Nicarágua apela à ‘soberania’ diante das ‘preocupações’ do Brasil com fala de Ortega

24 de julho de 2026 § Deixe um comentário

Lula conheceu Fidel Castro na Nicarágua, em 1980, durante as comemorações de um ano da Revolução Sandinista, comandada por Daniel Ortega, que intermediou o histórico encontro.

Lembrou disso quase 30 anos depois no discurso que fez em uma visita oficial ao país já como presidente em 2007.

Na ocasião, chegou a se referir ao anfitrião nicaraguense como “meu amigo Daniel Ortega”.

No início desta semana, 20 anos depois de chegar ao poder pelo voto, o “amigo” criou uma saia justa para Lula.

Cansou das aparências e assumiu-se como ditador, ao lado da mulher, Rosario Murillo, nomeada no ano passado como copresidente do país, dizendo que não vai mais haver eleição na Nicarágua.

Lula até agora não se pronunciou pessoalmente, apenas autorizou a divulgação de uma notinha diplomática do Itamaraty afirmando que o Brasil recebeu “com preocupação” as declarações de Ortega.

Para ele, “ato antidemocrático” é que se viu em 8/1, com senhorinhas indo protestar em Brasília, não uma declaração inequívoca de alguém que está há duas décadas no poder e diz que vai acabar com as eleições.

Em resposta, o ditador evocou, como era de se esperar, sim, a “soberania” de seu país.

“Acusamos o recebimento da nota publicada hoje pela Chancelaria do Brasil e, para todos os efeitos, reiteramos que, na lógica da nossa soberania nacional, a Nicarágua assegura processos eleitorais democráticos, livres e transparentes, de acordo com as normativas das instituições nacionais correspondentes”, diz o comunicado.

O ex-guerrilheiro que liderou a Frente Sandinista de Libertação Nacional e em 1979 depôs Anastasio Somoza, cuja família governava o país desde 1936, colocou no lugar outra ditadura familiar igualmente corrupta, registra Eugênio Esber, no portal GZH.

Hoje, juntamente com a mãe e pai, os filhos de Ortega controlam um império empresarial com tentáculos em mineração, petróleo, energia, comércio exterior, mídia e outras áreas.

Há pelo menos 20 empresas, boa parte das quais já sancionada pelos EUA por lavagem de dinheiro e corrupção.

Sem estudos, o guerrilheiro saltou da pobreza para uma fortuna superior a US$ 2 bilhões, a exemplo dos Castro, em Cuba, e de Chávez e Maduro, na Venezuela.

Conseguiu isso capturando as instituições, como foi o caso do Conselho Supremo Eleitoral e dos tribunais superiores de justiça, para os quais nomeou fieis escudeiros do regime, recrutados principalmente em um parlamento mais conhecido como um grande balcão de negócios.

No Brasil, a ditadura lulista e o amigo de Fidel, Ortega e Maduro estão seguindo a cartilha.

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