Entre o Irã e os árabes que namoram a civilização, só um sobreviverá

30 de julho de 2026 § 1 comentário

A guerra do Oriente Médio, que vai envolvendo mais países a cada dia, vai se caracterizando cada vez mais claramente como uma guerra por procuração entre os Estados Unidos e a China.


A recuperação da capacidade bélica do Irã, depois de meses de bombardeios dos EUA e de Israel, só pode ser explicada pela cadeia de “laranjas” da China — Hamas, Hezbolah, Houthis, Irã e Russia — envolvidos no processo. Nenhum deles, nem mesmo a Russia, esgotada por 4 anos de guerra contra a Ucrânia, tem capacidade técnica ou, principalmente, econômica de recompor os arsenais do Irã a ponto de animar os aiatolás a desafiar e atacar todos os países do Oriente Médio — e mais Israel e os Estados Unidos — ao mesmo tempo.


O pano de fundo, desconsiderado o resto, é complicar ao máximo a situação econômica do mundo e, por tabela, dos Estados Unidos, para comprometer a eleição de meio de mandato e cumprir a principal parte da tarefa para colocar de volta no poder os simpatizantes do “globalismo” nos Estados Unidos, grupo que, no fundo, aponta para a continuação menos armada dessa mesma cadeia de aliados geo-estratégicos com existência própria, ou seja, menos ostensivamente “laranjas” da China.

A incógnita é que essa parada é de vida ou morte para todos os governos árabes mais moderados, enriquecidos e estudados no Ocidente há várias gerações, e que hoje tem muito mais pontos de identificação com Israel e o Ocidente que com os xiitas que pregam a volta ao século 7º, encabeçados pelo regime assassino dos aiatolás.

É o que explica o envolvimento direto crescente da Arábia Saudita no conflito. Depois de sofrerem ataques em três frentes — Ormuz, Bab-el-Mandeb e Iraque — dos “laranjas” do Irã em todas as passagens decisivas para o funcionamento de sua economia, os sauditas atacaram os houthis no Iêmen em ação conjunta com os Estados Unidos, e estão a ponto de reeditar o Acordo de Abrãao, que inclui o reconhecimento do direito à existência de Israel e estava para ser assinado quando o Hamas perpetrou o massacre de 7 de outubro de 2023 para expulsar a racionalidade de qualquer mesa de negociação. Na nova versão o acordo contemplaria, até, autorização e fornecimento de tecnologia para os sauditas usarem energia atômica…


O Irã tem atacado todos os países árabes do Golfo — Omã, Kuwait, Bahrein e, em especial, a Jordânia — diretamente com drones lançados contra bases americanas lá, e mais o norte de Israel com os drones do Hezbolah e o Iêmen para fechar o acesso ao Mar Vermelho, rota alternativa para escoamento do petróleo saudita.


Esses ataques põem a perder todo o plano Visão 2030 do príncipe Mohamed bin Salman, o MBS, de tornar a Arábia Saudita menos dependente do petróleo abrindo-a a investimentos estrangeiros e apostando em tecnologia.

Vai ficando claro que tudo será impossível se o país continuar sendo atingido por drones lançados de sua fronteira sul, com o Iêmen dos Houthis ou por mísseis balísticos lançados do Irã.


E, de novo, as maiores instalações petrolíferas da Arábia — Abqaq e Khurais — atacadas em 2019 provocando uma grande crise, foram alvejadas por drones lançados pelas Forças de Mobilização Popular (PMF), o grupo armado do Irã no Iraque.

Ontem, num passo além, o porto de Damietta, no nordeste do Egito, acesso ao Mediterrâneo, foi atacado por drones, numa ação cuja autoria ninguém ainda assumiu.


Seja como for, está mais claro a cada dia que entre o resto do Oriente Médio que anseia por civilizar-se e o Irã dos aiatolás, só um deles sobreviverá.

§ Uma Resposta para Entre o Irã e os árabes que namoram a civilização, só um sobreviverá

  • kittencasuallye1d2cd8bf9 disse:

    Seja como for, está mais claro a cada dia que entre o resto do Oriente Médio que anseia por civilizar-se e o Irã dos aiatolás, só um deles sobreviverá.
    Espero que a nossa civilização sobreviva…

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