A manipulação do caso Master para ofuscar e blindar principaís envolvidos
7 de maio de 2026 § Deixe um comentário


André Mendonça se frustrou com os primeiros sinais da delação premiada de Daniel Vorcaro.
Segundo a CNN, o ministro relatou a interlocutores ver manipulação da defesa do banqueiro e seletividade de informações, passando a apostar suas fichas no que tem a dizer o cunhado Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do esquema.

Também considera deixar a homologação da delação de Vorcaro para depois das eleições, quando o ambiente político estará menos contaminado e tensionado – em princípio, a análise da proposta estaria concluída em junho.
Até agora, o que de mais relevante se sabe da colaboração premiada do fundador do Master é a menção a Alexandre de Moraes.
Os primeiros trechos vazados na imprensa revelam que Vorcaro afirmou que o contrato com a esposa do ministro tinha o objetivo de aproximá-los, evidenciando que os R$ 129 milhões embutiam segundas intenções, como obter algum tipo de vantagem junto às altas cortes.
O aliado de Moraes e o
advogado de Vorcaro
Apesar da menção, já há articulações nos bastidores para blindar o magistrado.
Segundo o Estadão, o ministro do TSE Floriano Marques, um dos principais aliados de Moraes, se reuniu ontem em um hotel em Brasília com o advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, que defende Vorcaro.

Em pauta, a proposta de delação premiada apresentada aos investigadores do caso.
Ambos confirmaram o “rápido” encontro, mas negaram a conversa sobre o Master.
A reunião “casual” ocorreu após a defesa de Vorcaro finalizar os últimos ajustes na sua proposta de delação premiada e entregar os chamados “anexos” do acordo.
Cada anexo corresponde a um assunto diferente, com a indicação de pessoas envolvidas nos fatos e meios de prova.
Floriano Marques chegou ao TSE em 2023 por indicação direta de Moraes, de quem é colega de trabalho na Faculdade de Direito da USP, a Lula, que o nomeou.
Há a expectativa de que Vorcaro forneça detalhes das relações que mantinha com ministros do STF, especialmente Moraes pelo fato dos contatos frequentes que tinha com o ministro e dos R$ 80 milhões pagos ao escritório de sua mulher, em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões – valor 10 vezes maior do que o recebido por outros escritórios de advocacia que atuaram em defesa do Master.
O esquema do Master
nasceu com o PT da Bahia
O PT está preocupado com o caso Master.
O partido acha que Vorcaro não apresentará provas suficientes para sustentar as acusações e terá o acordo recusado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Os petistas temem que uma eventual rejeição da proposta de delação de Vorcaro leve a vazamentos com menções à cúpula da sigla na Bahia, onde nasceu o esquema.
O dono do Banco Master era sócio do empresário Augusto Lima, que tem histórico com governos petistas no estado.
Os detalhes da relação do executivo com Rui Costa e Jaques Wagner, bem como o uso do Credicesta para alavancar a pirâmide do Master, podem comprometer a campanha de Lula à reeleição, conforme alertam os advogados do partido.

O PT quer ter o controle sobre a narrativa do escândalo, dizendo que o governo deixa investigar.
Além disso, conta com diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que esteve com Vorcaro e Moraes em Londres e está com Lula nos EUA.
Ele tem nas mãos o comando das investigações do caso, que hoje teve como alvo Ciro Nogueira, senador e presidente do PP.
Na linha “Congresso inimigo do povo”, a expectativa é que, como teme Mendonça, nomes ligados a Lula e Dilma que receberam fortunas do Master, como Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Henrique Meirelles, fiquem em segundo plano para jogar o centrão na fogueira.

De acordo com a CNN, Vorcaro narra datas, horários e cidades sobre encontros, reuniões, festas e viagens com políticos, citando nomes de direita, esquerda, mas principalmente de centro.
CPMI só sai com
fatos novos e sem sigilo
Deputados federais favoráveis à criação de uma CPMI para investigar as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master acreditam que a delação premiada de Daniel Vorcaro pode ajudar, desde que traga fatos muitos comprometedores e tenha o sigilo retirado.
O sigilo da delação pode se transformar na principal arma de PGR e PF, alinhados com o governo Lula e o STF de Moraes e Gilmar, a vazar seletivamente as denúncias.
Se aprovada a delação, o eventual vazamento de dados da delação de Vorcaro deve começar a surgir em meados de junho ou julho enquanto o 1º turno das eleições será em 4 de outubro.
Até agora, se depender de Hugo Motta e Davi Alcolumbre, nenhuma CPI do Master sai.

Para que a delação de Vorcaro seja homologada, o banqueiro terá de restituir os bilhões das fraudes aos cofres públicos.
É o que quer a 2ª Turma do STF e é a estratégia da defesa dele.
Para tentar distensionar as negociações, o plano de Vorcaro, segundo aliados, é devolver boa quantia aos cofres públicos.
Parte desses aliados diz que a prioridade será “pagar tudo”.
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