Crise na China deve ajudar Trump a isolar Rússia e Irã

12 de maio de 2026 § Deixe um comentário

Apesar da forte torcida contra, o Wall Street Journal afirma hoje em longa matéria que Donald Trump chega à China em uma posição de força para trocar uma política comercial leniente pelo fim do apoio de Xi Jinping à Russia e ao Irã.

A China esta mais dependente do que nunca dos mercados ocidentais para manter seu crescimento num quadro nacional de declínio demográfico, alto desemprego da juventude tanto no campo quanto nas cidades, a falência iminente de pelo menos ⅓ dos governos municipais, níveis de endividamento insustentáveis, um sistema de segurança social de 3º mundo e retornos de investimentos em declínio acentuado. O país tem o menor indice de crescimento em muitas décadas este ano. E uma dependência critica de fornecimento externo de petróleo, gás, alimentos e minerais.

A China vive estritamente de exportações de bens manufaturados subsidiados, que os consumidores nacionais não têm condições de absorver. Mais da metade do crescimento do ano passado deveu-se ao trilhão de dólares anuais que ela tem de superavit comercial. A demanda interna continua deprimida e responde por menos de 40% do PIB. Nos Estados Unidos, para comparação, o peso do consumo interno no crescimento do PIB é de 70%; no Japão, de 60%. E depois da 2a posse de Trump, os Estados Unidos e outros países do ocidente puseram barreiras às importações da China.

Para agravar a situação, o sistema financeiro da China é absolutamente fechado. Só o Partido Comunista pode autorizar a remessa de capitais para fora. Todos os lucros obtidos em moedas estrangeiras têm de ser entregues ao sistema de bancos estatais, com o que o partido tem controle sobre movimentações e taxas de câmbio, que mantem artificialmente favoráveis ao yuan, sem o quê não consegue sustentar suas necessidades de importações.

Contra o euro fez o contrário; desvalorizou o yuan em 40% desde 2020, o que inverteu os resultados da balança comercial entre Europa e China, agora acusada de manipulação cambial.

Outro golpe na economia chinesa foi o fim do fluxo de petróleo subsidiado da Venezuela e do Irã

Para enfrentar os custos crescentes da divida publica, que subiram 153% desde a crise de 2008, a China vem imprimindo moeda num ritmo 6 vezes mais forte que os Estados Unidos no início deste século.

Se Trump impuser mais tarifas e convencer outros países a faze-lo, como fez no passado recente e, pior, impuser sanções aos bancos chineses que lavam dinheiro para o crime organizado ou furam as sanções impostas aos governos da Russia e do Irã, os danos seriam multiplicados.

Não interessa a Trump forçar a debacle do modelo mercantilista chinês. Mas ele conta com armas poderosas para extrair de Xi Jinping o fim ou uma forte redução do apoio que tem dado à Russia em sua guerra contra a Ucrânia, e ao Irã dos aiatolás.

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