E veja os números por trás da tempestade Lula X Tarifas
3 de junho de 2026 § Deixe um comentário


Marcos Prado Troyjo faz 17 apontamentos sobre o que de fato está envolvido, se e quando a nova tarifa americana for aplicada contra o Brasil.
- O Brasil tem hoje um PIB nominal medido em dólares norte-americanos de US$ 2,6 trilhões.
- As exportações brasileiras em 2025 foram de US$ 350 bilhões, cerca de 13,5% do PIB.
- Entre as economias do G20, apenas EUA (maior mercado consumidor interno do mundo) e Argentina têm um percentual do PIB representado por exportações menor que o do Brasil.
- Os EUA, com PIB nominal de US$ 31 trilhões, importam 12% de seu PIB. Logo, um valor nominal de aproximadamente US$ 3,7 trilhões.
- Os 12% do PIB dos EUA (US$ 3,7 trilhões) representam um valor superior ao PIB nominal da França ou ao PIB nominal somado de todos os países do continente africano.
- Em 2 de abril de 2025, o Governo Trump, numa investida neoprotecionista, anunciou sua “Politica de Comércio Justa e Recíproca”, conhecida por “Tarifaço”. Aplicou novas alíquotas de importação a todos os seus parceiros comerciais.
- Mesmo antes do “Tarifaço”, o Brasil como exportador representava apenas 1% (cerca de US$ 37 bilhões) de todas as importações dos EUA.
- Ao longo da segunda Presidência Trump, as tarifas adotadas em 2 de abril (instrumentalizadas por mecanismo de caráter emergencial, IEEPA) corriam o risco de ser derrubadas pela Suprema Corte — o que de fato aconteceu em fevereiro de 2026.
- Nessa onda neoprotecionista, o Governo dos EUA expandiu a utilização de diferentes instrumentos de política comercial como as investigações da Seção 301 a cargo do USTR.
- Hoje, sob o guarda-chuva da Seção 301, 76 países estão sob investigação.
- Alguns por suposta utilização ofensiva de capacidade industrial excessiva (16 países como China, Índia, México, Taiwan além da União Europeia).
- Outros (60 países)* por suposta utilização de mão-de-obra forçada (forced labor).
- Outros ainda são objeto de investigação específica e mais ampla (como Brasil, Coreia do Sul, China, Nicarágua, Vietnã).
- Caso os EUA venham a efetivar tarifas adicionais às exportações brasileiras resultantes das investigações realizadas pelo USTR ao abrigo da Seção 301, algo como 25% das exportações brasileiras aos EUA seriam afetadas.
- Assim, o valor exportado impactado pelas eventuais novas tarifas seria de US$ 9,4 bilhões, cerca de 2,7% de tudo o que o Brasil exporta.
- O valor exportado pelo Brasil aos EUA sobre o qual eventualmente incidiriam novas tarifas oriundas da Seção 301 representaria algo como 0,36% do PIB brasileiro.
- O comércio Brasil-EUA é um “case” exemplar de deseconomia, subdesempenho e oportunidades desperdiçadas.
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