Em seguida, o ICL revelou um áudio de Nikolas pedindo que Daniel Vorcaro ajudasse o advogado e ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria para a liberação de um ativo minerário. A mensagem foi enviada no dia 30 de março de 2025 e o parlamentar afirma que, para além do pedido, gostaria de estar mais próximo do banqueiro, a quem chama de “Dani”.

Nikolas disse que não recebeu dinheiro de Vorcaro e que nunca se encontrou pessoalmente com o ex-banqueiro, mas reconheceu que manteve o contato e chegou a fazer uma ponte entre o empresário e seu então assessor e advogado, Thiago Rodrigues de Faria.

  • Andrei Rodrigues

O Partido Novo protocolou um pedido de prisão preventiva contra o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, após citações relacionadas ao seu nome nas conversas entre o ministro Alexandre de Moraes (STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O pedido foi formalizado hoje, após a divulgação e quebra de sigilo das investigações envolvendo o caso Master, sob relatoria de André Mendonça.

  • Mendonça

André Mendonça anunciou hoje que vai deixar a sociedade do Instituto Iter, empresa que criou para dar cursos a governos estaduais, prefeituras, tribunais de contas e outros órgãos públicos, e que presta serviços de treinamento e organização de eventos.

O instituto arrecadou ao menos 4,8 milhões de reais em contratos públicos no primeiro ano de atividade, segundo o Estadão. Em nota, Mendonça afirma que cedeu, junto com sua esposa, Janey Mendonça, a totalidade das cotas que os dois tinham na empresa, sem receber nada em troca, e que o Iter será transformado em uma entidade sem fins lucrativos.

  • Viana x Alcolumbre

O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou hoje uma denúncia contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), depois de o parlamentar não apresentar, até o prazo estabelecido, um encaminhamento sobre os pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Viana havia dado até o meio-dia de hoje para que Alcolumbre se posicionasse.

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