Esquema em fintechs e postos de combustível do PCC se reestruturou
28 de maio de 2026 § Deixe um comentário


O Ministério Público de São Paulo (MPSP), em ação conjunta com a Receita Federal, a ANP e órgãos estaduais, deflagrou hoje a Operação Fluxo Oculto para desarticular um esquema de lavagem de dinheiros, sonegação e adulteração de combustíveis ligado ao PCC.
A operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados e investiga seis fintechs que funcionavam como “bancos paralelos”, movimentando mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025 – BK Bank, Ceopag, Vpay, Sispay, Yaw e Smart Solutions Group.
As autoridades apuraram uso de depósitos em espécie, abertura de contas em outras instituições de pagamento e “contas-bolsão” com registros internos (“contas gráficas”), criando camadas de ocultação que impediam o rastreamento dos verdadeiros titulares dos recursos.
A investigação é desdobramento da Operação Carbono Oculto (de agosto de 2025) e identificou que o grupo se reestruturou rapidamente: abriu novas empresas de fachada, migrou recursos entre fintechs e ampliou o desvio de nafta (solventes petroquímicos).
As diferentes
frentes do esquema
Um dos focos é o desvio físico de nafta: produtores e importadores emitiram notas fiscais falsas para empresas fantasma; o produto era redirecionado para terminais e misturado à gasolina, gerando sonegação tributária estimada em mais de R$ 200 milhões e desvio comprovado de mais de 135 milhões de litros em pouco mais de dois anos.

Outra frente investiga o uso de fundos de investimento (FIDC-NP) e administradoras para mascarar beneficiários e dar aparência “limpa” aos recursos ilícitos, com operações fictícias sem deságio e prazos curtíssimos; o patrimônio de alguns fundos investigados soma cerca de R$ 205 milhões, com crescimento patrimonial superior a 200% em pouco mais de um ano.
A Receita Federal informou também a identificação de movimentações em criptoativos, com ao menos R$ 365 milhões transacionados entre instituições e empresas suspeitas, apontando uma novidade na técnica de lavagem em relação à fase anterior.
As investigações miram empresários e empresas próximas de Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.
Os dois estão foragidos desde agosto do ano passado e a última informação é que estavam na Líbia.
Eles são apontados como lideranças e operadores do esquema, que usava laranjas, pessoas vulneráveis e até presos para constituir empresas-fantasma e ocultar patrimônio.

O MP-SP, o Gaeco de Piracicaba e a Procuradoria-Geral da Pública rejeitaram propostas de delação premiada apresentadas pelas defesas de ambos por insuficiência de provas.
A operação mobilizou cerca de 135 servidores da Receita e integrantes do Gaeco, ANP, Secretaria da Fazenda e polícias Militar e Civil, com objetivo de apreender provas, identificar responsáveis e bloquear bens vinculados a fundos e empresas usadas como dutos financeiros.
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