Os números que mostram como o STF de Moraes coagiu a receita
15 de maio de 2026 § Deixe um comentário


O número de investigações da Receita Federal contra agentes públicos que ocupam cargos relevantes caiu 54% desde que Alexandre de Moraes instaurou no Brasil o atual regime de exceção, revela a Folha.
Em 2025, foram abertos 1.437 procedimentos fiscais contra parlamentares, ministros, juízes e seus familiares, as chamadas PPEs (Pessoas Politicamente Expostas).
Menos da metade dos 3.137 abertos em 2019, quando Moraes suspendeu uma força-tarefa da Receita para investigar cerca de 800 agentes públicos do Legislativo, Executivo e Judiciário suspeitos de terem cometido fraudes.
O Supremo estava entre os alvos.
Na época, Moraes se valeu de uma reportagem, sim, do Intercept, sobre o então procurador Deltan Dallagnol, que já desconfiava de falcatruas de Dias Toffoli, para justificar sua decisão.
A chamada “tropa de elite de auditores” selecionou agentes públicos e familiares com indícios de acréscimo patrimonial relacionados a crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de bens.
Segundo a reportagem, em 2019, eram alvos de investigação 15 ministros de tribunais superiores, 56 deputados federais, 31 senadores, nove ministros de Estado e quatro familiares de autoridades.
Em 2025, o número baixou para quatro juízes de cortes superiores, 37 deputados federais, seis senadores, quatro ministros de Estado e nenhum familiar.
Neste ano, Moraes promoveu outra caça às bruxas entre auditores, usando o eterno inquérito das Fake News.

Foi uma verdadeira “pesca probatória” com a solicitação de investigação sobre o acesso aos dados de mais de 100 pessoas, todas ligadas aos ministros do STF.
Ele abriu o inquérito de ofício – ou seja, sem requisição de órgãos de investigação, como PF e MP – para investigar a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Resultado: distribuiu medidas cautelares contra quatro servidores, incluindo afastamento, busca e apreensão e uso de tornozeleira eletrônica.
Tudo isso depois que a jornalista Malu Gaspar revelou um contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com o escritório de sua esposa, Viviane Moraes, e Lauro Jardim deu detalhes fiscais e patrimoniais da família.
“Em 2024, na distribuição de lucros do Barci de Moraes, coube a Viviane a quantia de R$ 57 milhões. Seu patrimônio pessoal entre 2023 e 2024 passou de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões”, escreveu o jornalista de O Globo.
Após a operação, o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, afirmou que “é mais fácil investigar o PCC do que certas autoridades”.

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