Na Venezuela, buscas entram no 3º dia em meio a abalos e colapso de hospitais

27 de junho de 2026 § Deixe um comentário

Atualizado às 16h00

O número de mortos por conta dos terremotos na Venezueala subiu hoje para 1.430 pessoas, segundo um balanço atualizado do governo, com mais de 3.200 feridos e quase 3.150 pessoas desabrigadas.

O governo declarou que o sistema de saúde prestou mais de 12.000 atendimentos médicos nas áreas afetadas pela emergência e as agências de saúde realizaram 5 mil atendimentos hospitalares diretos e 7.500 triagens.

Até o momento, 73.736 famílias receberam algum tipo de assistência humanitária.

Em relação à ajuda alimentar, as autoridades distribuíram 7,2 milhões de quilos de alimentos nas áreas afetadas, especialmente no estado de La Guaira, além de entregar 16.145 cestas básicas diretamente às famílias afetadas.

Os tremores continuam enquanto as buscas por sobreviventes entram no seu terceiro dia e os hospitais do país dão primeiros sinais de colapso.

Dois novos abalos secundários de intensidade moderada foram sentidos hoje pela manhã em Caracas e outras áreas da região centro-norte do país.

Ao todo foram registrados 432 eventos sísmicos, incluindo os movimentos principais.

Segundo a Fundação Venezuelana de Pesquisa Sismológica (Funvisis), os abasos secundários não cessaram desde o duplo terremoto que devastou o país na última quarta-feira.

A Funvisis confirmou que o novo tremor secundário que acordou os moradores de Caracas ocorreu às 6h55 deste sábado e atingiu uma magnitude de 3,8 (Mw).

A agência indicou que o terremoto teve uma profundidade de 5,4 quilômetros e seu epicentro foi localizado a 16 quilômetros a noroeste de La Guaira.

Apenas 11 minutos depois, às 7h06, as equipes de monitoramento registraram um segundo tremor secundário de magnitude 3,0, com uma profundidade de 7,9 quilômetros e epicentro a 11 quilômetros a sudoeste de Naiguatá.

A Funvisis informou que, durante a madrugada e as primeiras horas deste sábado, continuou a registar atividade sísmica em diferentes regiões do país, elevando para mais de 300 o número de terremotos registados desde o início do alerta.

Colapso do
sistema de saúde

Centenas de feridos estão sendo tratados em Caracas após serem transferidos nas últimas horas do estado de La Guaira, onde o sistema de saúde entrou em colapso.

A transferência em massa de centenas de feridos para a capital nas últimas horas sobrecarregou a rede hospitalar da cidade, gerando um cenário de extrema pressão e mobilização.

As áreas de emergência e salas de espera dos hospitais Dr. Miguel Pérez Carreño, Periférico de Catia, José María Vargas e Domingo Luciani estavam lotadas de familiares e conhecidos aguardando informações sobre o estado de saúde de seus entes queridos que sobreviveram a essa tragédia que assolou o estado.

Desde quinta-feira, voluntários organizam mutirões para entregar doações de alimentos, água, sucos e insumos médicos essenciais, materiais que historicamente apresentam escassez crônica nas unidades públicas do país.

As buscas na Venezuela chegaram ao terceiro dia neste sábado.

Segundo o governo, mais de três mil pessoas estão desabrigadas e 383 residências foram total ou significativamente danificadas, a maioria no estado de La Guaira.

O Serviço Geológico dos EUA previu que o número de mortes pode chegar a 10 mil pessoas. De acordo com a ONU, há 50 mil desaparecidos.

As equipes de resgate continuam trabalhando para encontrar mais pessoas presas sob os escombros durante a chamada “janela de ouro” de até 72 horas após o terremoto.

É o intervalo com mais chance de resgatar pessoas soterradas vivas sob os escombros.

Após esse período, as chances de sobrevivência sem água diminuem rapidamente.

Ajuda internacional
para Venezuela

Diversos países se mobilizaram e enviaram equipes de resgate para a Venezuela, após o país declarar estado de emergência.

Os EUA prometem enviar equipes de resgate, equipamentos especializados, apoio para abrigos temporários e ajuda humanitária para as famílias afetadas.

O Brasil prometeu 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

A FAB também enviou uma missão humanitária, levando, além de médicos, cães farejadores e equipamentos especializados para apoiar a Venezuela nos esforços de resgate.

O México enviou 250 militares especializados em resgate, cinco cães de busca, quatro aeronaves, um drone, equipamentos de resgate e suprimentos médicos. Já El Salvador enviou 300 socorristas e 50 toneladas de suprimentos.

A ONU informou que 25 equipes internacionais foram mobilizadas, com um total de 1.000 profissionais.

As primeiras toneladas de suprimentos humanitários foram enviadas do centro regional da Federação Internacional da Cruz Vermelha no Panamá com destino à Venezuela, incluindo kits de cozinha, kits de higiene, mosquiteiros e outros itens essenciais.

Dois aviões da força aérea da Índia transportaram para a Venezuela um hospital de campanha e mais de 35 toneladas de suprimentos de socorro, medicamentos e equipamentos médicos.

Uma equipe alemã de resposta a desastres, com 48 integrantes, viajou ontem à Venezuela.

O papa Leão enviou €100 mil (US$ 114 mil) à Venezuela.

A organização de ajuda alimentar World Central Kitchen já começou a distribuir refeições em Caracas, além de contribuir imediatamente com US$ 1 milhão para ajudar a Venezuela.

A Unidade Nacional de Gestão de Risco de Desastres da Colômbia informou que mobilizou uma equipe urbana de busca e resgate com mais de 60 pessoas, quatro equipes com cães e 12 toneladas de equipamentos para a Venezuela, além de nove bombeiros da cidade de Cali.

O Equador vai enviar uma equipe composta por 46 especialistas em busca e resgate urbano, dois cães e seis toneladas de equipamentos.

@metropolesoficial

A Venezuela chega neste sábado (27/6) ao 3° dia de buscas pelos desaparecidos após os dois terremotos que atingiram o país na quarta-feira (24/6). Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 50 mil pessoas estão sem dar notícias. Até o momento, o governo venezuelano confirmou 920 mortos e 3.360 feridos. Neste sábado (27/6), o Brasil envia mais um avião ao país com a estrutura de um hospital de campanha da Marinha. Profissionais de saúde, remédios e insumos médicos e purificadores de água também também estarão na carga. Ontem, o Brasil enviou 44 profissionais especializados em resgates, seis cães farejadores e cerca de 12 toneladas de materiais de apoio utilizados em missões de emergência. Além do Brasil, diversos países estão enviando apoio à Venezuela. A Colômbia mandou um grupo de elite de busca e resgate, o Chile enviou uma unidade especializada do corpo de bombeiros chileno, El Salvador, 300 socorristas e paramédicos, o México, dois aviões da Força Aérea do país, o Peru, uma equipe de resgate e os Estados Unidos afirmaram que vão fornecer US$ 150 milhões em ajuda. Na Europa, nações como Holanda, Espanha, Itália e França também estão mandando socorristas e ajuda humanitária. “Entre hoje e amanhã, praticamente dez países adicionais se juntarão a esses esforços de resgate”, informou a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, durante a madrugada deste sábado (27/6). De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, o desastre deixou mais de 4 mil cidadãos desabrigados e provocou danos estruturais em  1.423 edifícios, incluindo residências, hospitais e diversos centros comerciais. Nesta sexta-feira (26/6), o governo venezuelano limitou o acesso à La Guaira, região mais afetada pelos desmoronamentos. A intenção é controlar o fluxo de pessoas e organizar as operações de resgate. Em pronunciamento na madrugada deste sábado, a presidente Delcy Rodríguez disse que a “situação no estado de La Guaira exige atenção especial”. O local foi declarado como zona de desastre. Segundo ela, 14 mil agentes, entre militares e policiais, estão na região. 🤳 Reuters

♬ som original – Metrópoles Oficial

A França afirmou que está enviando uma unidade de busca e resgate urbano à Venezuela, incluindo equipes médicas, engenheiros e cães.

O Ministério da Defesa da Espanha mandou um avião militar com 59 soldados de sua unidade de busca e resgate e 40 bombeiros da região de Madri para a Venezuela, além de seis cães farejadores.

Países como Chile, Panamá e Catar também enviaram equipes de resgate e suprimentos para a Venezuela.

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