Os bilhões que o crime organizado tira da economia legal

31 de maio de 2026 § 1 comentário

Sem tantos riscos como no tráfico de drogas, o crime organizado se infiltrou em vários setores da economia legal e passou a faturar agindo de modo ilícito em mercados lícitos.

As quadrilhas já atuam nos segmentos de combustíveis, construção, transporte público, bebidas, cigarros, mineração, imobiliário, apostas, hotelaria, varejo, pecuária, atividades financeiras e serviços públicos, registra O Globo.

A CNI estima uma perda de receita anual da ordem de R$ 39 bilhões, ou 0,6% das vendas de fábricas e atividades extrativas, para o crime organizado.

O dado é fruto de um levantamento com 1.398 empresas dos 32 segmentos industriais, das quais 31% foram prejudicadas por algum ilícito nos últimos dois anos.

PCC e CV

Designados pelos EUA como organizações terroristas globais, o PCC e o CV se aproveitam de brechas regulatórias e baixa fiscalização para diversificar suas atividades em setores econômicos formais, sem abandonar o mercado ilegal de drogas.

Nos últimos três meses, o Coaf comunicou R$ 44,1 bilhões em movimentações suspeitas de facções criminosas só no Rio de Janeiro, o suficiente para pagar o Bolsa Família nesse período.

Em São Paulo, o Ministério Público acredita que a receita anual do PCC em sua atuação em setores econômicos diversos pode chegar a R$ 12 bilhões.

Os exemplos se multiplicam.

No mercado financeiro, a Polícia Federal identificou R$ 46 bilhões em transações realizadas por fintechs ligadas à facção entre 2020 e 2024.

Só o PCC se beneficiava de pelo menos 40 fundos com mais de R$ 30 bilhões em ativos, alguns ligados à Reag, gestora também envolvida nas fraudes do Banco Master.

Meios eletrônicos como as bets se revelaram um meio fácil de ocultar recursos e dar ares de legalidade ao dinheiro sujo.

Com a guerra na Ucrânia e a disparada do preço dos fertilizantes, o roubo de cargas virou um bom negócio para o crime, que desvia a carga para fábricas clandestinas, adultera o produto e revende a agricultores usando misturas de péssima qualidade, como areia, madeira e tijolos triturados.

Prática que ganhou projeção nacional com a recente crise do metanol, a falsificação de bebidas é outra área com baixo risco penal para o crime organizado, muitas vezes restrito a um pagamento de fiança.

O mesmo vale para cigarros.

No ramo hoteleiro, uma rede de 60 motéis no interior de São Paulo movimentou recursos que compraram um iate de 23 metros, um helicóptero, uma Lamborghini e mais de R$ 20 milhões em terrenos, com faturamento de R$ 450 milhões em quatro anos e R$ 45 milhões distribuídos aos sócios.

No ramo portuário, empresas associadas à facção chegaram a controlar um dos terminais do porto de Paranaguá (PR), com instalações de cerca de 85 mil m² e 18 tanques para granéis líquidos.

§ Uma Resposta para Os bilhões que o crime organizado tira da economia legal

  • gracefullyf6aa39b6a3 disse:

    Um povo intimidado e indefeso, pela falta de perspectivas e de segurança, pela crescente criminalidade, amparada por uma justiça corrompida e pela quadrilha que “tomou o poder”…
    Sem regras a obedecer, roubando mercadorias, em vez de ter custos e sem impostos a pagar, as empresas do crime “AUTORIZADO” lucram o dobro do que o mais rentável empreendimento sujeito às tributações escorchantes, poderia sonhar.
    Sem falar nos enormes riscos à saúde da população, como foi o caso do metanol em bebidas ou em outros consumíveis, bem como o risco à vida de empreendedores, rotineiramente intimidados por criminosos, dentro dos seus próprios negócios.
    Muitas empresas de pequeno, médio e até de grande porte são obrigadas, há anos, a contratar afilhados de bandidos para não serem saqueadas. Estes contratados compulsórios se tornam olheiros do negócio, para que o chefe do tráfico não seja enganado quanto ao faturamento da empresa e o quanto cobrar pela “proteção”.
    Os relatos de imposições, intimidações e cobranças desse tipo se multiplicam entre empresas e particulares, nesse país comandado por um desgoverno altamente criminoso.

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