Vereador do PT preso por ligação com PCC sempre atuou no transporte clandestino

29 de junho de 2026 § Deixe um comentário

Preso na semana passada na Operação Última Parada, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, e afastado da filiação ao PT, o vereador Senival Pereira de Moura tem ligação histórica com o transporte clandestino.

Os investigadores vinculam o parlamentar ao setor de transporte desde a década de 1970, com atuação em linhas clandestinas e, mais tarde, como representante dos antigos “perueiros” da Zona Leste, cargo que facilitou sua trajetória política e influência sobre contratos e emendas na região.

Nos últimos anos, segundo a polícia, Senival se tornou uma das figuras centrais de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), usando a concessionária Transunião Transportes S.A., responsável por lotes do transporte público na capital, para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção.

Pelos autos, embora não constasse formalmente na direção da transportadora, Senival tinha o controle de fato da empresa.

O petista instrumentalizou a Transunião para operar um sistema financeiro clandestino de repasses e circulação informal de recursos em benefício de integrantes do PCC.

Documentos apreendidos, comunicações telemáticas e planilhas internas indicam que Senival era identificado por apelidos como “presidente” e aparecia como beneficiário econômico de pelo menos 13 ônibus, com repasses e movimentações financeiras que não coincidem com os rendimentos declarados do vereador.

Relatórios financeiros apontam movimentação de cerca de R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022, com diferença superior a R$ 2,4 milhões em relação ao que teria sido declarado.

A apuração menciona participação de familiares (esposa Maria de Lourdes Andrade de Moura, filhos Ítalo e Vitor Andrade de Moura, e irmão Rubens Pereira de Moura) e de assessores e motoristas de confiança (entre eles Adão Lino dos Santos e Devanil Sousa Nascimento, o “Sapo”) em registros societários e operações destinadas a ocultar patrimônio e garantir o controle sobre a empresa.

A investigação tem origem no homicídio de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, morto a tiros em março de 2020 após apurações que já o indicavam como “testa de ferro”.

O Ministério Público afirma que foi aplicado um “tribunal do crime” pelo PCC, que ordenou a execução de Adauto, enquanto Senival acabou perdoado pela facção mediante o compromisso de ressarcir o que havia desviado do esquema.

Na sequência da operação, a Justiça manteve a prisão temporária de Senival após audiência de custódia, e a Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes, decretou intervenção na Transunião por seis meses, abrangendo prédios, veículos e demais bens da concessionária.

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