O risco sistêmico de fraudes como as do Master e do Digimais
24 de junho de 2026 § Deixe um comentário


O saldo de Certificados de Depósito Bancário emitidos pelo Banco Digimais saltou 1.130% em oito anos e alcançou R$ 8,5 bilhões em 2025.
O crescimento acelerado, sustentado por remunerações que chegaram a 140% do CDI para atrair investidores, está no centro da investigação da PF.
Segundo os policiais, o Digimais instrumentalizou o Fundo Garantidor de Créditos como um “mecanismo de cobertura para fraudes”, em um modus operandi semelhante ao do Banco Master, caracterizado por uma transferência deliberada de risco.

Os gestores captavam bilhões do público para sustentar uma operação deficitária, repassando o prejuízo final para o sistema de proteção institucional do FGC.
As suspeitas de manipulação contábil, ocultação de prejuízos, superavaliação de ativos, venda de créditos sem lastro e transferência de riscos para terceiros do banco de Edir Macedo revelam um padrão recorrente de comportamento em instituições financeiras de médio porte que trabalham com altas taxas de risco.
Conforme registra o Correio Braziliense, a utilização de carteiras de crédito de qualidade duvidosa para inflar artificialmente ativos, mascarar a situação patrimonial da instituição e sustentar uma aparência de solvência perante reguladores, investidores e depositantes pode representar uma ameaça estrutural à estabilidade do sistema financeiro nacional.

Quando uma instituição transfere carteiras problemáticas para fundos, investidores ou outros bancos, os riscos deixam de permanecer confinados ao seu balanço, espalhando-se pelo sistema financeiro como um todo, como se viu na origem da crise financeira global de 2008 com os subprimes.
Apesar das semelhanças, o sistema bancário nacional continua sólido, capitalizado e submetido a uma das regulações mais rigorosas do mundo, mas os episódios envolvendo Master, Digimais e outras instituições liquidadas revelam vulnerabilidades importantes na supervisão de bancos médios e de estruturas financeiras menos transparentes.
A situação do BRB
Enquanto isso, o corregedor do Conselho Nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, deu mais 10 dias de prazo para que cinco tribunais de Justiça estaduais enviem atualizações sobre os R$ 30 bilhões em depósitos judiciais sob gestão do Banco de Brasília (BRB).

O receio é que esses recursos se percam em caso de liquidação do banco público.
Campbell intimou, em fevereiro, os Tribunais do Distrito Federal, da Bahia, de Alagoas, do Maranhão e da Paraíba para que expliquem a operação.
Esses cinco tribunais injetaram os recursos dos depósitos judiciais no BRB, em troca de uma maior taxa de retorno.
Detalhe: os depósitos não pertencem aos órgãos, e sim a participantes de processos em andamento.
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