Aliados veem ala do STF formada por Gilmar, Moraes e Cia ‘em negação’ na crise
21 de abril de 2026 § 1 comentário


Ao pedir ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para investigar o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade e ao ministro Alexandre de Moraes para incluir o ex-governador Romeu Zema no inquérito das fake news, Gilmar Mendes está dando um “um tiro no pé”, alertaram quatro aliados que procuraram ministros do STF nesta semana.
Segundo eles, o decano exagerou além do razoável e vem dando palco para os políticos faturarem eleitoralmente, além de acirrar a má vontade da opinião pública com o Supremo em um ano em que dois terços do Senado será renovado, favorecendo pressões pelo impeachment.
A informação é da coluna de Malu Gaspar em O Globo, que diz que os apelos não têm conseguido demover Gilmar, Moraes, Flávio Dino ou Dias Toffoli da ideia de que o Supremo precisa dobrar a aposta para mostrar o que os políticos têm a perder.
“Eles estão em negação”, resume um desses interlocutores dos ministros, preocupado.
“Gilmar e Moraes são ministros do embate e do confronto. Vão sempre dobrar a aposta”, acrescentou outro interlocutor, de ambos.
“Eles têm a certeza de que dominam o jogo em Brasília e não se veem numa jornada suicida, muito ao contrário”, comentou outro.
Na prática, jogar significa intimidar com os processos que parlamentares já têm no STF.
“Como esses dois (Zema e Vieira) não têm processos, não há como desengavetar algo. Então eles estão tentando dar um jeito de criar uma situação”, disse o mesmo aliado.
Ao todo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) engavetou 97 pedidos de impeachment de ministros do STF, 11 só este ano, com Moraes e Toffoli no topo da lista.
Para blindar a corte, Gilmar estabeleceu no ano passado um quórum mínimo de dois terços do Senado para cassar um ministro, ou seja, 54 votos – eram 41 votos antes.
O poder alucina e o poder absoluto alucina absolutamente.
Quem é Gilmar Mendes para mudar o regimento interno do senado?