Flavio foi apresentado à Vorcaro 4 dias depois da reunião dele com Lula

17 de maio de 2026 § 1 comentário

“O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”.

Quem pedia a Lula esse conselho de pai — ou deveria chamá-lo de decisão de chefe? — era Daniel Vorcaro, no gabinete do presidente no Palácio do Planalto na tarde de 4 de dezembro de 2024, apenas quatro dias antes da data em que Flávio Bolsonaro foi apresentado ao banqueiro pelo lobista Thiago Miranda.

Lula não pestanejou: com vários palavrões para se referir a Roberto Campos Neto, que deixaria o BC dias depois, e outros tantos para se referir a Andre Esteves, na presença de Gabriel Galípolo, já nomeado para substituí-lo, mandou que Vorcaro aguentasse firme, porque em poucos dias Galípolo estaria no comando do BC.

O furo da reconstituição da cena é de Fabio Serapião e Natália Portinari, do portal UOL, com base em documentos vazados da investigação da Polícia Federal.

Vorcaro saiu feliz da vida: “Foi ótimo”, comemorou com sua então namorada, Martha Graeff, como mostram mensagens de um de seus celulares em posse da PF. “Ele chamou presidente do banco central que vai entrar” e “3 ministros”, diz Vorcaro. Martha reage com uma exclamação em formato de onomatopeia: “Uauuuuuuuu. Tô louca pra saber de tudo”.

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Quatro dias depois ele seria apresentado a Flávio Bolsonaro. E o contrato para o financiamento de “Dark Horse” saiu voando, embora o banco já estivesse falido, posto que os pagamentos para o filme começaram em alguma data entre fevereiro e maio de 2025.

Na altura daquela reunião, é claro, Lula conhecia em minúcias a situação do banco, de cujo corpo jurídico fazia parte Ricardo Lewandowski, seu ministro da Justiça, e em cujo conselho de administração sentava-se Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Dilma.

Em dezembro de 2024 Lula estava, aliás, com as declarações de André Esteves sugerindo falhas na política econômica e sinalizando que o próximo chefe do Executivo brasileiro poderia ser alguém de oposição ao PT atravessadas na garganta.

Esse encontro de 4 de dezembro de 2024 foi articulado depois de uma audiência formal registrada na agenda do chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Lula recebeu Vorcaro acompanhado do então ministro da Casa Civil, Rui Costa, de Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia e de Augusto Lima, então CEO do Banco Master.

Foi da inseminação de Augusto Lima por Rui Costa que, com as bençãos de Jacques Wagner, lhe vendeu a estatal Credicesta quando governador da Bahia de 2015 a 2022, que nasceu o Banco Master na incubadeira dos empréstimos consignados do Lula, e cresceu alimentado-se do monopólio que Rui Castro deu a ele para os consignados — encomendados ou não — de todo o funcionalismo da Bahia.

Augusto Lima também esteve preso brevemente pela operação Compliance Zero mas logo foi solto e nunca mais a Polícia Federal demonstrou interesse em investigá-lo.

Em 24 de julho de 2025, Lima saiu do Master e ficou com um outro banco do próprio Master, o Voiter (depois transformado em Pleno). O Banco Central, já sob comando de Gabriel Galípolo e sabendo da existência de fraudes, autorizou a operação de entrega do Voiter a Lima.

Foram realizadas 65 reuniões presenciais desde 2019 entre Master e Banco Central, 24 na gestão de 6 anos de Roberto Campos Neto (2019-2024) e 41 já durante o mandato de Gabriel Galípolo como presidente, nos primeiros 11 meses do ano de 2025.

Com o conselho de Lula para não vender seu banco ao BTG, Vorcaro acabou concluindo uma negociação em março de 2025 com o BRB, o banco estatal que pertence ao governo do Distrito Federal. Só que logo na sequência essa operação passou a ser bombardeada por todos no mercado financeiro. Havia risco de não ser concluída — e não foi mesmo, pois o Banco Central acabou vetando o negócio — mas só bem depois, em setembro de 2025….

A reportagem do UOL deste domingo (17.mai.2026) relata que a PF encontrou mensagens de Vorcaro a seu então sócio Augusto Lima em 10 de abril de 2025 voltando a falar do plano de venda do Master ao BTG. O então dono do Master estava procurando saídas, pois a operação com o BRB sofria resistências. “Irmão pelo amor de Deus. Não passe isso pra ninguém”, escreveu Vorcaro às 20h46 de 10 de abril de 2025, segundo os registros no seu celular que foram divulgados pelo UOL. “Lógico irmão. Tá doido”, respondeu Augusto Lima logo em seguida.

Essas mensagens demonstram que Vorcaro pode ter percebido rapidamente que não iria dar certo a operação com o BRB anunciada em março de 2025. E que talvez fosse mais apropriado voltar ao plano anterior — o mesmo que ele já havia relatado a Lula em dezembro de 2024 — de vender o Master por um valor simbólico para o BTG — algo que também nunca aconteceu.

§ Uma Resposta para Flavio foi apresentado à Vorcaro 4 dias depois da reunião dele com Lula

  • gracefullyf6aa39b6a3 disse:

    O Master era a lavanderia de dinheiro perfeita para a quadrilha petista e Vorcaro, o mestre de cerimônias que atraía e enturmava a turma do poder com a turma da grana, em festas discretas e pomposas, ou em outras totalmente indiscretas, dependendo do fogo e da pouca vergonha da galera convidada.
    Quanto mais gente no rolo, mais difícil pegar o falsário…

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