PF prende pai de Daniel Vorcaro e revela o submundo do esquema
14 de maio de 2026 § 1 comentário


A Polícia Federal prendeu hoje em Belo Horizonte o pai de Daniel Vorcaro.
Henrique Moura Vorcaro foi detido durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do banco Master, autorizada por André Mendonça.
Ele era presidente da Multipar, que movimentou mais de R$ 1 bilhão de 2020 a 2025 exclusivamente entre contas ligadas ao filho, segundo o Coaf.
Mendonça também determinou o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de afastamentos de cargos públicas e bloqueio e sequestro de bens.
A investigação aponta que a quadrilha de Vorcaro estava dividida em dois núcleos principais: “A Turma”, descrita como o braço operacional presencial, e “Os Meninos”, apontado como o núcleo digital responsável por ataques cibernéticos e invasões telemáticas.
A Turma
Segundo a polícia, “A Turma” atuava com ameaças e intimidações presenciais, monitoramento de alvos, levantamentos clandestinos, obtenção ilegal de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
O grupo contava com policiais federais — ativos e aposentados — operadores do jogo do bicho e outros colaboradores usados para atacar adversários e críticos.

O policial aposentado Marilson Roseno da Silva é investigado como líder operacional desse núcleo.
O pai
Henrique Vorcaro é apontado como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do esquema: segundo a decisão judicial, ele solicitou serviços ilícitos, financiou operações e manteve contato frequente com membros do grupo mesmo após fases anteriores da operação.

Diálogos reproduzidos pela PF mencionam negociações de pagamentos e repasses.
Segundo os delegados, Marilson enviou mensagens para Henrique Vorcaro em janeiro deste ano cobrando pagamentos ao grupo.
O pai de Vorcaro confirmou que enviaria pagamento “imediatamente” no valor de R$ 400 mil.
Em fevereiro deste ano, Marilson voltou a cobrar os repasses e disse que suspenderia a prestação de serviços do grupo.
O sicário
De acordo com a PF, o próprio Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, dividia os valores, como mostra conversa com Daniel Vorcaro.

Na mensagem reproduzida no relatório, Mourão, que se enforcou sob custódia da Polícia Federal, afirma: “ele manda o mensal e eu divido entre a turma (…) Mando pra eles. 400 divido entre 6”.
Mourão mantinha relação direta de prestação de serviços com Vorcaro e atuava como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, e monitoramento de pessoas, diz a PF.
Antes de se enforcar, o Sicário orientou sua família a procurar Henrique Vorcaro, segundo a GloboNews, com base em depoimentos no inquérito sigiloso que investiga sua morte de Denise, mãe de Mourão, e uma irmã dele.
Foi para elas que Sicário fez as duas ligações que lhe foram permitidas assim que foi preso.
A ambas, deu a orientação de que pai de Vorcaro saberia ajudá-las e orientá-las.
O cunhado, a milícia
e os bicheiros
A investigação também aponta Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como responsável ordinário por repasses, e indica que parte dos recursos passou por contas vinculadas a empresas do grupo empresarial da família.

“A Turma” também teria subnúcleos locais com atuação específica no Rio de Janeiro, onde, segundo a investigação, operadores do jogo do bicho e milicianos agiram a mando da organização para intimidações e ameaças.
A decisão de Mendonça registra episódios em que o grupo se deslocou para ameaçar e constranger vítimas em Angra dos Reis e em outras localidades, incluindo ameaças de morte.
Os Meninos
“Os Meninos” aparece na investigação como o braço tecnológico da quadrilha.
Esse núcleo realizava ataques cibernéticos, derrubava perfis em redes sociais, fazia monitoramento telefônico e digital ilegal e ocultava provas eletrônicas.
A Polícia Federal aponta David Henrique Alves como líder operacional desse núcleo e informa que membros desse grupo chegaram a receber cerca de R$ 75 milhões mensais para execução das ações digitais.
Também são citados como integrantes Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, investigados por apoio técnico ao núcleo.
PF subornada
O agente da PF Anderson Wander da Silva Lima é investigado por fazer consultas indevidas em sistemas internos da corporação.
Já a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva são suspeitos de acessar ilegalmente o sistema e-Pol para compartilhar dados reservados.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

Que máfia que nada, essa quadrilha do Vorcaro bateu todos os recordes.