Em depoimento sigiloso, Vorcaro diz que foi ameaçado de ser jogado de um avião
2 de setembro de 2026 § 1 comentário


O banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março de 2026, prestou depoimento sigiloso na semana passada ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso que investiga fraudes do Banco Master.
O depoimento foi colhido por um juiz auxiliar do gabinete, com a presença de um representante do Ministério Público Federal, mas sem a participação de agentes da Polícia Federal, que preside o inquérito sobre o caso.
Os detalhes do que disse o banqueiro ajudam a explicar as razões que levaram Mendonça a solicitar o relatório produzido a toque de caixa pela PF, escancarando a relação entre Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Além de ameaças de morte, o fundador do Master também citou nominalmente na denúncia Andrei Rodrigues, ex-segurança da campanha de Lula e hoje diretor-geral da Polícia Federal, indicado pelo presidente.
Ameaça
de morte
em voo
Segundo o gabinete de Mendonça, o depoimento foi realizado “por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência”.
No relato prestado ao ministro, Vorcaro descreveu situações de terror psicológico vividas durante a prisão e o transporte para Brasília, em março.
O banqueiro afirmou que, durante a transferência de avião, agentes o colocaram dentro de uma caixa e, durante o voo, batiam no compartimento e diziam que iriam abrir a porta da aeronave e jogá-lo lá de cima.
Segundo a versão de Vorcaro, um agente teria dito: “A gente pode te jogar daqui de cima. Ninguém vai duvidar se a gente disser que você se jogou”.
Andrei Rodrigues,
diretor-geral da PF,
sob suspeita
Vorcaro citou nominalmente Andrei Rodrigues como um agente que teria atuado para impedir um acordo de delação premiada do banqueiro.
Segundo o depoimento, Rodrigues teria interesse em barrar o acordo por já ter mantido relações com Vorcaro (incluindo o Macallan com charuto em Londres) e, assim, evitar que o banqueiro revelasse informações sobre possíveis crimes envolvendo autoridades.
Vorcaro afirmou no interrogatório gravado em vídeo: “Tenho muito a contribuir relatando os fatos e a verdade, mas ninguém quer me ouvir. Uma loucura”.
O banqueiro também disse acreditar que haveria um “acordão” entre instituições para impedir que ele colaborasse com as autoridades e relatasse crimes de autoridades em uma eventual delação.

A acusação contra Andrei Rodrigues ocorre em meio à análise, pela Polícia Federal e pelo STF, de mensagens e relações mantidas por Vorcaro com autoridades e integrantes de diferentes instituições.
O relatório produzido pela PF detalhando o envolvimento de Alexandre de Moraes com o Master começou a ser produzido depois desse depoimento sigiloso do banqueiro preso.
O diretor-geral da PF foi citado nominalmente por Vorcaro como uma das figuras que, segundo seu relato, teriam influência sobre o destino de uma eventual delação.
O que diz o
gabinete de
Mendonça
O gabinete de Mendonça afirmou que a não convocação de agentes policiais seguiu diretrizes de proteção ao depoente, e não “qualquer escolha de conveniência do gabinete”.
Segundo a nota, as normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido (Resolução CNJ nº 213/2015, com as alterações da Resolução nº 562/2024).

O gabinete ressaltou que a presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal e foi observada.
A falha
técnica para
driblar a PF
A defesa de Daniel Vorcaro driblou a PF para viabilizar o depoimento de Vorcaro ao gabinete de Mendonça, que aconteceu na manhã de 27/8, na Papudinha.
No mesmo horário, estava marcado um depoimento do banqueiro à PF no âmbito do inquérito que apura corrupção de servidores do Banco Central.
Vorcaro não se conectou e a Papudinha alegou uma falha técnica impedindo a conexão — motivo que acabou sendo usado para justificar o adiamento do depoimento.
Mas a “falha técnica” foi a desculpa para o banqueiro estar de frente para João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, para depor.
Pois é, vimos por ai que ele, o Vorcaro, teira indicado o Bellini Santana, do Bacen, como um dos “envolvidos” na bagunça. E vi também que esse servidor (!?!?) também foi nomeado liquidante/interventor no Banco Master.
Alguém por ai, consegue esclarecer essa “ocorrência”?