Vorcaro comprou Master com dinheiro de um traficante de drogas
10 de março de 2026 § 2 Comentários


Daniel Vorcaro se tornou banqueiro com dinheiro de um narcotraficante espanhol condenado no Brasil a 16 anos de prisão por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
Morador de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde foi preso em 2013, Oliver Ortiz de Zarate Martin foi um dos investidores por trás da operação de compra do então banco Máxima, que receberia o nome de Master em 2021, comandado na ocasião por Saul Sabbá.
A transação aconteceu em 2017.
No ano passado, a polícia notificou o criminoso que irá expulsá-lo do país assim que cumprir sua pena.
A informação é de portal ICL Notícias, que ouviu uma fonte que atua no mercado financeiro e acompanhou de perto as negociatas.
O elo entre Vorcaro, Ortiz e Sabbá era o financista Benjamim Botelho de Almeida, ex-funcionário do Banco Garantia, que deu origem ao BTG Pactual.
Com dupla nacionalidade, o operador luso-brasileiro mora em Lisboa, mas frequenta a Faria Lima semanalmente.
O financista é apontado pela PF como sócio oculto e operador financeiro de Vorcaro nos Estados Unidos.
Ele foi apresentado a Ortiz por um sócio do narcotraficante, o empresário Yan Hirano.
Ambos lavavam dinheiro comprando imóveis na Baixada Fluminense.
O narcotraficante Ortiz Martin canalizou recursos para Vorcaro por meio de fundos operados justamente por Benjamin Botelho dos quais era cotista.
Eram fundos do Grupo Aquilla, que eram administrados pela então corretora Foco Distribuidora de Título e Valores Mobiliários (Foco DTVM), hoje Sefer Investimentos.

Sob controle de Botelho, a Foco DTVM administrava fundos do Grupo Aquilla — como Aquilla Veyron FIM e Aquilla FII — usados para fraudes no Banco Máxima, simulando capital com recursos próprios do banco e inflando preços de imóveis.
Hoje em dia, Botelho mantém vínculos com a Sefer Investimentos, que foi alvo em janeiro da segunda fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de integrar um esquema de repasse de recursos para negócios ligados à família de Vorcaro.
Uma offshore da Bahamas ligada à Sefer foi aberta nove dias depois do Banco Central ter liquidado o Banco Master.
Na prática, a Foco DTVM era administradora de fundos vinculados ao Grupo Aquilla, que tinha Botelho como principal executivo e da qual o Oliver Ortiz aparecia como um dos cotistas, de acordo com documentos da CVM.
Foi por meio de um desses fundos que o narcotraficante espanhol investiu na compra do Banco Máxima em 2017.
Embora não se saiba efetivamente quando aportou no negócio, Ortiz tinha centenas de milhões investidos em fundos do Grupo Aquilla,
Segundo a fonte ouvida na reportagem, “os recursos que foram utilizados na constituição dos fundos imobiliários – os principais produtos da então DTVM e hoje Sefer – e também na aquisição do Banco Master – que era a instituição financeira que faltava ao Grupo Aquilla para estender as ramificações de suas negociações e negociatas – são oriundos de lavagem de dinheiro do traficante Oliver Ortiz”.
O esquema usava fraudes repetidas, como comprar empresas ou imóveis baratos e inflar seus valores nas demonstrações financeiras para mascarar falta de capital e desviar recursos de investidores.

A PF investigava práticas semelhantes em 2020, na Operação Fundo Fake, contra o Banco Máxima, antes de se tornar Master.
Atualmente, a Operação Compliance Zero apura desvios bilionários após a liquidação do banco Master em novembro de 2025.
CRONOLOGIA DOS FATOS
- A partir de 2009: Oliver Ortiz de Zarate Martin lidera o envio de cocaína para a Europa por rotas marítimas. Ele lava os lucros comprando imóveis baratos na Baixada Fluminense, como os terrenos “Área A-2” e “Área B” em Queimados. Usava empresas de fachada e laranjas.
- Em abril de 2012: Ortiz e Yan Hirano vendem terrenos de Queimados para Agera Negócios Imobiliários e Aquilla Fundo de Investimento Imobiliário (FII). Os imóveis entram nos fundos com valores inflados.
- Junho de 2013: PF prende Ortiz por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
- De 2014 a 2016: Benjamim Botelho controla as corretoras Foco DTVM (hoje Sefer) e Aquilla Asset. Ele usa o fundo Aquilla Veyron FIM para simular capital no Banco Máxima, de Saul Sabbá, circulando dinheiro do próprio banco para maquiar contas. O MPF denuncia Botelho por gestão fraudulenta. O Banco Máxima acumula rombo de caixa grave e irregularidades graves o suficiente para inabilitação.
- 30 de outubro de 2015: CVM registra Ortiz como cotista do Aquilla FII e fundo São Domingos, via pessoa física e empresas. Esses fundos financiam a futura compra do Máxima. Ortiz também se liga ao Aquilla Veyron FIM e offshore Brazilian Multimarketing Investments LLC (Bahamas).
- 2016: Banco Central inabilita o Banco Máxima por gestão fraudulenta e insuficiência de capital crônica. Saul Sabbá, controlador, enfrenta investigações por demonstrativos falsos. Botelho já aparece vinculado às fraudes. Negociações para venda começam nesse ano, intermediadas por Botelho.
- 2017: Botelho leva Daniel Vorcaro — sem experiência no setor financeiro — para negociar diretamente com Saul Sabbá a compra do Banco Máxima inabilitado. Vorcaro adquire a instituição apesar dos problemas conhecidos. Recursos de Ortiz, injetados via fundos Aquilla (como São Domingos e Veyron FIM), bancam parte da operação. O banco segue sob comando de Vorcaro, mantendo práticas fraudulentas.
- 2020: PF deflagra Operação Fundo Fake contra Vorcaro e Botelho por desvios de R$ 2 bilhões de fundos de previdência no Máxima.
- 2021: Vorcaro renomeia Banco Máxima para Banco Master.
- Novembro de 2025: Banco Central liquida Master por fraudes bilionárias. Offshore das Bahamas ligada à Sefer surge nove dias depois.
- Janeiro de 2026: Dias Toffoli autoriza segunda fase da Compliance Zero contra Sefer e Botelho.
- 4 de março de 2026: PF prende Vorcaro pela segunda vez e o envia para cadeia de segurança máxima por formação de quadrilha.

QUEM É QUEM NO ESQUEMA
- Oliver Ortiz de Zarate Martin, narcotraficante espanhol: Desde 2009, comanda envios de cocaína à Europa. Lava lucros com imóveis baratos na Baixada Fluminense (terrenos Queimados), empresas de fachada, laranjas, coberturas na Barra da Tijuca, casas noturnas e restaurantes. Investe centenas de milhões em fundos Aquilla (Veyron FIM, São Domingos, FII), financiando compra do Máxima. Foi condenado a 16 anos em 2013.
- Daniel Vorcaro, empresário e ex-controlador do Banco Master: Compra o banco Máxima em 2017 com dinheiro de Ortiz via Grupo Aquilla. Renomeia para Master em 2021. Orquestra fraudes bilionárias: compra/inflação de empresas vazias, venda de ativos podres, desvios de R$ 2 bi de previdência. Preso duas vezes na Compliance Zero por rombo que pode chegar a R$ 50 bilhões no sistema financeiro e formação de quadrilha. Mensagens em seu celular citam Fundo Fake, Botelho e Ortiz.
- Benjamim Botelho de Almeida, operador financeiro: Ex-banco Garantia (origem BTG). Elo entre Ortiz, Vorcaro e Sabbá. Controla Foco DTVM/Sefer e Aquilla. Intermedia venda do Máxima em 2017. Simula capital com Aquilla Veyron FIM. Denunciado por MPF e alvo da Operação Compliance Zero por interpostas nos EUA.
- Yan Hirano, empresário: Apresenta Ortiz a Botelho. Em 2012, vende terrenos de Queimados com Ortiz para Aquilla FII, permitindo integralização com valores inflados nos fundos.
- Saul Sabbá, ex-controlador do Banco Máxima: Comanda banco até 2016 sob gestão fraudulenta, com rombo de caixa, demonstrativos maquiados e insuficiência de capital. Banco acaba inabilitado pelo BC. Apesar dos problemas acumulados, ele vende para Vorcaro em 2017, intermediado por Botelho.
Ah, então quer dizer que o BC inabilita um Banco, outro compra e tudo fica legalizado?
Bom para os traficantes e lavadores de dinheiro. Vão fazer o BC e a PF de palhaços o resto da vida.
Operação Isso, operação aquilo e quadrilhas e traficantes cada vez aumentam mais.
Belo trabalho policial e de controle e segurança bancária do país.
Impressionante que uma trama tão sórdida de tráfico internacional funcione com o total conhecimento da Polícia Federal.
Só falta os traficantes lançarem uma revista da sociedade dos traficantes e tirarem fotos com chefes de polícia, juízes e ministros em festas milionárias.
Sugestão de nome para a revista: Glamour Cocaine…
Outro nome: Caras e Carreirinhas…