Lulinha e Roberta, uma pessoa só
19 de agosto de 2026 § Deixe um comentário


As evidências de que Lulinha montou uma rede clandestina de tráfico de influência no centro de decisão do governo de seu pai se multiplicam a cada nova revelação da investigação.
A Polícia Federal deve intimar o filho mais velho de Lula para prestar depoimento no inquérito que apura a criação de seu balcão de negócios em Brasília, diz a CNN.
Segundo a emissora, isso deve acontecer assim que os investigadores concluírem a análise do material apreendido no celular de sua amiga, a empresária e lobista Roberta Luchsinger.
O aparelho dela contém mensagens trocadas desde 2023 que passaram a ser analisadas pela PF, incluindo conversas com Lulinha mencionando reuniões de negócios fora da agenda com gente graúda do governo Lula.

Marcola,
Berger e o
Careca do INSS
Uma das mensagens, enviada em 22 de março de 2024, cita um encontro de Lulinha com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava a chefia de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, conhecido como Berger, registrou o portal Metrópoles.

Marcola era braço direito de Lula, despachava na antessala do presidente e fazia os principais contatos com ministros.
Berger, figura histórica do PT, abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que tentou emplacar um contrato milionário para a compra em larga escala de cannabis medicinal pelo SUS.
Roberta Luchsinger chegou a receber repasses do Careca do INSS que somam R$ 1,5 milhão.

Em uma das transferências, o empresário informa a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, possivelmente se referindo a Lulinha, segundo a Polícia Federal.
De acordo com o depoimento de um ex-funcionário do Careca do INSS, Luchsinger intermediava uma mesada a Lulinha, que viajou mais de uma vez com o lobista para a Europa.
Lulinha e seus
encontros
com Marcola
Lulinha esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto desde 2023, mostram dados obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Os registros revelam entradas e saídas em 15 dias diferentes, entre junho de 2023 e janeiro de 2025, com visitas que duraram de 19 minutos a mais de quatro horas, somando um total de 23 horas e 26 minutos, segundo dados do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, sem especificar locais e motivos das visitas.
Marcola também era próximo de Roberta.
Além do “empréstimo” de quase R$ 250 mil que lhe custou o cargo de chefe do gabinete de Lula, uma conversa entre ambos revela compra de joias avaliadas em R$ 9,2 mil.
Era um colar e um par de solitários de diamantes.
A relação entre Roberta e Marcola também aparece em outros trechos da investigação, com a lobista efetuando pagamentos, quitando boletos e comprando presentes para o ex-chefe de gabinete.
Uma mensagem encontrada pela Polícia Federal mostra ainda que Marcola recebeu de Roberta Luchsinger um modelo de contrato para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, informou o jornal O Globo.
Em outra conversa entre Lulinha e Roberta, o filho do presidente orienta a amiga a emitir nota fiscal para um empresário que ganhou mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal, a maioria deles na atual gestão petista.
‘Eu sou
o Fábio’
Segundo relatório da PF, Luchsinger demonstrava ter “autorização” para agir em nome de Lulinha.
Em uma das conversas, obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, ela afirmou a um interlocutor que o representava: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio”.
“Aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”, diz trecho do relatório da PF.

O interlocutor no caso era Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (MDB-MA), também alvo das investigações sobre suspeitas relacionadas à Farra do INSS.
Segundo a PF, ele teria se associado em negócios ao Careca do INSS e participado, junto com Luchsinger, da prospecção de contratos no governo.
A mansão
de Roberta e
Lulinha
O jornal O Globo conversou com funcionários de uma mansão que Roberta Luchsinger e Lulinha mantinham em uma região nobre de Brasília, o Lago Sul, para fazer reuniões discretas.
“Não era (casa) de morar. Era uma casa alugada, que quem fica mais tempo eram os funcionários. Era realmente uma casa de reunião. Geralmente, às 9h, vinha uma ou duas pessoas. Eu não ouvia as conversas, só servia café e era isso”, disse uma empregada.
Segundo ela, Luchsinger e Lulinha frequentavam o imóvel ao menos duas vezes por mês.

Em algumas ocasiões, segundo a empregada, o filho do presidente aparecia sozinho, e a empresária a avisava que “o seu Fábio está indo”.
Uma das visitas de Lulinha e sua amiga foi justamente Marcola, confirmou a ex-funcionária do imóvel, que tem um processo trabalhista contra Roberta.
De acordo com registros em cartório, o imóvel no Lago Sul pertence a um empresário que atua na área de mineração de calcário e mora fora do país.

A mansão foi alugada por Roberta em 2024, mas Lulinha e a amiga estão há sete meses sem aparecer na residência.
A casa, localizada em um condomínio fechado, com acesso apenas a pessoas autorizadas, possui características de alto padrão.

Com uma área de 2.110 metros quadrados, o imóvel tem três quartos, piscina, jardim, churrasqueira e um cômodo para escritório onde ocorriam os encontros.
O aluguel na região custa, em média, R$ 240 mil ao ano, conforme informações de imobiliárias que atuam na região.
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