Quem é o delegado da PF lotado no ICE que armou para Ramagem
18 de abril de 2026 § 1 comentário


Oficial de ligação brasileiro nos EUA há dois anos e oito meses, Marcelo Ivo de Carvalho é o único delegado da Polícia Federal lotado dentro do ICE em Miami, de onde coordena operações migratórias na Flórida, incluindo Orlando.
Segundo Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, ele deu os alertas que auxiliaram na detenção do ex-deputado e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem em 13 de abril de 2026.
Depois da identificação das malas do marido com a mulher no embarque para os EUA no Brasil, o agente monitorou o desembarque da esposa e das filhas de Ramagem, identificou o carro da família e descobriu o endereço.
Em uma extensa reportagem, o site A Investigação revela que Ivo, que nasceu em Santos, ingressou na PF em 2003, trabalhou em Sorocaba e foi chefe da Delegacia do Aeroporto de Guarulhos, atropelou e matou o vigilante Francisco Lopes da Silva Neto, na Rodovia Raposo Tavares, e escapou de uma punição penal sem perder seu cargo mesmo estando embriagado e com a CNH vencida no momento da tragédia e tendo sido preso em flagrante por homicídio culposo.

A matéria denuncia que as operações de vigilância discreta conduzidas por Ivo na Flórida sem mandado judicial dos EUA, realizando campana feita sobre a esposa de Ramagem em solo americano, podem ser caracterizadas como algo além de mera irregularidade, caracterizando descumprimento direto da legislação.
“O Foreign Agents Registration Act exige que qualquer pessoa que atue no país em nome de um governo estrangeiro — inclusive em atividades de monitoramento ou coleta de informações — esteja formalmente registrada junto ao Departamento de Justiça”, escreveu Davi Ágape.
Segundo a matéria, a legislação americana não reconhece poder investigativo a forças policiais estrangeiras sem acordo formal, credenciamento e observância das autoridades locais via controle judicial, inclusive em casos que envolvem vigilância.

O artigo descreve outras ações do delegado a serviço de Alexandre de Moraes em solo americano, como o monitoramento de Flávia além de sua trajetória até chegar ao atual posto.

Também menciona os detalhes da saga de Alexandre Ramagem, da prisão de Jacob Barata Filho, o Rei do Ônibus, cuja filha tem como padrinho de casamento o ministro Gilmar Mendes, que lhe concedeu habeas corpus três vezes e era apontado como sócio indireto do esquema de propinas do transporte público fluminense, até sua fuga para os EUA depois de ter sido acusado (e condenado) de integrar a “Abin paralela” mesmo sem ter logs de acesso ao software de espionagem FirstMile.

Todos os níveis dessa quadrilha que “comprou o poder” com dinheiro público têm que ir para a cadeia e devolver tudo o que roubaram.