Maranhão, vacina, Petrobras… O esquema de Lulinha não tem fim
22 de agosto de 2026 § 1 comentário


As mensagens encontradas pela Polícia Federal nos celulares da lobista Roberta Luchsinger revelam a cada dia mais detalhes da rede de tráfico de influência montada por Lulinha no governo de seu pai.
Entre hoje e ontem, vieram à tona mais uma série delas.
Segundo as investigações, o esquema gira em torno de Lulinha, Roberta e Fernando Bittar, que montaram um grupo de WhatsApp batizado “Os Musaranhos”, em referência a um roedor minúsculo e comilão.
Quem é
quem no
esquema
Lulinha e Fernando Bittar foram sócios na Gamecorp, investigada entre 2004 e 2016 por ter recebido mais de R$ 130 milhões da Oi.
Bittar também era formalmente o dono do Sítio de Atibaia que levou à prisão de Lula após a Operação Lava Jato e o escândalo do Petrolão.
Roberta ganhou notoriedade em 2017 ao anunciar doação de R$ 500 mil a Lula, quando ele estava com os bens bloqueados.
Segundo relatos, ela se aproximou do PT via ex-delegado Protógenes Queiroz, seu ex-marido, e de Renata Moreira, mulher de Lulinha.
Ela afirmou em mensagens descobertas pela PF ter recusado cargo no governo para ficar “na minha sociedade com Fábio e Fernando”.
Em conversas com Gustavo Gaspar, sócio do “Careca do INSS” e ex-assessor do senador Weverton Rocha, preso na Operação Sem Desconto, Roberta descreveu assim sua atuação: “eu trabalho a política via palácio”, “eu sou boa da costura política”, “Somos governo. Tem que pedir tudo e fazer, né? Se não eh nosso, eh de outro”.
Em janeiro de 2024, ao discutir indicações em portos, afirmou ter indicado Anderson Pomini para o Porto de Santos, também investigado na Operação Sem Desconto.
Um cheque de R$ 250 mil nominal a Pomini foi encontrado em diálogo de ex-presidente do INSS.
Os Musaranhos
e o governador do
Maranhão
Em mensagem de áudio de 22 de maio de 2024, Roberta diz a Lulinha que o governador Carlos Brandão iria ao Palácio do Planalto no mesmo dia, que Lula iria “prosseguir com liberação da obra dele” e que o encontro seria com o então chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, às 16h.
Ela afirma ter avisado Brandão que Lulinha conseguiu a agenda. A agenda oficial de Marcola registra reunião com Brandão às 17h40 daquele dia como “Reunião Executiva”.
Em 21 de junho de 2024, um mês após a reunião, Lula anunciou em São Luís pacote de R$ 59 bilhões em obras do Novo PAC para o Maranhão, incluindo renovação da concessão do Porto do Itaqui, novo berço e corredor na Avenida Litorânea.
A empresa 3Structure, de Cléber Ribas, fechou R$ 5,8 milhões em contratos com o governo do Maranhão em 2024, no Porto do Itaqui e na Secretaria de Fazenda.
Segundo a PF, Ribas contratou Roberta e pagou ao menos R$ 2,5 milhões entre março de 2024 e dezembro de 2025.
A defesa de Ribas afirma que contratou Roberta para assessoria lícita de captação de clientes e prospecção de negócios.
A empresa também obteve contratos de R$ 14,4 milhões em dezembro de 2023 e R$ 19,2 milhões em abril de 2024 com o Ministério do Desenvolvimento Social.
Ribas esteve no MDS em maio e julho de 2024.
Um relatório do Coaf obtido pela PF aponta que Roberta recebeu outros R$ 4,4 milhões da HSLZ Ltda., empresa contratada pelo governo do Maranhão para manter o Hospital dos Servidores Públicos.
Mensagens em seu celular mostram Roberta em contato com o então presidente da Emap, Gilberto Lins e Neto, afastado pelo STF em outubro de 2024.
A PF também identificou relação pessoal de Roberta e Lulinha com o deputado federal Fabio Macedo, aliado de Brandão, e com a mulher dele, Lorena Macedo, subsecretária de Representação Institucional do Maranhão em Brasília.
Foto obtida pelo Estadão mostra, em Barreirinhas, o deputado, Roberta, Lulinha, Cléber Ribas e cônjuges.
Lulinha como
destinatário de
pagamentos
Segundo relatório da PF, Lulinha aparece como destinatário de pagamentos e benefícios custeados por Cléber Ribas a pedido de Roberta, participa de reuniões de interesse empresarial e pede emissão de nota fiscal para Ribas.
Mensagens do celular da lobista citam cobranças como “avisa lá tb do pagamento do Fábio q ele me perguntou pq ele vai viajar” e “Emite a NF pro Cleber”.
Para a PF, existem indícios claros de participação efetiva de Fábio no esquema de lobby.
Quadro de
100 mil euros para
Marcola

Em 19 de dezembro de 2024, Marcola pergunta “E meu quadro??” e Roberta responde que seria entregue na semana seguinte, que estava emoldurando e que ficava no Carrousel du Louvre, em Paris, valendo 100 mil euros.
A PF considera o mimo ao então homem de confiança do presidente um indício de vantagem indevida.
Marcola foi exonerado em 21 de julho de 2025 e deixou a campanha de reeleição de Lula em 5 de agosto após revelação de R$ 217 mil em despesas pessoais pagas por Roberta.
Ele disse que era um empréstimo pessoal já quitado por R$ 249 mil.
Mas a relação entre ambos era bastante estreita.
Em lista enviada a Marcola em 19 de julho de 2024, Roberta cobra dificuldade de acesso à Petrobras, citando “Leo” desesperado por não ter sido recebido por “Magda”, presidente da estatal.
Diz que precisam ter algo para falar “senão vai acabar aquilo lá”.
Viagem de
Lulinha paga por
Roberta

Em 30 de abril de 2024, Roberta e Lulinha planejaram uma viagem para África do Sul, Moçambique e Paris em julho do mesmo ano.
Discutem um orçamento de US$ 20 mil por pessoa e US$ 100 mil por família.
Posts no Instagram de Roberta no período mostram safári, vinho Haut Brion 2005 e turismo em Paris durante as Olimpíadas.
Ministério do
Desenvolvimento Social e
Operação Overclean

Roberta esteve ao menos 16 vezes no MDS em 2023 e 2024.
Na primeira visita, em 3 de janeiro de 2023, entrou com Claudinei Quaresemin, sobrinho do ex-governador do Tocantins Mauro Carlesse, preso em 2024 na Operação Overclean por suspeita de propina em contratos públicos.
Voltaram juntos em 2 de fevereiro de 2023 com Christopher Amorim, dono de consultoria de liberação de emendas.
O MDS disse que as visitas não foram agendadas e, por isso, não constam no e-Agendas, apesar de um decreto de 2021 obrigar registro em até 7 dias.
Frequentaram também o ministério José Zunga Alves de Lima, ex-diretor da Oi e ex-assessor da Gamecorp de Lulinha, e Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha.
A PF suspeita que Bittar e Lulinha sejam sócios ocultos de empresa de Roberta.
Também há registros de visitas com Efrain Zúñiga, da Duosystem, outra empresa atendida por Roberta.
Mensagens sobre
vacina da dengue e
canabidiol

Em 27 de janeiro de 2025, Roberta responde sobre casos de dengue: “ele vai comprar, está na fase técnica”.
Não há identificação do produto ou comprador na mensagem.
No período, a vacina do Butantan contra dengue avançava na regulação, obteve registro na Anvisa e entrou no SUS em 2026.
O Butantan firmou acordos com empresas chinesas para produção em larga escala, criticados pelo ex-ministro Marcelo Queiroga.
A PF também encontrou tratativas sobre venda de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
Vacinação já dá dinheiro para oportunistas aconchavados desde que a República era pequenininha.
Fornecimento de aparelhos superfaturados e logística fantasma já têm donos há muito tempo.
Tudo o que o sistema já inventou há décadas está sendo explorado e ampliado por essa família Petralha.
Afinal, são quarenta anos de prospecção de sujeiras e imundícies “lucrativas”, sem contar com as inovações criminosas e a criatividade bandida e voraz de lula e sua quadrilha.