Aliados do CV e do PCC, dissidentes das FARC invadem o Brasil pela Amazônia

1 de setembro de 2026 § Deixe um comentário

Comunidades indígenas do Alto Rio Negro, no extremo oeste do Amazonas, relatam há mais de dez dias a presença de um grande contingente armado, estimado em cerca de 2 mil homens, identificado em depoimentos como dissidentes das FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, circulando em território brasileiro.

Desde meados de agosto de 2026, moradores de comunidades como São Felipe, Morro do Beija-Flor, Cachoeira Comprida, Cunurí e Rio Castanho, nas calhas dos rios Tiquié e Uaupés (município de São Gabriel da Cachoeira), passaram a avistar grupos armados estrangeiros.

Os relatos indicam que os homens — até onde se sabe, fugindo da pressão militar do novo governo colombiano — estão intimidando indígenas, impedindo o acesso a roçados de subsistência e, em ao menos um caso, levaram uma liderança da comunidade Cunurí para servir de guia por cinco dias.

Há também denúncias de que os grupos ordenaram o desligamento de equipamentos de comunicação, incluindo terminais de internet via satélite (Starlink), e de que teriam aberto uma pista de pouso clandestina e uma estrada no interior da Terra Indígena Alto Rio Negro, indícios de uma presença organizada e não apenas de trânsito eventual.

Resposta das
autoridades
brasileiras

O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas instaurou um inquérito civil para apurar a entrada ilegal e permanência de grupos armados estrangeiros no país.

O MPF também expediu recomendação urgente aos comandos do Exército, Marinha, Força Aérea e à Polícia Federal, solicitando reforço de patrulhamento, fiscalização e proteção territorial nas áreas afetadas, com prazo de 48 horas para resposta.

Já a Defensoria Pública da União (DPU) enviou ofício às autoridades pedindo “providências urgentes”, incluindo o envio de tropas de selva para os rios Tiquié e Uaupés e a instalação de ponto de fiscalização permanente.

O Exército Brasileiro informou que mantém a situação sob monitoramento e que o 6º Pelotão Especial de Fronteira (Pari Cachoeira) realiza ações regulares de reconhecimento e vigilância na faixa de fronteira.

Alianças com
facções
criminosas

A presença dos grupos coincide com a posse do novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, em 7 de agosto, que prometeu linha dura contra dissidências das FARC e revisão dos acordos de paz de 2016, intensificando operações militares contra rebeldes.

Segundo o coronel colombiano Carlos Rodriguez Contreras, há parceria estratégica entre dissidências das FARC (como os “Comandos de Fronteira” e a frente “Carolina Ramírez”) e facções criminosas brasileiras, especialmente Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), para controle do tráfico de drogas, garimpo ilegal e exploração de recursos na fronteira.

Os rios da região, como Japurá e Puruê, têm sido usados como rotas para escoar maconha de variedades mais potentes (skunk e creepy) da Colômbia para Manaus e demais regiões do Brasil.

Cooperação
internacional
em curso

Brasil, Colômbia e Peru mantêm operações conjuntas na Amazônia, como a Operação Ágata e a BRACOLPER 2026 (exercício naval trilateral), com intercâmbio de inteligência e ações integradas contra o crime transnacional.

Ontem, a Polícia Federal do Brasil e a Polícia Nacional do Peru realizaram operação integrada na fronteira que inutilizou 6,2 toneladas de sulfato de cocaína, 12 toneladas de insumos químicos e destruiu pistas de pouso e laboratórios clandestinos.

Enquanto isso, lideranças indígenas cobram presença permanente de forças de segurança na região, temendo que uma resposta temporária apenas desloque os grupos armados para outras áreas da extensa fronteira amazônica.

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