O que se sabe sobre a delação de Vorcaro; Moraes está nela
6 de maio de 2026 § 1 comentário


Na proposta de delação premiada entregue hoje em um pen drive à PF e à PGR pelos seus advogados, Daniel Vorcaro confirma que fechou um contrato com o escritório de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, com o objetivo de se aproximar do ministro do STF, revela Igor Gadelha, no portal Metrópoles.
Segundo a coluna, o fundador do Master sustenta que, apesar da intenção original, “não teria havido troca de favores” entre ele e o magistrado em razão do contrato.
Vorcaro revela ainda que o contrato com o escritório de Viviane, no valor de R$ 129 milhões, não teria sido o maior fechado pelo banco.
De acordo com a CNN, também há a expectativa de que nesse acordo possa ser implicado o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, um dos entusiastas da compra do Master pelo Banco Regional de Brasília.
Segundo o que foi apurado, Vorcaro pretende entregar informações sobre o núcleo BRB e o governo do Distrito Federal antes de outros envolvidos no esquema, particularmente o ex-presidente Paulo Henrique Costa, que está acelerando o processo para tentar emplacar uma delação.
Diálogos extraídos do celular de Vorcaro mostram que o Banco Master recorreu a aportes do BRB desde meados de 2024 para enfrentar problemas de liquidez.
As mensagens, obtidas pelo Estadão, foram trocadas principalmente com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, e indicam pedidos frequentes de apoio financeiro antes mesmo do anúncio de compra de parte da instituição, feito em março de 2025.
Apesar do esforço, pessoas próximas a Vorcaro duvidam que Paulo Henrique Costa consiga, de fato, concluir um acordo.
Em sua delação, o ex-banqueiro do Master narra datas, horários e cidades sobre encontros, reuniões, festas e viagens com políticos, prossegue a CNN.
Segundo interlocutores com acesso às informações, há citação a políticos de direita, de esquerda, mas principalmente de centro na proposta de delação.
Os pré-candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão de fora da proposta de delação.
Nenhum atual pré-candidato aparece no material: Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Aldo Rebelo (Democracia Cristã).
Porém, um ex-candidato à Presidência que hoje está inelegível e não está preso deve aparecer em um dos anexos, diz a CNN.
Os investigadores da PF e da PGR vão cruzar as informações da proposta de Vorcaro com as provas já colhidas no celular do banqueiro e em outras frentes de apuração da Operação Compliance Zero.
Não há um prazo para que esse trabalho termine, mas a expectativa é que o acordo esteja assinado em dois meses.
Foi com base no celular de Vorcaro que a PF deflagrou as duas últimas fases da Operação Compliance Zero.
Os diálogos mostraram, entre outros fatos, que Vorcaro usava uma espécie de milícia armada para ameaça adversários, tinha meios de invadir sistemas de órgãos de investigação e acertou o pagamento de R$ 146 milhões em imóveis para Paulo Henrique Costa.
Nesse estágio, a proposta de delação ainda não é acompanhada de documentos de corroboração nem envolve discussão sobre tempo de pena ou valores de ressarcimento.
Ao final dessa primeira análise, a PF e a PGR irão responder se têm interesse em um acordo.
Diante de fatos inéditos e decidindo dar prosseguimento à delação, a mesa de negociação será aberta para tratar dessas cláusulas do acordo.
Depois que os dois lados chegarem a um consenso, os investigadores irão tomar os depoimentos de Vorcaro sobre cada um dos anexos.
Além disso, sua defesa deve entregar documentos e provas de corroboração.
Com tudo isso alinhado, o acordo de colaboração premiada pode ser assinado e enviado ao ministro André Mendonça, a quem cabe dar a chancela jurídica ao documento.
O acordo só surte efeitos e tem validade após a homologação do STF.
Enquanto as negociações acontecem, Paulo Gonet mandou baixar uma portaria interna para esvaziar a “Rede Membros”, um grupo de e-mails existente há anos na PGR para que procuradores e assistentes de todo o país troquem informações sobre assuntos pertinentes à carreira.
O canal vinha sendo usado para criticar a atuação da cúpula da PGR diante dos sinais de que Gonet poderia não denunciar potenciais delatados pelo banqueiro, como ministros do STF com quem tem proximidade.
Pelo menos quatro procuradores, segundo fontes, foram encaminhados à Corregedoria do órgão após críticas feitas ao comando do MPF na Rede Membros.
Um deles teria mencionado o uísque Macallan, que foi servido em encontro em Londres, do qual participaram Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Paulo Gonet.
O Alexandre é onipresente, está defendendo, acusando, prendendo está até dentro da urna.