Lula assume articulação no Congresso e negocia pacote de bondades

13 de agosto de 2026 § 1 comentário

Há meses patinando nas relações com o Congresso, o presidente Lula resolveu arregaçar a manga e partir pessoalmente para encontros com lideranças para tentar fortalecer sua posição como candidato à Presidência da República.

As dificuldades vêm desde o início do governo Lula 3. De lá para cá, houve duas trocas de ministros das Relações Institucionais do Planalto. Alexandre Padilha, hoje ministro da Saúde, ocupou o cargo desde janeiro de 2023 até fevereiro de 2025, quando saiu em meio a uma minirreforma ministerial.

Além de atritos sem solução entre governo e Congresso, Padilha foi deslocado para substituir Nísia Trindade. Ele já havia ocupado o posto durante o governo Dilma 1, sendo o responsável pelo lançamento do programa Mais Médicos.

Lula então convocou para a articulação política a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que à época era presidente nacional da legenda petista. Os atritos continuaram. Ela deixou o cargo em abril deste ano para tentar se reeleger no Paraná. Para o lugar dela o indicado foi o deputado José Guimarães PT-CE), aquele do assessor com dólares na cueca em Congonhas.

Acontece que personalidades como os presidente Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, David Alcolumbre (União Brasil-AP) obviamente não iriam se rebaixar e abrir negociações com Guimarães. Ele no máximo serviria como portador de recados.

Aí começaram os novos problemas.

Alcolumbre foi indiretamente envolvido no caso Master (Josildo Lemos, ex-tesoureiro de campanha de Alcolumbre, é o ex-presidente e responsável pelo rombo no fundo de pensão estadual do Amapá).

Ele não foi atendido quando pediu para tirarem a Polícia Federal de seus calcanhares. |Então fez corpo mole e simplesmente deixou caducar a MP 1.318/25 (incentivos para data centers). A estimativa de investimentos nacionais e estrangeiros para o setor no Brasil variavam de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em cinco anos; e de até R$ 500 bilhões até 2030.

Depois disso as relações entre Lula e o presidente do Senado azedaram ainda mais, com a aprovação de uma pauta-bomba, criando gastos bilionários em meio a uma já gravíssima crise fiscal. E depois, e principalmente, com a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, o “Bessias” da Dilma, para uma vaga no STF.

Estavam havia três meses sem se falar, quando Lula decidiu ir a campo pessoalmente e aceitou convite do supremo ministro Alexandre de Moraes para uma lavação de roupa suja na lavanderia de sua casa. O convescote ocorreu na noite da terça-feira da semana passada.

Não se sabe ao certo tudo o que foi negociado. Apoio para a reeleição de Alcolumbre na presidência do Senado, em fevereiro do ano que vem, com certeza estava na mesa (esse mesmo assunto  também foi acertado com Hugo Motta, que há dias declarou publicamente o apoio à reeleição de Lula).

Aparentemente, depois da DR daquela noite em Brasília, o encontro deu resultados.

Hoje, Lula recebeu Alcolumbre para uma reunião no Palácio da Alvorada, em que também estavam presentes José Guimarães e Tereza Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado (substituta de Jaques Wagner, defenestrado por conta de suas relações com Daniel Vorcaro). Separadamente, Lula também se reuniu com Hugo Motta.

Ao que tudo indica então, agora vai.

Em plena campanha, com a máquina do governo e a caneta na mão, o candidato Lula sonha com a aprovação de vários projetos, que podem lhe render alguns milhares, ou até mesmo milhões de votos já no primeiro turno da eleição.

A cereja do bolo é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a jornada 6X1 para os trabalhadores celetistas, Neste momento, não importa muito o cálculo do impacto para as empresas e para o Custo Brasil.

O projeto já foi aprovado na Câmara e dormitava nos escaninhos de Davi Alcolumbre. Ele havia dito que só colocaria a PEC em votação depois do segundo turno das eleições. Agora, vamos ver o que acontece.

O maior problema é que normalmente o Congresso vive às moscas no segundo semestre em anos eleitorais. Quanto mais o tempo passa, mais moscas estarão no plenário. Vem daí que Hugo Motta convocou para esta semana o tradicional “esforço concentrado”.

Era para começar hoje. Não deu. Quem sabe amanhã.

Nos próximos dias veremos se dará certo a entrega após a cobrança da fatura. Parafraseando o Barão de Itararé, o pagamento vem depois.

Quem paga a conta é sempre o contribuinte.

§ Uma Resposta para Lula assume articulação no Congresso e negocia pacote de bondades

  • kittencasuallye1d2cd8bf9 disse:

    O Brasil se tornou o quintal do PT.
    Os interesses eleitorais prevalecem sempre, o que importa é se manter no poder.
    Mas, e o povo?
    Ora, o povo …

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