Para indústria, entrada de produtos da China no Brasil é pior do que o tarifaço

23 de julho de 2026 § Deixe um comentário

O presidente da Abimaq, José Velloso, afirmou que a entrada crescente de produtos chineses no mercado brasileiro representa um desafio maior para a indústria nacional do que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Em entrevista à CNN Brasil, ele disse que a concorrência dos fabricantes asiáticos pressiona fortemente o setor de máquinas e equipamentos, sobretudo pelos preços mais competitivos praticados pela China.

Segundo Velloso, embora as tarifas americanas afetem alguns segmentos da economia, o avanço das importações chinesas cria uma dificuldade mais ampla e permanente para a indústria instalada no país.

A Abimaq defende medidas para fortalecer a produção interna e reduzir os efeitos da concorrência internacional sobre as empresas brasileiras.

Também nesta semana, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) manifestou preocupação com a iminente aplicação de tarifas adicionais pela China sobre as importações de carne bovina brasileira, em razão do esgotamento da cota anual destinada ao Brasil.

“Na prática, o limite de exportações já se encontra comprometido pelos embarques realizados e em trânsito, o que poderá elevar a tributação para 67% sobre os volumes excedentes”, aponta a Fiergs.

No final do ano passado, a China adotou uma salvaguarda comercial sobre a carne bovina importada, com cota anual para o Brasil de 1,106 milhão de toneladas em 2026 e sobretaxa de 55% sobre o volume que ultrapassar esse limite.

A medida entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, vale por três anos e foi justificada por Pequim como proteção à produção pecuária local diante do aumento das importações.

Como o Brasil exportou 1,68 milhão de toneladas de carne bovina à China em 2025, o novo teto ficou abaixo do volume comercial já consolidado, o que levou frigoríficos a reduzir abates e conceder férias coletivas.

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