Não é a Bahia inteira que engole os crimes do “irmão” do Lula
2 de julho de 2026 § 1 comentário

Jaques Wagner, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, o terceiro petista em sequência a governar a Bahia, contados ele e Rui Costa, pais do Banco Master, foi vaiado na sua chegada ao Cortejo do Dois de Julho, feriado que celebra a Independência da Bahia.
Lula não participou do evento este ano — Zema foi o único presidenciável presente — mas ontem, 4a feira, num comício, naquela linha de que “errar” não é ceder à corrupção mas deixar-se flagrar fazendo isso, Lula comprovou que a demissão de Wagner do cargo de líder do seu governo no Senado foi apenas um gesto protocolar.

“Ele me ajuda a
fazer o que eu faço e a
ser o que eu sou”
Lula chamou Jaques Wagner de irmão, o abraçou e posou no palanque a seu lado, uma semana depois de ele deixar o posto.
“Tem pouca coisa que a gente não escolhe na Bahia. A gente não escolhe pai, mãe, irmão, irmãs. A gente escolhe companheiros, e aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com o Jacques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, a minha relação com vários deputados que estão aqui, e a minha relação com o Otto”, disse.
“Porque a verdade é esta: é que nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. E essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou”.
E, obviamente, vice-versa: ele os ensinou e incentivou a ser o que se tornaram. E, mais claro ainda, não existe a mais remota hipótese de Lula não saber e não estar por trás de toda a falcatrua do Banco Master, que ele chamou de “uma grande bobagem” (de pelo menos R$ 60 bi desaparecidos no mesmo vertedouro de sempre) que foi armada e patrocinada exatamente por esse mesmo trio.
Vorcaro
parece ter comprado o
esquema de Gilmar
Atendendo praticamente a um convite de Gilmar dos Patrocínios, que não perde oportunidade de antecipar que é isso que pretende fazer, a defesa de Daniel Vorcaro tem aberto mão de produzir contestações às provas que surgem do exame dos celulares apreendidos e concentra-se em produzir as condições para invalidar provas reunidas durante as investigações.

Mendonça
sinaliza que não vai
dar mole
Mas André Mendonça, que pôs a polícia no encalço da quadrilha da Bahia, não está disposto a dar mole. Mesmo durante o recesso do Judiciário, que começou ontem, 1º de julho, e se estende até o fim do mês, ele continuará despachando normalmente em investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Até o momento, as decisões de Mendonça no caso Master vêm sendo mantidas pela maioria da turma, com apoio dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Fux assumirá a presidência da 2a Turma a partir da volta do recesso, em substituição a Gilmar dos Patrocínios, e passará a ter o comando da pauta da Turma, um obstáculo a menos no caminho da justiça.

Mais um
para a luta pelo
Senado
No contexto da luta pela formação de uma maioria sólida no Senado, capaz de impor um mínimo de decência ao comportamento do STF, Mendonça proferiu, na quarta-feira, decisão que autoriza o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), a disputar uma vaga no Senado em outubro.
A decisão liminar suspendeu efeitos de condenação de Crivella à inelegibilidade — a arma de Lula na “campanha eleitoral” pelo Senado — pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio.
Soltar bandido para se candidatar a apoiador da quadrilha no cassino parlamentar.