Atraído para encontro com Messias, Alcolumbre se irrita e pede voto contra
29 de abril de 2026 § 1 comentário


Jorge Messias e Davi Alcolumbre tiveram um encontro secreto na semana passada, em Brasília, revelou a colunista Mônica Bergamo, da Folha.
A reunião aconteceu na casa de Cristiano Zanin e ainda contou com as presenças de Alexandre de Moraes e Rodrigo Pacheco, este o preferido do presidente do Senado para o STF e pivô de sua rixa com Lula.
Com os participantes dispostos em uma roda ampliada, o encontro se deu a poucos dias de sabatina de Messias na CCJ, marcada para amanhã.

Zanin teria chamado o presidente do Senado para sua casa e só depois anunciado que convidaria o advogado-geral da União indicado por Lula ao Supremo. Até então, Alcolumbre tinha recusado a receber Messias para discutir a sabatina para o STF.
O indicado de Lula pediu diretamente apoio de Alcolumbre, que se comprometeu apenas a garantir o rito constitucional e zelar por um ambiente tranquilo para a votação no Senado.
A REAÇÃO DE ALCOLUMBRE
O vazamento da informação incomodou Alcolumbre, que acusou o governo de fazer isso para passar uma “falsa sensação de entendimento”.
Falando sob condição de anonimato a Lauro Jardim, de O Globo, um “emissário de Alcolumbre” tem abordado senadores para recomendar voto contra a aprovaçnao de Messias para o STF.
Segundo o R7, parlamentares próximos a Alcolumbre podem influenciar 15 votos no Senado.
Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou hoje a jornalistas que não acredita na aprovação do nome: “Ele não vai passar com certeza, você imagina outro resultado?”.
Embora seja evangélico, Messias enfrenta resistência na bancada por defender aborto como tema de saúde pública e não apenas como questão moral.
A CCJ tem 27 integrantes.
Segundo levantamento do Poder360, com a dança das cadeiras nesta semana, Messias teria 15 votos a favor e 8 contra, o que lhe garantiria a ida a plenário.
Outros quatro senadores não declararam voto, sendo que um deles é Rodrigo Pacheco, que deve aprovar a indicação.
A MANOBRA DO GOVERNO

As mudanças na CCJ a toque de caixa irritaram a oposição.
Na sexta, Sergio Moro, contrário à indicação, deixou a CCJ e criticou as manobras do governo para garantir os votos.
Ele deve retornar ao colegiado como membro suplente, sem direito a voto, mas participando da sabatina.
Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes do governo Lula, assumiu a vaga de Moro.
Na quinta, Cid Gomes (PSB-CE), que não havia declarado posição, foi substituído por Ana Paula Lobato (PSB-MA), que já havia sinalizado apoio ao indicado de Lula.

Lula anunciou a indicação de Jorge Messias em 2025, mas só a formalizou ao Congresso em 1º de abril.
A aprovação na CCJ representa a primeira etapa do processo de confirmação.
No plenário do Senado, a aprovação de um ministro ao STF exige maioria absoluta, ou seja, pelo menos 41 votos favoráveis dos 81 senadores.
A votação é secreta, diante de uma inédita rejeição, caberá ao presidente da República apresentar outro nome para a vaga.
Atividade política descarada de quem deveria apenas se pronunciar nos autos.