O Brasileiro que Donald Trump atende em três toques
12 de maio de 2026 § 2 Comentários


Num dia, ele liga para o celular de Trump, passa o aparelho para Lula e garante uma reunião presencial entre os dois presidentes na Casa Branca que estava encalacrada havia meses para dali a menos de duas semanas.
No outro, vê os detergentes Ypê, concorrentes diretos de sua marca Minuano, sofrerem uma perseguição sanitária implacável da Anvisa.
Mais uns dias e está sentado ao lado do filho do presidente dos EUA em um evento para empresários brasileiros.
E agora, acaba de expandir seu império elétrico com a aquisição de mais cinco termoelétricas da poluidora Bolognesi Energia, empresa nascida em Porto Alegre e hoje baseada em São Paulo, com dinheiro do BNDES.

Joesley Batista é a versão de Lula dos oligarcas de Putin. E não há dúvida que há afinidades eletivas entre ele e o presidente americano.
Ambos têm nítidas biografias daquele tipo de “winner” custe o que custar.
Em 2017, a J&F foi multada em R$ 10,3 bilhões por fechar um acordo de leniência com o Ministério Público Federal durante a Lava Jato, declarando-se culpada de crimes de corrupção passiva, financiamento ilegal de campanhas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Em 2023, já no governo Lula 3, Dias Toffoli, ex-advogado do PT plantado no STF, suspendeu a multa.
Expansão na
velocidade da luz
Monopolistas no fornecimento de “energia para humanos” (proteína), estão sendo dirigidos agora para se tornarem monopolistas no fornecimento de energia elétrica para a máquina de produção nacional. Desde 2015, não param de comprar ativos por meio da Âmbar Energia.
Começaram por modestas termoelétricas e a distribuidora da Amazonas Energia. Daí saltaram para a Eletronuclear, dona das usinas Angra 1 e Angra 2.

Em março, no maior leilão de energia elétrica já realizado no país, recontrataram usinas termelétricas existentes, como a Santa Cruz e a Norte Fluminense do grupo francês EdF, em Macaé (RJ).
Mesmo vencedora, a Âmbar chegou a pedir a anulação do leilão para a ANEEL, que rejeitou o recurso.
Mas, ontem, o Ministério Público Federal pediu a suspensão do certame, que teve a contratação de cerca de 20 gigawatts.
Segundo a Abraenergias, se os contratos forem mantidos, as contas de luz podem ficar 10% mais caras para os consumidores e haverá 20% de reajuste para as indústrias, gerando impacto de até R$ 510 bilhões em dez anos.
O leilão de energia de Lula e seu ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira, que estava na reunião fora da agenda com Vorcaro e foi recebido pelo banqueiro na casa dele, já tem potencial para um novo escândalo do governo, o “Eletrolão”.
Quem denuncia o Eletrolão é o jornalista Caio Coppolla, conforme esta Vespeiro divulgou ontem neste link.
Enquanto o circo pega fogo, a J&F segue seu plano, e também ontem confirmou a compra das termoelétricas da Bolognesi Energia, que ainda depende de aprovações.
Todas com contratos em vigor para fornecimento de energia até os anos 2040, as usinas adquiridas pelos Ésley estão localizadas nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Goiás, com capacidade de geração de 766 megawatts (MW), sendo quatro movidas a óleo combustível e uma à biomassa.
A guerra dos detergentes
e a fala de Janja
Da conta de luz para o supermercado, a polêmica do detergente Ypê também envolve o nome dos irmãos Ésley.

Segundo deputado Nikolas Ferreira, as restrições impostas pela Anvisa seria mais um favorecimento de Lula à dupla, já que beneficia a marca Minuano.
A responsável por produzir o detergente Minuano, principal corrente da Ypê, marca alvo da Anvisa, é a Flora, do grupo J&F.
No meio da polêmica, Janja se saiu com esta enquanto tentava ressuscitar a narrativa de que Bolsonaro é o culpado pelas mortes de covid.
‘Alô, Trump,
posso passar pro Lula?’
Joesley já ficou mais importante que o chefe. Agora ele é global. Trump atende o celular dele antes do quarto toque. É o tempo de tirar do bolso e conferir quem chama.
Na sexta-feira anterior ao 1º de maio, ele estava no Alvorada e ouviu de Lula que estava difícil conseguir uma reunião com Trump.
“Posso ligar pra ele?”
Lula falou com Trump num telefone emprestado. E menos de duas semanas depois, estava em Washington abrindo a campanha eleitoral brasileira, com cobertura de 24 horas ininterruptas do jornal patrocinado pela JBS da televisão de outro dos “campeões nacionais” criados pelo PT, que vendeu uma mera reunião como uma espécie de feito histórico.
Sim, Brasil não é para principiantes…
Joesley entende a alma dos políticos. Abriu o coração de Trump dando a ele a maior de todas as contribuições privadas para a sua festa de posse.
Mas está jogando um jogo perigoso.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu na última segunda-feira uma investigação para apurar possíveis violações às regras de concorrência na indústria de processamento de carne.

Entre os alvos estão grandes frigoríficos que atuam no país, como a JBS e a National Beef, subsidiária da Marfrig, que se uniu à BRF no ano passado.
Segundo comunicado da Casa Branca, a medida faz parte de um esforço para “reprimir cartéis estrangeiros” e “restaurar a concorrência justa” no setor.
Donald Trump Jr.
e o afastamento da China
Mas ele não é o único brasileiro especializado em sedução de políticos. E todos eles se ajudam. Ontem, na esteira da reunião do pai com Lula, Donald Trump Jr., ao lado dos irmãos Batista, participou de um jantar no restaurante Cipriani, em Manhattan, onde aconteceu um painel promovido pelo grupo Esfera Brasil, outro candidato a esse tipo de estrelato.
No evento, ele defendeu o afastamento de EUA e Brasil da China.
Após ouvir os elogios de Wesley Batista aos Estados Unidos, Donald Trump Jr. pegou o microfone e usou um dos bordões mais conhecidos do antigo programa de TV de seu pai: “Você está contratado!”.
No mesmo dia, o Wall Street Journal revelou que o governo Trump planeja facilitar as importações de carne bovina nos EUA.
A flexibilização seria temporária, com duração de 200 dias.
Com os preços da carne moída acumulando alta de 40% nos últimos cinco anos, segundo relatório de analistas do banco Citi no Brasil, a medida seria uma tentativa de aliviar a inflação de alimentos nos EUA.
Processadores brasileiros, como Minerva, MBRF (união de Marfrig e BRF) e JBS poderão sair ganhando.
Um império com
mais de 50 marcas
Nascidos em Goiás, os irmãos Batista são donos de um império bilionário com mais de 50 marcas em oito setores estratégicos.
Só no Brasil, são 158 mil profissionais distribuídos em mais de 130 fábricas, escritórios, centros de distribuição e lojas Swift, atuando em operações como Friboi, Seara, além de áreas como JBS Couros, Novos Negócios, Terminais e Biotech.
Eles herdaram o negócio do pai, José Batista Sobrinho, conhecido como “Zé Mineiro”.
Atualmente, de acordo com a Forbes, a fortuna dos irmãos está estimada em US$ 5,4 bilhões.
Veja algumas empresas ligadas aos irmãos Batista:
PicPay
Delícia
Canal Rural
Banco Original
BDM
Wild Fork
Massa Leve
Delícia
Doriana
Incrível
Seara
Bordon
Rollover
Uboi
No Carbon
Campo Forte
Pilgrim’s
Genu-In
Vyvedas
Âmbar Energia
Mantiqueira
Eder
Principe
Salumiking’s
Vivera
Rigamonti
Andrews
Primor
Kolene
Mat Inset
Assim
Hydratta
Albany
Fridge Raiders
Francis
Just Bare
Maturatta
Huon
1953
Kitut
Marba
Hans
Seara Gourmet
Doriana
Karina
Richmond
Primo
Moy Park
Phytoderm
Minuano
Brisa
Eldorado
Ox
Neutrox
Friboi
Swift (BR)
Se pensarmos que quase tudo é turbinado pelo santo pai BNDES, o Brasil já é estatal e nós ainda não sabemos.
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