Ação de Flávio nos EUA liga os alarmes eleitorais do lulismo

7 de julho de 2026 § Deixe um comentário

Como o único brasileiro que deseja ardentemente a aplicação do tarifaço, essencial para justificar o discurso que sobrou, de “defesa da soberania”, Lula, a par de atribuir a “culpa” pela eventual tarifa aos Bolsonaro, “deixou pra lá” uma defesa mais cuidada do interesse do Brasil no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Em vez de uma defesa presencial dos interesses do Brasil instruiu o Itamaraty a enviar, apenas ontem e às pressas, uma carta protocolar à instituição.

E como Flavio Bolsonaro, acusado por ele, tomou a iniciativa de ir lá pessoalmente para marcar sua posição, com risco de Donald Trump interferir para aceitar o adiamento da imposição das tarifas para depois da eleição, hoje a imprensa amestrada passou o dia menoscabando a inciativa de Flávio, o que é indício seguro de que Lula considera que ela pode, sim, ter um efeito eleitoral positivo.

Apesar do tom mais político do que técnico do discurso, Flávio já havia mandado um documento de 84 páginas, de teor mais técnico, solicitando a reavaliação do tarifaço por Trump.

Técnica ou não, sua linha de raciocínio não deixa de fazer sentido: “O Brasil realizará eleições presidenciais daqui a apenas 90 dias. O cenário político do país seria completamente diferente com a imposição de uma tarifa agora, que seria difícil de reverter” (se ela ajudasse a eleição de Lula, enquanto ele acena com um amplo acordo comercial com os EUA se for eleito).

Flávio também criticou Lula, falou sobre corrupção e citou a investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS.


“A corrupção é um dos maiores problemas enfrentados pelo povo brasileiro. Não há consenso sobre isso, mas a corrupção tem perpetradores identificáveis. A fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, tem o próprio filho do presidente entre os investigados”.

O discurso foi dirigido, enfim, tanto para os negociadores americanos quanto para o eleitorado brasileiro, razão pela qual ele incluiu nele a defesa do Pix.

“O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro foi criado durante o governo [Jair] Bolsonaro. Este não é o problema a ser resolvido, mas sim a solução. Ele expandiu a inclusão financeira, trazendo milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres, para um sistema econômico que nos permitiu beneficiar diretamente empresas americana”.

O tamanho
do prejuízo

Segundo estimativa da CNI, uma nova tarifa de 25% pode afetar US$ 14,9 bilhões de dólares — equivalentes a R$ 77,2 bilhões de reais — em exportações brasileiras e atingir 4.187 produtos vendidos pelo país ao mercado americano.


Também na semana passada, empresas como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay pediram ao governo dos EUA que produtos importados do Brasil sejam excluídos das tarifas adicionais, pois isso prejudicará suas cadeias de suprimentos, aumentará custos para consumidores norte-americanos e reduzirá a competitividade de empresas dos EUA.

Segundo elas, alguns produtos brasileiros não têm oferta suficiente no mercado interno norte-americano para substituir as importações.
A decisão dos EUA, conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana, é esperada para 15 de julho.

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